Opinião

GOVERNO BIDEN

Novo presidente, velho imperialismo

A eleição de Joe Biden foi celebrada por vários setores – inclusive da esquerda brasileira – como a vitória da “luz contra as trevas” representado por Trump. No entanto, em poucos dias o novo presidente americano já mostrou como a real essência do imperialismo americano, independente de quem está a frente, é a reação em toda linha.

sexta-feira 5 de março| Edição do dia

Trinta e cinco dias. Esse foi o tempo que demorou o novo presidente dos Estados Unidos para realizar seu primeiro bombardeio no Oriente Médio. Seu alvo foram bases na Síria, contra uma estrutura militar que pertencia a milícias apoiadas pelo Irã. Iniciando com “grande estilo” sua gestão, o novo presidente americano manda um recado sobre o que continua a ser a política externa americana: guerras, embargos comerciais, genocídios, assassinatos em massas, apoios a golpes de Estado etc.

Se alguém tinha alguma ilusão que o imperialismo yankee poderia ser diferente, essas ilusões devem estar caindo por terra. Ilusões essas que foram semeadas por amplos setores da esquerda, tanto nos EUA com Bernie Sanders e o DSA, mas também com seus admiradores tupiniquins como o MES-PSOL, corrente cuja figuras chegaram a comemorar a vitória de Biden como a vitória da luz contra as trevas. Pelo visto, essa “luz” ainda não chegou com tanto força ao Oriente Médio.

A lista de ofensivas imperialistas de Biden não para por aí. Mantém as sanções sobre Irã, Cuba e Venezuela. No caso dessa última, ainda estendeu um despacho afirmando que se tratava de uma ameaça à segurança nacional americana. Enquanto os EUA monopolizam grande parte da produção mundial de vacinas, deixando os países subdesenvolvidos a míngua, Biden mantém a sanção à Cuba, único país latino americano a desenvolver uma vacina própria.

Na questão da imigração, as trevas parecem prevalecer sobre a luz. Enquanto adia eternamente sua promessa de legalizar os imigrantes ilegais, a administração Biden reativa os campos de detenção de crianças imigrantes. Esses campos, que durante a gestão Trump chocaram o mundo com fotos de crianças em jaulas, seguem na gestão atual. Com a diferença que o nome mudou e segundo o secretário de Direitos humanos “a administração Biden está se afastando da abordagem ’focada no endurecimento da lei’ da administração Trump para uma em que o bem-estar infantil seja o foco”. A administração Democrata parece estar disposta a revolucionar a pedagogia com seu método de promover o “bem estar infantil” em campos de concentração.

No campo das disputas com a China – algo marcante da gestão Trump – tampouco esperemos grandes mudanças. Apesar do slogan America First não ser mais o oficial da Casa Branca, a política de disputa segue. Logo no início de seu mandato, Biden afirmou que em seu governo haverá uma extrema competição com a China. Cumprindo sua promessa, intensificou as tensões militares com a China no estreito de Taiwan. Não satisfeito, o governo ainda definiu a China como o “maior desafio geopolítico dos EUA”.

Para reforçar a sua imagem imperialista, em recente reunião com o presidente do México, Lopez Obrador, disse que pretendia estabelecer uma ótima relação com o mesmo. No entanto, falou que seria impossível qualquer tipo de compartilhamento de vacinas. Se mostrando um capacho de carteirinha, o presidente do México agradeceu o encontro e disse que “é maravilhoso para o México estar perto de Deus e não tão longe dos Estados Unidos”, invertendo a frase do ex presidente Porfirio Diaz, que falava: “Pobre México. Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.

No campo da política interna, tampouco há grandes mudanças. O tão prometido salário mínimo de 15 dólares a hora parece ter sido posto de lado assim como a promessa por aumentar a cobertura médica da população. O novo pacote de resgaste aprovado pela gestão de 1,9 trilhões de dólares segue a mesma lógica dos pacotes de Trump: bilhões para os bancos, sobras para a população. Apesar da ampla reivindicação do valor de 2000 dólares para os cheques-auxílio, Biden aprovou apenas 1400.

Para nós não se trata de uma surpresa. Pelo contrário, desde sempre viemos aqui no Esquerda Diário e no nosso diário irmão americano Left Voice de como seria o governo Biden. Além de nós, também abundaram memes na internet, como esse abaixo:

No entanto, nenhum desses alertas serviu para a esquerda yankee e tupiniquim que se pôs a reboque do democrata. Alguns dos representantes da primeira seguem apoiando o presidente. Já alguns daqui agora se fingem de morto – igual como fizeram sobre seu apoio ao Syriza. Mostram que nenhuma lição tiraram dessa situação e que estarão prontos para entrar em outra empreitada oportunista. Do nosso lado, acreditamos que o caminho é construir uma esquerda revolucionária e anti imperialista, seja ele na sua versão mais sincera como Trump ou com uma retórica mais "amigável" como Biden.




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