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PANDEMIA COVID-19

Número de mortes supera o de nascimentos: Bolsonaro e governadores são responsáveis

Em uma semana deste mês de abril, pela primeira vez na história do país, a região sudeste soma mais mortes do que nascimentos. Isso é fruto da política e condução irracional da pandemia por parte do governo Bolsonaro e dos governadores.

sexta-feira 9 de abril| Edição do dia

Imagem: BRUNO KELLY / Reuters

Nesta quinta-feira, 08, a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais, divulgou o alarmante dado de que nesta primeira semana do mês de abril, a região sudeste do país registrou 13.998 nascimentos, contra 15.967 óbitos, ocorrendo pela primeira vez na história mais óbitos do que nascimentos na região Sudeste.

Os dados referentes à situação do Brasil atualmente na pandemia são assustadores. O país, que possui 2,7% da população mundial, concentra 37% das mortes por Covid-19 em todo o mundo. Nas últimas semanas, tem alcançado recordes trágicos de mortes diárias. Em 1 dia, o Brasil tem tido mais mortes por Covid-19 do que 133 países tiveram em 1 ano de pandemia. Esses dados chamam a atenção de todo o globo para a crise sanitária no país e a condução da pandemia por parte dos governos.

A pandemia segue afetando a população, a economia e o cotidiano de vários países ao redor do globo. Entretanto, o Brasil se destaca negativamente. E não a toa. A maneira como o governo Bolsonaro vem conduzindo a pandemia desde o início, destilando seu negacionismo e descaso com as milhares de vidas ceifadas, é absurda e responsável pelas mais de 345 mil mortes que o Brasil soma hoje.

Não só Bolsonaro e todos seus aliados diretos, mas também é preciso apontar como a condução da pandemia pelos governadores dos estados, prefeitos, e mesmo o Congresso e o STF, ainda que tentem assumir o papel de “oposição racional”, criticando o negacionismo e obscurantismo do presidente, atuam na linha oposta de salvar vidas e levantar planos emergenciais de combate à pandemia, com programas que protegessem a população trabalhadora e pobre.

Pelo contrário, o que tanto o governo Bolsonaro, como os governadores, o Congresso e o STF, fizeram, foi levantar planos, programas e projetos de lei que protegessem a economia e o interesse dos empresários, muitos deles que tiveram lucros históricos no período da pandemia. O que fizeram foi implementar e aprovar medidas provisórias que atacam os direitos trabalhistas e salários, cortando investimento da área da saúde e educação em meio à pandemia a fim de manter o religioso pagamento da dívida pública que só enriquece o bolso dos banqueiros.

Não apresentaram um plano de combate à pandemia que tivesse como objetivo proteger a população. Isso fica claro quando estamos vivendo o pior momento da pandemia, que já dura mais de um ano, e nunca houve testes massivos para implementar quarentenas racionais e isolamento para os contaminados e doentes, com rastreio do vírus. Assim como não implementaram um auxílio emergencial no valor de pelo menos um salário mínimo, em meio a alta dos preços dos alimentos básicos para sobrevivência.

Defenderam um retorno inseguro às aulas presenciais, colocando em risco toda a comunidade escolar, professores, funcionários e famílias de alunos. Não fizeram um plano de combate ao desemprego e precarização da vida que só cresceu em meio à crise sanitária, pelo contrário, apoiaram as flexibilizações dos contratos de trabalho, que beneficiaram os patrões.

É por isso que nós do Esquerda Diário, desde o início da pandemia, viemos defendendo um plano emergencial, que estivesse ao lado da vida dos trabalhadores, em que houvesse reconversão das indústrias de serviços não essenciais sob controle dos trabalhadores para produção de respiradores, insumos, máscaras, álcool em gel, e tudo que for necessário para o momento. Que todos os grandes hotéis fossem confiscados para abrir novos leitos e organizar uma quarentena que de fato combatesse a disseminação do vírus, no país que mais pessoas morrem na fila de espera por um leito.

Para isso, é preciso que nos organizemos em cada local de trabalho e estudo. As centrais sindicais têm então um grande desafio de organizar reuniões e assembleias virtuais, para que os trabalhadores possam debater e deliberar um grande plano de luta, por um programa emergencial contra a pandemia, por exemplo com comissões de higiene e segurança sanitária composta pelos trabalhadores em todos os locais de trabalho. É preciso que as centrais sindicais saiam da paralisia que estão, em que somente apostam em esperar até 2022 e negociar migalhas. Basta da política do governo Bolsonaro e dos setores golpistas do regime político, que condena milhares à morte todos os dias. Não pagaremos por essa crise com nossas vidas!

Leia mais: Basta de paralisia: CUT e CTB precisam organizar plano de luta contra a pandemia e os ataques




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