Sociedade

CANDIDATURA EM DEFESA DOS TRABALHADORES

"Nossa candidatura é antes de tudo uma candidatura de trabalhadores", diz Diana Assunção

A bancada revolucionária de trabalhadores do MRT está concorrendo às eleições para vereador em São Paulo com uma candidatura composta por trabalhadores e levantando suas demandas. Diana Assunção, integrante da bancada, explicou ao Esquerda Diário essa proposta.

domingo 1º de novembro| Edição do dia

O Esquerda Diário ouviu Diana Assunção, que junto a Marcello Pablito e Letícia Parks compõe a bancada revolucionária de trabalhadores do MRT. Ela explicou o que significa a candidatura composta por e para os trabalhadores:

“A nossa candidatura é antes de tudo uma candidatura de trabalhadores. Isto não é algo secundário para nós, mas é parte fundamental de nossa perspectiva política. Um dado essencial da nossa realidade, e que procuram disfarçar e esconder dos trabalhadores a todo custo, é que o fundamento da sociedade capitalista em que vivemos é a sua divisão em classes sociais, principalmente entre trabalhadores e burgueses, ou seja, aqueles que vendem a sua força de trabalho e vivem de seu salário, e aqueles que a exploram, os capitalistas, que são os patrões, os donos daquilo que chamamos de meios de produção, que podem ser fábricas, comércios, bancos ou mesmo aplicativos: empresas que são movidas pela força dos trabalhadores, mas cujos frutos do trabalho não se revertem em salários para estes, nem em benefícios sociais para todos – são apropriados de forma privada pelos donos destas empresas.

Quando olhamos para a situação política atual do país, com um governo de extrema-direita e obscurantista de Bolsonaro, após um golpe institucional conduzido pelo Congresso Nacional e o STF, seguido por reformas que tornam ainda mais dura a vida dos trabalhadores, como a reforma trabalhista, a lei das terceirizações ou a reforma previdenciária, só é possível entender como chegamos até aqui, e como podemos sair dessa situação, se entendermos essa divisão fundamental da sociedade.

O regime político de hoje se sustenta na divisão entre três poderes, executivo, legislativo e judiciário, com uma crescente atuação dos militares. Mas todos estes, em que pesem seus conflitos e divisões internas, possuem, essencialmente, o mesmo objetivo: defender os lucros dos patrões às custas da exploração dos trabalhadores. Todas as leis, feitas por essa classe, estão a serviço disto, bem como o golpe institucional que ocorreu em 2016. Hoje, estão em um pacto pela reforma administrativa, o novo grande ataque que querem dar sobre nossa classe.

Assim, sabemos que a fachada democrática das eleições é uma forma de tentar ocultar esta dominação. Os grandes partidos fazem campanhas milionárias com o dinheiro destes patrões, e utilizam inclusive a máquina estatal para se eleger. Já a nossa candidatura é militante, feita exclusivamente com recursos de trabalhadores que acreditam nesse projeto político e contribuem voluntariamente para levá-lo adiante. Nossa candidatura é uma das muitas formas que utilizamos para contribuir para o avanço da organização dos trabalhadores, de forma independente, para combater os capitalistas e lutar por nossos interesses. Por isso colocamos em primeiro plano a luta contra esse regime, a necessidade de nos organizarmos como classe trabalhadora para impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para rediscutir todas as leis. O que defendemos como horizonte é um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo, que é a única forma de acabar de fato com a exploração e opressão em nossa sociedade – o racismo, a lgbtfobia e o machismo também são formas que a burguesia utiliza para aprofundar sua dominação e seus lucros. Uma candidatura de trabalhadores como a que construímos é um instrumento para levar adiante esta luta, que é uma luta da grande maioria dos explorados contra uma pequena minoria de exploradores e privilegiados.”




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