CORONAVÍRUS E RACISMO

O Coronavírus e o Haiti, não paguemos por essa crise com nossas vidas negras

Frente ao anúncio dos primeiros casos da COVID-19 no Haiti, que até hoje sofre as consequência do terremoto que produziu centenas de mortos em 2010 e espelha um realidade de miséria e morte ao povo negro, como é também no continente Africano, não aceitamos pagar com nossas vidas que nada valem para os capitalistas, as consequências dessa crise que já se mostra devastadora por todo o globo.

domingo 29 de março| Edição do dia

“Uma catástrofe anunciada” essa é a expressão que vemos e ouvimos em distintos contextos quando citado o Coronavírus e os impactos da COVID-19 por todo o mundo, mas quando pensamos a realidade do povo negro ao redor do mundo, isso ganha uma magnitude ainda maior, em especial frente a conclusão histórico de que como parte majoritária da classe trabalhadora são sempre os homens e mulheres negras os primeiros à pagarem por todas crises, inclusive diariamente através das piores condições de trabalho e da miséria que é a vida no capitalismo que combina exploração e opressão para melhor nos explorar, não à toa somos a maioria dos postos de trabalho terceirizado, no trabalho informal e na lista dos desempregados, vemos nossos filhos ou morrerem pelas mãos da Polícia num genocídio permanente que só mudou de nome depois da escravidão ou a ocuparem os postos precários de trabalho nas plataformas de empregos que levam a morte nossa juventude que não tem nenhum direito.

Nesse artigo chamamos atenção para o Haiti e os já registrados primeiros impactos da crise do Coronavírus nessa nação, que ainda hoje lida com as desastrosas consequências do terremoto que em 2010 deixou 200 mil mortos cujo rastro de morte e destruição se fazem presentes até o dia de hoje, onde mais de 300 mil pessoas ainda vivem em favelas e 55% da população tem menos de dois dólares por dia e não tem o que comer.

Esse contexto localiza não só o Haiti, mas todo o Caribe e numa situação de extrema vulnerabilidade para enfrentar essa crise, assim como todo o continente Africano e o povo preto em todos os países desse território, cujo única resposta dada pelos Capitalistas em todo o mundo e segundo discurso da própria o OMS é “se preparar para pior”. Escancarando que frente a uma doença que já fez milhares de mortos por todo o mundo, existem vidas que valem ainda menos, exatamente as vidas negras que historicamente sempre estiveram subordinadas aos lucros deles, através dos processos de espólio e partilha do continente africano que ergueu os países que hoje conhecemos como Imperialistas e da escravização de todo os filhos desta terra durante anos pelos portugueses em terras americanas.

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Até o dia 28 já haviam 8 pessoas confirmadas positivas para a COVID-19 no Haiti, sendo as primeiras confirmações feitas no dia 20/03 pelo presidente Jovenel Moïse, realidade que tende a se aprofundar exponencialmente numa curva ainda mais violenta que nos países cuja estrutura permitiria salvar vidas através da testagem massiva combinada à política de isolamento e de assistência médica, econômica e social por partes dos governos para que seguissem funcionando apenas os serviços essenciais com trabalhadores fora dos grupos de risco comprovadamente testados e saudáveis, à frente da produção de tudo que é necessário para superar essa crise sem que milhares de pessoas morram. No entanto o que vivemos hoje é um cenário onde quase em nenhum lugar do mundo se realizam os testes em massa em especial pela lógica de ante à vida dos trabalhadores em todo mundo estarem os lucros do capitalistas cuja sanha de nos tirar até a vida se prova na prática num momento como esse, em especial nos países dependentes e semi-coloniais e isso não seria diferente em países como os do continente Africano ou no Haiti, onde nenhuma força de vontade basta para enfrentar essa crise se não uma inversão da lógica de exploração das vidas negras historicamente mais condenadas por cada epidemia e crise que viveu nossa sociedade.

Essa realidade coloca a urgência de em todo o mundo e em especial nos países negros da América e do Caribe,além de todo o continente Africano, superando pela sua força o processo histórico que nos condena às piores mazelas, à tomar a frente de cada setor estratégico da produção passando a dirigir o funcionamento dos hospitais e também de todos os setores produtivos de alimentação, insumos hospitalares e medicamentos, setores essenciais para que não paguemos com nossas vidas por essa crise que desenha em todo o mundo um cenário já catastrófico que promete contornos ainda mais desastrosos sob as vidas do povo preto, rompendo com o julgo racista que num momento de crise como essa localizam nossas vidas entre as que não importam ante os interesses dos capitalistas e do Imperialismo que sempre parasitou nosso direito à vida e buscou apagar nosso passado de resistência e luta.




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