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ATOS DIA 29 | Nossa luta dia 29 não pode ser para pressionar a CPI

Neste sábado, dia 29, ocorrerão atos por todo o Brasil contra os cortes à educação e os ataques do governo. Essas manifestações não podem ter como perspectiva pressionar a CPI: a unidade dos trabalhadores e da juventude é a única capaz de derrotar os ataques de Bolsonaro, Mourão e dos militares.

sexta-feira 28 de maio | Edição do dia

Os chamados começaram por conta dos cortes à educação, mas se estendeu para uma luta contra Bolsonaro mostrando o grande descontentamento da juventude e trabalhadores com a crise sanitária, econômica e social. Já são mais de 450 mil mortes, junto a números altíssimos de desemprego e fome no país.

Em meio a esse cenário, está ocorrendo no Brasil a CPI da Covid há algumas semanas. Mas ao contrário do que tenta nos convencer a mídia burguesa, ela não veio para salvar vidas, e sim para salvar o regime do golpe institucional. Um fato que explicita isso são os próprios relatores, como o reacionário Renan Calheiros (MDB), além de outras figuras da direita, que só querem que algumas alas do regime brasileiro, como Pacheco, Globo e STF se diferenciem de Bolsonaro. Assim buscam livrar suas caras da conta das mortes, fome e desemprego para aparecerem como os defensores da “justiça”.

Isso não passa de um verdadeiro teatro. É um fato que Bolsonaro é um negacionista escancarado que não liga para as nossas perdas e para quem não tem o que colocar na mesa para comer. Mas essa crise também é causada pelas figuras da direita, Globo e STF: apesar desses setores tentarem se diferenciar do governo federal, sabemos que eles têm um acordo que os unifica: descarregar a crise nas costas dos trabalhadores e do povo pobre.

Uma prova disso é que enquanto a CPI ocorre no Senado, a Câmara dos Deputados aprovou a MP da privatização da Eletrobrás. Além disso, no final de abril partes lucrativas da CEDAE foram leiloadas à iniciativa privada, para a Aegea, empresa que é tem como acionistas majoritários o Itau SA e o Fundo Soberano de Singapura – GIC Private Limited. Essas privatizações que só servem para enriquecer os patrões enquanto cobra seu preço aos trabalhadores (lembremos de Mariana e Brumadinho, frutos da Vale, que foi privatizada durante o governo de FHC) são parte dos acordos de todos os setores do regime do golpe que participam do teatro da CPI.

Por isso é necessário dizer que não podemos ter a ilusão que Renan Calheiros, nem na Globo, no Congresso ou no STF irão nos salvar contra o governo, pois eles também são parte de como chegamos até aqui. Além disso, é necessário vermos que concentrar nossa luta apenas para tirar Bolsonaro é insuficiente, já que no lugar dele assumiria nada menos que General Mourão, saudosista da ditadura militar e entusiasta de todos os ataques.

Devemos confiar apenas nas nossas forças, da juventude e da classe trabalhadora unidas, pois isso é o que faz o Bolsonaro, Mourão e os militares tremerem. Com essa estratégia devemos lutar para impor uma assembleia constituinte livre e soberana, que coloque nas mãos da maioria da população as principais decisões sobre os rumos do país, batalhando por vacina para todos, com quebra das patentes, pela revogação das reformas e pela garantia de todos os direitos democráticos das mulheres, negros, LGBTs e todos os oprimidos, além de outras demandas.

Assim está sendo de Myanmar à Palestina, passando pela Colômbia, onde o povo está se colocando contra os ajustes de Duque. É necessário, diante de toda a disposição de luta que a juventude e os trabalhadores estão demonstrando, que a UNE e também as centrais sindicais como a CUT, dirigida pelo PT e a CTB, dirigida pelo PCdoB, unifiquem as pautas do dia 29, colocando milhares nas ruas para gritar “Contra os cortes, reformas e privatizações. Fora Bolsonaro e Mourão”. E que esse dia seja o primeiro de um plano de lutas, que seja construído pela base com assembleias chamadas pelos DCEs e Centros Acadêmicos por todo o Brasil. Só a nossa auto-organização é capaz de barrar todos esses ataques.




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