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“Nós te chamamos para Revolucionar”: RAP e Resistência Guarani Kaiowá

Noah Brandsch

“Nós te chamamos para Revolucionar”: RAP e Resistência Guarani Kaiowá

Noah Brandsch

Em meio a desmatamentos, grilagens, invasões de latifundiários e o Marco Temporal, os ataques aos povos indígenas começam desde 1500 com a chegada dos colonizadores, porém, têm se intensificado cada vez mais no governo Bolsonaro, fruto do golpe institucional de 2016, aprofundando os avanços do agronegócio, que já avançavam, inclusive, nos próprios governos petistas. Entretanto, junto a isso, se iniciam várias resistências.

Nos vários momentos da colonização e da consolidação do capitalismo no Brasil, a mão de obra que mais teve seu sangue e suor exauridos foi a indígena e a negra, escravizados sequestrados de África e do próprio território brasileiro, e, em menor escala de exploração, a mão de obra branca (dos imigrantes europeus), sempre para gerar mais acumulação de riqueza à classe dominante. Por isso mesmo, gerou-se uma massa de explorados e oprimidos, predominantemente de negros e indígenas, jogados para serem usados como mão de obra mais precarizada e como exército industrial de reserva.

Em momentos de crise capitalista e de acirramento da luta de classes, os ataques da burguesia contra esses setores mais oprimidos para assegurar sua faixa de lucro se intensificam cada vez mais, como podemos observar no projeto do Marco Temporal. Desses ataques, surgem várias resistências históricas, como o Acampamento Pela Vida , com mais de 10 mil indígenas acampados em frente a Esplanada dos Ministérios neste exato momento (27/08/21). Essas resistências, entretanto, transcendem todas as barreiras e se expressam de todas as formas, misturando vários elementos culturais desses setores mais oprimidos.

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O grupo de RAP Brô MC’s, da etnia Guarani Kaiowá, localizada no Mato Grosso do Sul, traz um grito de resistência em seus versos e em suas rimas, narrando o cotidiano e as lutas travadas nas várias esferas da vida: problemas de consumo de álcool e drogas nas aldeias, identidade indígena, a luta pela terra e pelo reconhecimento etc. O grupo é formado por Bruno Veron, Clemersom Batista, Kelvin Peixoto e Charlie Peixoto em 2009. Desde então, gravaram um CD, planejam o segundo e se apresentaram em diferentes partes do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Brasília - inspirando também a criação de outros grupos de rap, como o Xondaro MC’s, de Pyau, no Parque Estadual do Pico do Jaraguá, em São Paulo. Os quatro rappers das aldeias Jaguapirú e Bororó, em suas músicas, mesclam o português com o Guarani.

A situação dos Guarani Kaiowá, assim como de outros povos do Mato Grosso do Sul, é extremamente violenta e expõe a face vil dos interesses latifundiários na região. Um povo que, mesmo após os governos petistas, não teve sua terra demarcada e que, como já mencionado, após o golpe institucional teve ataques cada vez mais profundos. Talvez um dos efeitos mais sintomáticos que expressa esses conflitos é a taxa de suicídios entre os Guarani Kaiowá, que, segundo a ONU, apresenta a maior taxa do mundo entre indígenas. Sua hiper precarização nas cidades de Dourados e Campo Grande, além de outros setores no campo, com relatos de trabalho escravo, só mostra como o capitalismo precisa de uma hiper exploração desses setores mais oprimidos para assegurar seus lucros. Outros exemplos da brutalidade com que esse povo é oprimido foi o esmagamento cometido com um trator por latifundiários contra um Guarani Kaiowá, o incêndio da Casa de Reza de Cassiano Romero e o feminicídio e estupro coletivo cometido à uma Guarani Kaiowá de apenas 11 anos de idade neste mês de agosto Mato Grosso do Sul.

Apesar, e justamente por ela, de toda brutal opressão, essa união da cultura negra, o RAP, com a afirmação da identidade indígena, é um exemplo de como o capitalismo traz, junto à sua exploração, a possibilidade de união entre todos os setores oprimidos para a derrocada do mesmo sistema explorador; como diria Marx: “A burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros. Sua queda e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis.”

Esse é o caminho, apontado pelos Brô, que devemos tomar: unificar todas nossas lutas em prol da derrubada do capital!

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