Educação

TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO DE SP

O SINPEEM precisa chamar uma assembleia de base e construir um plano de luta contra a Reforma da Previdência

Na primeira reunião de representantes de escola após a greve geral do dia 14/06 era fundamental que a categoria pudesse fazer um balanço da greve e mais do que isso, discutir um plano de ação para que os trabalhadores da educação do município pudessem entrar em cena e tomar a luta em suas mãos, única forma de derrotar a reforma da previdência. Entretanto a direção do SINPEEM, na figura de Cláudio Fonseca, manteve a linha com que construiu o 14J junto às Centrais Sindicais, buscando impedir que os trabalhadores tivessem voz e fossem os protagonistas de sua própria luta contra a Reforma da Previdência.

terça-feira 9 de julho| Edição do dia

Na reunião de RE que aconteceu dia 02/07, semana passada, Cláudio Fonseca monopolizou a maior parte do tempo de reunião, como recorrentemente acontece, reservando pouquíssimo tempo para que os trabalhadores pudessem interver e apresentar balanços da participação da categoria no 14J. Ao fim, por mais que diversos grupos de oposição intervissem no sentido de apresentar balanços e discutir ações, e inclusive com propostas em relação a greve nacional da educação que está sendo chamada pela CNTE para o dia 13 de agosto, o tempo de intervenção de apenas 1 minuto fez com que sequer fosse possível discutir um balanço sério ou votado ações para que a categoria construa a partir da base um plano de luta à altura do desafio que é derrotar a Reforma da Previdência.

O 14 de Junho foi um dia em que assistimos a disposição dos trabalhadores para lutar, como pudemos ver em categorias do transporte como em São Paulo e em Belo Horizonte, ou rodoviários como em Salvador e no Distrito Federal. Mas vimos também as Centrais Sindicais, assim como sindicatos importantes como APEOESP e SINPEEM, atuando como freio frente a disposição dos trabalhadores. Desde a CUT e CTB chamando os trabalhadores a não saírem de casa, o SINPEEM e a APEOESP negando ônibus para que os trabalhadores da educação pudessem chegar até o ato na Av. Paulista, até a atuação da UGT, que antes já havia se pronunciado contra a greve geral e que na noite anterior desmontou a paralisação dos rodoviários em SP, fazendo os ônibus rodarem normammente no 14J.

Saiba mais sobre os efeitos da Reforma na aposentadoria dos professores:

A desmobilização promovida pelas Centrais Sindicais deixa claro que seus objetivos não são de derrotar integralmente a reforma da previdência, mas utilizar a força de nossa mobilização para obter uma proposta alternativa da previdência, que continuará nos fazendo trabalhar até morrer. Negociar em cima dos nosso direitos a derrubada da MP 873 que ataca o financiamento dos sindicatos mas, ao mesmo tempo mantém os privilégios das burocracias sindicais. A unidade das Centrais celebrada desde o primeiro de maio, onde a Força Sindical através do Paulinho já escabcarava sua intenção de negociar a Reforma - postura que sequer foi criticada pela CUT e pela CTB e tão pouco pela CSP-CONLUTAS, abrindo caminho para que nos dias 15 e 30 de maio seguissem sem unificar os trabalhsdores à juventude, separando a luta contra a Reforma da luta multitudinária contra os cortes na educação de Guedes e Bolsonaro.

A CUT controlada pelo PT e a CTB controlada pelo PC do B, não atuam de forma distinta de seus parlamentares e políticos eleitos. Como os governadores do PT no nordeste que se propuseram à apoiar a Reforma em troca da inclusão de estados e municípios, ou o PC do B que deu apoio para a candidatura de Rodrigo Maia (DEM) na câmara, o grande articulador da Reforma e aglutinador do chamado Centrão, composto inclusive por partidos como o PPS de Claudio Fonseca. Tudo isso em meio a crise da vaza-jato, onde apesar dos vazamentos do The Intercept prometendo desestabilizar Moro, o judiciário e a Lava-Jato, que foram pilares do Golpe institucional no país, a Reforma seguiu sendo negociada e caminha com ajustes rumo à sua aprovação. Veja o vídeo do Nossa Classe Educação na última reunião de representates dia 02/07:

Enquanto isso Bruno Covas (PSDB), na Prefeitura de São Paulo, rasgava o acordo da greve aprovando na câmara o PL 616, que não apenas institui um injusto sistema de bonificação por resultados ao invés do PDE recebido pelos trabalhadores em educação, seguindo os passos da política educacional aplicada pelo PSDB no Estado de São Paulo há anos. E ainda continua a criminosa política de divisão do funcionalismo ajustando em 3,03% a remuneração dos profissionais da educação em 2020 (parcelado em três vezes) e 0,01% para os demais trabalhadores do município, que há anos seguem reajuste. E frente à tudo isso o SINPEEM não momeu forças para ativar os trabalhadores e construir a luta necessária contra mais esse ataque de Covas.


Foto: quadro comparativo dos reajustes da categoria de professores e do funcionalismo.

Agora, no dia 12 de julho, as mesmas Centrais, Sindicatos e Entidades estudantis que nada fizeram para construir uma Greve Geral à altura de derrotar a Reforma e os ataques de Bolsonaro, chamam os trabalhadores para um Dia Nacional de Luta em Brasília, no entanto o fazem sem qualquer construção nas bases das categorias, novamente fragmentado a luta da juventude - que estará reunida no Congresso Nacional da UNE, da luta do restante dos trabalhadores. Ao invés de mandarem 1 ônibus por Sindicato, inclusive de forma demagógica, porque CUT, CTB e UNE não mobilizaram as bases em torno desse dia e organizaram milhares de ônibus para que os trabalhadores e estudantes de todo o país pudessem ser parte dessa luta?

Leia mais: Porque a CUT e a UNE não organizam milhares de ônibus até Brasília para o 12J?

Por tudo isso é mais que urgente que os trabalhadores e a nossa categoria - de trabalhadores em educação, assim como todo o funcionalismo municipal de São Paulo se organize em assembleias de base para ORGANIZAR COM SEUS MÉTODOS E COM a mais ampla DEMOCRACIA operária, UM PLANO DE LUTA LEVANTADO DESDE A BASE: a único caminho para derrotar Bolsonaro e a Reforma da Previdência e avançar para superar as direções burocráticas. Caminho que as direções não percorrem, muito pelo contrário... por isso defendemos que, além de nos posicionarmos contrários a qualquer projeto de Reforma da Previdência, é preciso exigir que as Centrais Sindicais parem imediatamente de negociar nossa aposentadoria com Guedes, Maia e o Centrão, além de construir pela base um verdadeiro plano de luta, que unifique nossas forças com a juventude para derrotar a Reforma, Bolsonaro, Maia e os cortes na educação.




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