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No pico da pandemia em Pernambuco, Paulo Câmara (PSB) autoriza volta à aulas presenciais

Mesmo com Pernambuco seguindo registros que atingem recordes diário de casos do novo coronavírus, em Portaria da Secretaria Estadual da Educação, de 31 de março de 2021, ficou determinado que o estado tenha retorno das atividades pedagógicas.

sexta-feira 2 de abril| Edição do dia

É brutal o despropósito de um governo que, mesmo diante de números que demonstram um total de 12.118 vidas perdidas devido ao novo coronavírus (desde março de 2020), nos 184 municípios pernambucanos, além do arquipélago de Fernando de Noronha, teima em reabrir escolas.

Desde 1º de janeiro, mais de 2 mil pessoas morreram por causa da doença e nas escolas as denúncias apontam para a inconsistência ante os números reais de contaminados entre a comunidade escolar. No que tange à segurança nos ambientes das escolas do estado, os números divulgados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco (Sintepe) dão uma breve ideia do que é ser vulnerável diante desta pandemia. Em levantamento realizado em 122 escolas estaduais do Estado, apareceu o número de 480 casos positivos de Covid-19 entre os profissionais da educação e alunos, com dados que consideram o período entre 23 de fevereiro e 15 de março de 2021, e que demonstram que das 132 escolas pernambucanas visitadas, 122 registraram algum caso da doença. Dados que estão longe de serem um retrato da condição a que estão submetidos os professores e professoras de Pernambuco, uma vez que pode ser muito pior, já que só a Rede Estadual de Ensino possui 1.060 escolas, distribuídas por todos os municípios de Pernambuco e atende aproximadamente 580 mil estudantes.
As denúncias de quem vive a realidade de ser professor em meio ao risco e ao medo dão conta de salas lotadas de estudantes, pouquíssimo distanciamento, casos de contágios entre profissionais de educação e alunos, com relaxamento de medias de distanciamento e higiene, além de professores obrigados a lecionarem de forma presencial, mesmo com sintomas e até mesmo comprovadamente infectados pelo coronavírus.

Como falar em “volta às aulas gradual e segura” quando, em números totais, em 3 meses, Pernambuco teve mais de 2 mil falecimentos? Desde o dia 1º de janeiro até a terça-feira, dia 30, o estado ultrapassou a marca de 2 mil óbitos por causa da Covid-19. Foram 2.005, de acordo com os dados da própria Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (SEPLAG). Impor uma volta às aulas, sem levar em consideração as condições de vida da população em geral, dos trabalhadores em educação é (além de ser uma clara demonstração de rendição ante a pressão dos empresários do setor privados da educação no estado) desumano! Por isso, a volta às aulas precisa ser uma decisão da própria comunidade escolar: pais, professores e profissionais de saúde que, organizados em comitês de prevenção sanitária nas escolas, determinem como e quando o ambiente escolar é realmente seguro.

E, mesmo diante da quarentena absurda de Paulo câmara, o que mudou? Mudou que, a partir do dia 5 de abril, ainda que diante de um cenário de 96% de leitos de UTI ocupados e enfermarias a 83% de sua superlotação, escolas poderão funcionar. Tudo “justificado” pelo discurso de que “a segurança está garantida”, já que a reabertura acontecerá aos pouco: dia 5 retornam as escolas particulares; a rede estadual volta a partir de 19 de abril e as escolas das redes municipais poderão voltar a ter aulas presenciais a partir de 26 de abril, com definição de calendário de acordo com cada prefeitura. É a mesma estratégia do ano passado, com uma “retomada gradual e escalonada”, com o governo que anuncia que seguirá um protocolo que tem como um dos eixos o monitoramento e a comunicação de casos de contaminação. O que não se constitui real, uma vez que, em pronunciamento virtual, nesta quarta-feira, 31 de março, o secretário de Educação, Marcelo Barros, não soube responder quantos profissionais e estudantes tiveram diagnóstico positivo para Sars-CoV-2 em um ano de pandemia. Trata-se da sanha capitalista que não permite dizer o obvio: Não é possível reabrir nenhuma escola em um momento tão crítico desta pandemia! Essa decisão, quando e como retornar, deve ser da comunidade escolar.

Só os registros das últimas 24h totaliza o número de 74 óbitos registrados, nesses, as mulheres foram as maiores vítimas fatais da covid-19 no estado: 41 mulheres e 33 homens. Só para lembrar um dado importante, quando se analisa o universo da educação, estamos falando de uma categoria também essencialmente feminina. Enquanto isso, na educação, para se falar do mínimo, também não há um levantamento confiável dos trabalhadores com comorbidades.

Mas, afinal, o que esperar de um governo que se orgulha por “administra” a educação através de gestão por metas? São sempre as melhores posições nos rankings nacionais as almejadas, os números a serem atingidos... Quanto à vida? Essa claramente não se constitui a preocupação desse governo, que enquanto assina demagogicamente oficio conjunto com outros governadores do chamado Consórcio Nordeste solicitando que profissionais da educação (e segurança) entrem no grupo de prioritário no Plano Nacional de Imunização, opta por reabrir escolas mesmo no auge da pandemia no estado. É desumano que os trabalhadores da educação sejam encurralados entre o risco e a necessidade. É um despautério que o sindicato mantenha-se paralisação foi aprovada pela categoria depois que o Governo do Estado liberou o retorno das aulas presenciais no ensino médio a partir do dia 6 de outubro.

O retorno inseguro das aulas presenciais significa aprofundar cada vez mais os riscos de contaminação para toda a comunidade escolar. E não virá do gabinete do governador nenhuma ação que demonstre preocupação com as vidas envolvidas nesse processo. Por isso, mais que nunca, é preciso sair da passividade, pressionar o sindicato a organizar um plano de lutas que defenda a vida daqueles e daquelas que fazem a educação em Pernambuco.




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