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CHINA

Novos protestos em Hong Kong desafiam o governo de Carrie Lam e Beijing

Uma mobilização de milhares protagonizou neste domingo mais uma batalha contra o governo de Carrie Lam e sua lei de extradição. Beijing afirma que vai “castigar os responsáveis” e ameaça enviar o exército.

terça-feira 30 de julho| Edição do dia

Apesar das manifestações estarem proibidas, milhares voltaram a formar uma maré humana nas ruas de Hong Kong neste domingo. Mais uma vez, horas de batalhas campais com bomba de gás, paredão e combates muito duros com a polícia -que perseguiu manifestantes até dentro de shoppings e estações de trem- aconteceram no centro comercial da cidade. A repressão prendeu 49 pessoas, as quais podem deixar presos durante 3 anos, e 16 feridos.

Durante a tarde foi organizado um ato com autorização governamental que acabou se transformando rapidamente em um enorme ato durante o turno da noite, desafiando o “toque de recolher”. Além disso, uns dos pontos que os manifestantes passaram a levantar é o da denúncia à violência policial e o da atuação das máfias ao lado do governo, que deixaram 45 pessoas hospitalizas, entre elas uma grávida. O governo de Hong Kong considera as manifestações “perigosas”, justificando a repressão, enquanto Beijing exige de Carrie Lam um “rápido castigo” aos protestantes.

Xu Luying, porta-voz do órgão encarregado das relações com a metrópole do sul do país, pediu para “reestabelecer rapidamente a ordem e manter um ambiente propício para os negócios”. Em uma declaração que mostra a ingerência do governo da ilha, disse ao Executivo que “a tarefa mais urgente é acabar com essas manifestações violentas”, reafirmando seu apoio à Carrie, mesmo milhares exigindo sua renúncia.

Enquanto isso, na quarta-feira passada o porta-voz do Ministério da Defesa da China, Wu Qian, disse que o Exército Popular de Libertação poderia ser acionado em Hong Kong se solicitarem com o objetivo de manter a ordem

pública na região. Uma declaração perigosa depois de dois meses de que o Ministro da Defesa, Wei Fenghe, afirmou, em relação ao Massacre da Praça Tiananmen de 1989, que “deter os incômodos” é a política correta.

Desde o 9 de junho, Hong Kong é o cenário das maiores manifestações da sua história, protagonizando duros combates entre a polícia e manifestantes, inclusive com eles tomando o parlamento e fazendo com que o governo central se amedronte. O movimento começou com o rechaço do projeto de lei que autoriza as extradições à China continental, porém, Carrie se viu obrigada a descartar o projeto por causa da persistência da maré humana que viu na lei o perigo de perder suas pequenas cotas de autonomia.

Os protestos foram se ampliando para proteger as liberdades democráticas que Hong Kong tem em relação ao governo do gigante asiático, em particular a “liberdade de expressão” e a “independência da justiça”, sob a lei de “um país, dois sistemas”. A iniciativa da Chefe do Executivo, Carrie Lam, levou-a a cavar sua própria cova pois fez os protestos pedirem sua renúncia.

Hong Kong atravessa a crise política mais grave desde que a China recuperou sua soberania das mãos do Reino Unido, em 1997, e acontece nos marcos das crescentes tensões geopolíticas entre EUA e China. A sua desestabilização debilita a posição da China no tabuleiro geopolítico, enquanto os Estados Unidos utiliza cinicamente um discurso de direitos humanos, apoiado a setores da burguesia que se beneficiam do sistema financeiro hongkongnês e sua posição comercial estratégica, que permitiu o gigante asiático a estabelecer uma ponte com a economia mundial. Esta crise política ainda está longe de ser encerrada.




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