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DESEMPREGO NE | Nordeste lidera recorde de desemprego e com menos de 50% de ocupação em seus estados

A pesquisa do IBGE 2020 revela a maior média de desemprego no país desde 1999, chegando em 13,5%, 13,9 milhões de brasileiros desempregados. As regiões mais atingidas foram norte e nordeste. Em todos os estados do nordeste mais da metade da população não está trabalhando.

quinta-feira 11 de março | Edição do dia

O desemprego que já vinha embalado pela crise econômica mundial ganha impulso ainda maior com a pandemia, atingindo recordes de desemprego e desocupação em 2020. Assim revela a pesquisa do IBGE através do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). Sendo as regiões Norte e Nordeste as mais afetadas.

Segundo a pesquisa, a média nacional de desemprego em 2020 foi de 13,5%, a maior taxa desde 2012. Sendo que 20, dos 26 estados, bateram recorde na suas próprias médias anuais, ficando acima da média nacional. Mas chama atenção especial a região nordeste, que aparece liderando como “campeão do desemprego”, com os três maiores índices ocupados por estados da região e tendo sete dos seus nove estados acima da média nacional de desemprego.

A Bahia, governada por Rui Costa (PT), é o estado com o maior índice, batendo o recorde de 19,8%, praticamente um quinto da sua população ativa desempregada - aqueles que trabalham ou poderiam e gostariam estar trabalhando - seguido por Alagoas (MDB) e Sergipe (PSD).

Os dados são ainda mais alarmantes quando analisado o total da população desocupada, juntando todos aqueles que, por diversos motivos, não são considerados ativos (além de estudantes, donas de casa e aposentados, estão também os que desistiram de procurar emprego, chamados desalentados). Todos os nove estados do nordeste estão com mais da metade da população em situação de desocupação, com Alagoas liderando com 64,1%, seguido pelo Maranhão de Flávio Dino (PCdoB) com 61,9%, sendo este o estado com menor taxa de carteira assinada do país.

A pesquisa do IBGE ainda demonstra como o desemprego afeta em especial os jovens, as mulheres e as pessoas negras. A taxa de desemprego entre os homens foi de 11,9%, enquanto entre as mulheres ela chegou a 16,4%, acima da média nacional. Entre as pessoas autodeclaradas pretas e pardas a taxa foi de 17,2% e 15,8% respectivamente, ambas acima da média nacional. Já entre os brancos a taxa foi de 11,5%. A diferença em número absolutos, tanto para mulheres quanto para a população negra, fica ainda mais gritante se considerarmos que são maioria da população. Estes dados reafirmam o resultado absurdo da pesquisa do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) que já mostrava que o desemprego tem rosto de mulher, onde elas são 99,5% dos mais de 5 mil desempregados no Pernambuco governando por Paulo Câmara (PSB).

Ainda nessa pesquisa do IBGE fica evidente o impacto da pandemia no setor informal. Este grupo, que sempre tende a crescer frente ao desemprego e as demissões, diminuiu, de 41,1% em 2019 para 38,7% em 2020, e isso não é expressão, como já foi contatado, de nenhum aumento de carteiras assinadas, pelo contrário. Ou seja, aqueles que antes estavam em subempregos, e condições de extrema precariedade, se virando como autônomos no ramo informal, agora estão em completo desolamento. E nesse quesito vemos mais uma vez o nordeste ocupando o primeiro lugar. Segundo a pesquisa, o maior número de pessoas nesta condição em 2020 é na Bahia, com 813 mil desalentados, o que corresponde a 14% de todo o contingente em desalento no país.

O nordeste sempre foi uma das regiões mais precárias do Brasil, liderando os rankings negativos das pesquisas sócio-econômicas. Porém o que vemos nessa pesquisa é o reflexo de um aprofundamento ainda mais grave dessa condição, devido a política negacionista de Bolsonaro, mas também da proteção aos capitalistas em primeiro lugar dos governadores, da mídia e todos os outros atores políticos, das câmaras ao STF.

É o reflexo de uma população que foi espremida entre a morte o desemprego, enquanto os grandes empresários demitem livremente para proteger seus lucros com aval de todos os governos, sejam eles dirigidos pelo PSB, MDB, PSDB e até mesmo nos de PT e PSB.

Bolsonaro jogou a população a própria morte, negando a existência da pandemia, e os governadores, junto a Globo e a grande mídia, se contentam em dizer “fique em casa” e espere o bom humor dos grandes monopólios farmacêuticos oferecerem a vacina. Enquanto isso a população segue aglomerada nos ônibus, metrôs e trens metropolitanos, lotados, para chegar ao local de trabalho e serem demitidos. Já para os grandes empresários, não faltou subsídios e incentivos para proteger e, até mesmo, aumentar seus lucros durante a pandemia, e ainda assim as demissões vieram em massa, incontestáveis, pelos governadores, pelo STF, pelo PT e pelas centrais sindicais, nos deixando neste cenário, que não tende a melhorar com a segunda onda da pandemia batendo recordes de mortes.




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