CHACINA JACAREZINHO

“O Estado e o governo são responsáveis", diz Cacau sobre massacre em Jacarezinho

“Todos bandidos”, “combate ao crime organizado”, “guerra às drogas”, repetem as vozes que vão da ultra direita de Bolsonaro, Mourão e Castro aos “opositores democráticos” de ocasião, que foram pilares do golpe e desse regime autoritário. Querem nos fazer acreditar que é um problema da mal chamada “segurança pública”, quando a verdade é que o Estado e seus representantes adotaram o massacre da juventude negra como política e são os reais responsáveis por mais essa tragédia humana.

quinta-feira 13 de maio| Edição do dia

Carolina Cacau, fundadora do Quilombo Vermelho - Luta Negra Anticapitalista, professora da rede estadual na baixada fluminense e dirigente do MRT, falou ao Esquerda Diário sobre a responsabilidade do Estado e dos governos na maior chacina em operação policial da história do Rio de Janeiro.

“Pra ultra direita vale tudo para justificar o assassinato impiedoso de 28 pessoas, o sangue que escorreu nas vielas do Jacarezinho, o choro de cada mãe desesperada, o medo do trabalhador que vive na favela. Eles propagam mentiras, forjam imagens, repetem acusações sem provas, sem investigação, tudo para justificar o injustificável assassinato de dezenas de jovens negros.

Falam tanto que convencem uma parcela da população a procurar a culpa em indivíduos, no crime organizado, no despreparo da polícia, nada mais falso. A operação da polícia civil que realizou uma das maiores chacinas da história do país não aconteceu por acaso, nem é a toa que foi um dia depois da reunião entre Bolsonaro e Claudio Castro. A política da ultra direita para os trabalhadores combina ataques econômicos profundos contra nossos direitos em meio a pandemia, e terror, medo e sangue nas periferias e favelas onde a juventude negra representa o perigo de um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento.

Por isso, reconhecer o verdadeiro inimigo é um passo fundamental para avançar na luta por justiça. Claudio Castro, que até o impeachment de Witzel era um desconhecido, resolveu se consolidar na política nacional como fiel escudeiro de Bolsonaro, justamente em um estado estratégico para o bolsonarismo. Bolsonaro, que sempre desconfia de “aliados de ocasião”, exige certas “provas de fidelidade” para que o apoie para governador em 2022. O leilão da CEDAE e o massacre no Jacarezinho são parte desse acordo político entre o governador do RJ e Bolsonaro. No meio disso, nosso sangue negro escorre.

Mas contra toda tentativa de nos dividir, separar a luta dos trabalhadores por seus direitos da luta do povo negro e dos moradores das comunidades contra o racismo estrutural de uma das polícias mais assassinas do mundo, temos que responder com toda certeza, é na unidade que podemos ser mais fortes. É tarefa de cada um que se indigna com essa barbárie promover essa unidade. Vamos juntos às ruas neste 13 de maio e seguir nos organizando, porque só a luta pode impor justiça.

Mais sobre os atos de hoje: "Ir às ruas hoje unindo nossa classe e mov. negro para impor justiça por Jacarezinho", diz Pablito

O Estado e o governo Castro e Bolsonaro são responsáveis pelo massacre no Jacarezinho! Precisamos nos organizar, unindo movimento negro e de favelas com o conjunto dos trabalhadores, exigindo que as direções burocráticas do movimento operário e estudantil saiam da paralisia para organizar nossa luta pelo fim dos “autos de resistência” e punição aos policiais e mandantes, pelo fim dos tribunais militares, pelo fim dos privilégios dos juízes e que todo juiz ganhe igual a um professor e sejam eleitos pelo povo, e pelo fim de todas as tropas especiais como o CORE, BOPE, a Tática e a Força Nacional, que são criadas para massacrar o povo pobre e as lutas. Pelo fim das operações policiais e que todas as famílias despedaçadas pela violência do estado sejam indenizadas.

O único caminho para obrigar que o Estado realmente investigue e puna os culpados é a mobilização. Por isso precisamos, ao mesmo tempo, seguir exigindo investigação e punição ao Estado, mas sem deixar que somente este Estado, que tem seus vínculos com a chacina, controle os rumos das investigações. Nossa mobilização tem que impor ao Estado que garanta recursos e todas as condições para a realização de uma investigação independente, disponibilizando materiais, arquivos para organismos de direitos humanos, peritos especialistas comprometidos com a causa, representantes de organismos de direitos humanos, de sindicatos, de movimentos de favelas, etc, para que sejam parte da investigação.

Leia nosso editorial: Um debate de estratégia com a esquerda a partir da chacina do Jacarezinho

A força do povo negro que sempre lutou ao longo de toda sua história tem uma potência imparável em aliança com os demais setores oprimidos e a classe trabalhadora organizada, é nessa potência que acredito e por ela eu luto todos os dias, confiemos nessa força para enfrentar a ultra direita e sua sede de sangue, mas também todos os pilares desse regime golpista que está descarregando a crise nas nossas costas.




Comentários

Comentar