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Educação | Nos últimos 7 anos, Brasil sofreu corte de R$83,8 bi em ciência e na educação superior

Pesquisa realizada pelo Observatório do Conhecimento, rede de associações e sindicatos docentes, divulgada no último dia 16, mostra dados alarmantes para a ciência e o ensino superior no país.

segunda-feira 13 de junho | Edição do dia

Segundo os dados da pesquisa, apenas na UFRJ, 667 milhões foram deixados de serem recebidos pelas instituições de educação, valor que impacta diretamente no incentivo à pesquisa, no desenvolvimento científico, além de impactar diretamente na permanência estudantil. Segundo a pesquisa, o valor de perda de investimento na educação pode chegar a R$98,8 bilhões até o final do ano.

“É importante mostrar para a sociedade que investir em universidades, Ciência e Tecnologia é prospectar um país que pensa em desenvolvimento, que pensa em modernização, que pensa num futuro. Sem investimento, a gente aborda vários futuros possíveis”, explica a professora Mayra Goulart, vice-presidente da AdUFRJ e coordenadora do Observatório do Conhecimento. “Há uma geração de alunos que estão saindo da pós porque não há bolsas, não há financiamento para suas pesquisas, porque eles estão dentro de uma universidade degradada no seu espaço físico”, crítica.

Para chegar a esta conclusão, o Observatório somou todas as diferenças registradas desde um marco inicial, em 2014, até o ano passado. Para se ter uma ideia da queda de verbas do orçamento do conhecimento, os R$ 27,81 bilhões de 2014 despencaram para apenas R$ 10,57 bilhões em 2021. O montante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações encolheu para 34,4% do que já foi: de R$ 6,95 bilhões para R$ 2,39 bilhões. Vinculado ao MCTI, o CNPq passou de R$ 2,54 bilhões para R$ 839 milhões. Já a Capes caiu de R$ 8,05 bilhões para R$ 3,04 bilhões. Os gastos com universidades e institutos federais foram de R$ 8,46 bilhões para R$ 3,5 bilhões, cerca de 41,5% do início da série. Segue gráficos da pesquisa realizada:

O Observatório prepara um Monitor do Orçamento do Conhecimento. Com a ferramenta virtual, será possível para qualquer um consultar e recolher os dados rapidamente, em detalhes. Hoje, a partir do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (SIOP) do governo federal, isso não é possível, o que deixa todo processo nebuloso para o conjunto dos estudantes e trabalhadores.

Esses cortes astronômicos na educação e na ciência são mantidos através da lei de teto de gastos, que sufoca o investimento público na arpes de interesse dos trabalhadores como, além da educação, como na saúde, para pagar a fraudulenta dívida pública que extraí 72% do orçamento público, valor que vai diretamente para o bolso dos grandes capitalistas donos dos títulos.Esses cortes que foram iniciados no Governo Dilma em 2014, tomaram proporções muito maiores com o governo golpista de Temer, e de Bolsonaro. No contexto do bloqueio de 14,5% no orçamento para educação, ciência e saúde, o valor tende apenas a crescer, o que coloca em xeque o próprio funcionamento de diversas universidades.

Isso mostra a necessidade de lutar e se enfrentar contra esses ataques. Não vai ser com acordos que vamos garantir nossos direitos. Isso é ao contrário do que faz a UNE que é coordenada majoritariamente pelo PT e PCdoB. Deposita todas as nossas esperanças em uma conciliação com os empresários e neoliberais. É preciso tomar a atitude de organizar os estudantes e romper com essa política eleitoreira que tenta abrir caminho para os acordos institucionais de Lula e Alckmin, junto às instituições privadas.

Após os atos do 9J, que não alcançaram sua potencialidade, mostrou a disposição dos estudantes por lutarem contra o corte, que deve ser respondido através da auto-organização dos estudantes nas universidades, e sendo necessário a exigência de que a UNE organize, desde as suas bases, uma paralisação nacional nas universidades para que se possa mostrar a força dos estudantes contra esse ataque.

Leia também:Entre a disposição de luta e a conciliação eleitoral, por que o 9J não foi um tsunami da educação?




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