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15M | DECLARAÇÃO DO MRT

Nossa unidade pode derrotar a reforma da previdência e os cortes de Bolsonaro

segunda-feira 13 de maio| Edição do dia

Como se não bastasse o desemprego, a precarização do trabalho, a crise da educação e dos serviços públicos, e os problemas estruturais do Brasil, Bolsonaro quer descarregar a crise de maneira ainda mais brutal nas costas da juventude e dos trabalhadores e entregar o país para Trump, os imperialistas e capitalistas. Por isso corta mais de 30% das verbas da educação, inviabilizando universidades e escolas e cortando bolsas de pesquisa. E tenta usar isso de moeda de troca, com a chantagem de que “se a reforma da previdência for aprovada, os cortes podem ser revistos”.

Mas o movimento estudantil entrou em cena contra os cortes na educação, a classe trabalhadora começou a se mover contra a reforma da previdência e estamos mostrando que vai haver resistência. As paralisações e atos neste dia 15 mostram que eles ganharam algumas batalhas, mas ainda não a guerra. Deram o golpe institucional, mataram Marielle, prenderam Lula arbitrariamente com a Lava Jato do famigerado Sérgio Moro para manipular as eleições e impor um governo que atacasse muito mais profundamente do que o PT vinha fazendo, desde os ajustes de Dilma em especial. Mas podemos mostrar, com estudantes e professorxs à frente, que nos unindo numa só luta contra os cortes e a reforma da previdência, a juventude, trabalhadores, mulheres, negrxs e LGBTs podemos virar o jogo.

Continuar a mobilização com a massificação e coordenando as lutas pela base

Estamos só começando, é a hora de massificar ainda mais a luta em cada local de estudo e trabalho, ganhando novos setores que ainda não perceberam que podemos aproveitar as divisões entre os de cima, que começaram agora as batalhas decisivas e que podemos barrar os ataques se não permitirmos que dividam os trabalhadores e estudantes, como se a luta contra os ataques à educação fosse algo separado da luta contra a reforma da previdência.

Este dia 15 tem que ser o início de uma luta sem tréguas, com assembleias e comitês de base, e encontros regionais que coordenem um plano de lutas ativo e combativo para derrotar Bolsonaro e para que os capitalistas paguem pela crise. Não podemos esperar o dia 14 de junho, para quando está convocada uma paralisação nacional, para dar novas demonstrações de força.

Por um comando nacional de delegados eleitos e revogáveis nas assembleias de base dos setores em luta

Não podemos deixar nas mãos das cúpulas das entidades sindicais e estudantis o poder de decisão das mobilizações. Muito menos nas mãos das burocracias universitárias. É a base que está em movimento que precisa decidir os rumos da luta, sem nenhuma confiança nas cúpulas, que já deram muitas demonstrações que não vão levar à frente nenhuma luta séria.

Paulinho da Força Sindical e a UGT são parte de uma série de burocratas sindicais que já declararam que vão negociar a reforma da previdência. O PDT de Tabata Amaral e Ciro Gomes declara abertamente que quer negociar uma reforma da previdência “melhorada”. A direção da UNE está nas mãos da UJS/PCdoB que apoiou Rodrigo Maia para presidência da Câmara dos Deputados, o articulador da Reforma da Previdência. Setores do PT falam contra a reforma enquanto seus governadores apoiam e fazem campanha pela reforma da previdência, excluindo alguns itens mais impopulares.

Não podemos deixar nossa luta nas mãos desses setores. Por isso, é urgente construir um comando único nacional de delegados eleitos nas assembleias de base, começando pelo movimento estudantil que está na linha de frente da mobilização, exigindo da UNE que garanta sua convocação imediatamente. Fazemos um chamado ao PSOL para que coloque as entidades estudantis e sindicais que dirige a serviço dessa batalha, usando inclusive seu peso parlamentar e de figuras como Guilherme Boulos para fortalecer nossa luta.

Que os capitalistas paguem pela crise: pelo não pagamento da dívida pública

Diante da crise, a resposta dos capitalistas é a reforma da previdência e cortes que vão destruir a educação pública e nossas vidas. Nossa resposta precisa se contrapor profundamente à miséria que esse sistema quer nos impor. Eles dizem que não há outra saída senão os ataques porque não tem dinheiro. Mas não é verdade. A tal “sanidade das contas públicas” significa colocar o orçamento público federal em função de garantir o pagamento da dívida pública, um roubo que representa cerca de 1 trilhão anual do orçamento, uma verdadeira bolsa banqueiro que todos os governos sempre pagaram, incluindo os do PT. Anualmente esse roubo equivale ao orçamento de 200 USP, 2500 UFRJ ou 5 milhões de moradias populares.

Com esse dinheiro que vai pra dívida pública e impedindo que sigam roubando nosso petróleo e riquezas naturais e deixando um rastro de destruição como em Brumadinho, seria possível estatizar as universidades privadas e garantir acesso de todos à educação pública, com o fim do vestibular. Seria possível um plano de obras públicas para gerar emprego na construção de moradias e serviços públicos de qualidade.

Não aceitemos que nos digam que não é possível. Trump e Bolsonaro são radicais e querem tudo. Na crise estrutural que vive o capitalismo mundial e o Brasil, não há espaço para saídas intermediárias e para as ilusões reformistas e suas eternas apostas de resolução parlamentar dos problemas. Nessa crise, somos nós ou eles. Pelo não pagamento da dívida pública, como parte de romper com os capitalistas e imperialistas e impulsionar uma mobilização no Brasil e na América Latina que impeça essa barbárie que essa extrema direita quer nos impor.




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