Mundo Operário

PRIVATIZAÇÃO

No dia da revoltante marca de 300 mil mortos, Bolsonaro entregou toda Petrobras da Bahia

Enquanto o país se entristecia e se revoltava com mais uma triste marca na pandemia um ataque histórico passava na surdina: a segunda maior refinaria do país e todos os ativos da Bahia associados à RLAM foram entregues a preço de banana a um bilionário fundo de xeiques árabes.

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

quinta-feira 25 de março| Edição do dia

Foto: Sérgio Lima

A triste e revoltante marca na pandemia alcançada ontem é produzida pelo descaso criminoso não somente de Bolsonaro, mas também de governadores e empresários, inclusive os gestores da Petrobras que realizam operações que geram aglomerações desnecessárias como as “paradas de manutenção” e que foram responsáveis por surtos de contaminação por Covid em diversas unidades, inclusive a óbitos. O ataque privatista em curso a Petrobras tem a digital de Bolsonaro, Paulo Guedes e dos militares, mas tal como na pandemia tem a cumplicidade e ajuda de todo um reacionário regime político erguido no país que vai além deles.

Se na pandemia Bolsonaro posa para foto com Fux do STF e os presidentes da Câmara e do Senado, na destruição das riquezas do país a mesma foto caberia. A Petrobras está sendo destruída por meio de uma artimanha legal que envolve o bolsonarismo, os militares, o STF e o Congresso. O STF autorizou a venda de “parcelas” da Petrobras sem licitação, sem negociações públicas e sem sequer votação no Congresso. Os presidentes da Câmara e do Senado, o tucanato, o DEM, o MDB, o centrão, não só não protestou como aplaudiu a medida. A Globo idem. Juntaram-se na empreitada o CADE – órgão de defesa do consumidor – cuja cúpula é ocupada por militares indicados por Bolsonaro, que “exigiu” que a Petrobras privatizasse as refinarias para “quebrar o monopólio”, mas na verdade para criar monopólios privados. Feito isso, o conselho de administração, com privatistas de todas cores (incluindo o verde-oliva e o azul-marinho) aprovou uma venda criminosa, por metade do valor só da refinaria mas que leva como bônus 4 terminais e quase 700km de oleodutos que nem entraram na conta do preço.

Essa absurda situação de destruição das riquezas nacionais, colocando empregos, direitos e conhecimentos em risco, acontece em meio a diversas mobilizações isoladas feitas pelos petroleiros em diversas unidades, inclusive a Bahia. As mobilizações na Bahia, a greve de 1 dia em Minas Gerais contra os riscos sanitários da “parada de manutenção” (e outras reivindicações), e diversas mobilizações em outras unidades mostram a disposição de luta da categoria. No entanto essa disposição esta sendo conduzida pela direção da Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT) a uma derrota diante de um ataque imenso que não pode ser enfrentado dessa forma dispersa e inconsequente.

O motivo de fundo da política da FUP, que em algumas localidades nem assembleias construiu diante do ataque histórico à empresa e crescentes riscos da pandemia nas unidades, deve-se a orientação dada pelo PT, que primeiro elogiou a intervenção de Bolsonaro na empresa e entoou loas ao general como se fosse nacionalista, e depois tentou incutir uma esperança que o discurso de Lula sobre não privatizar a Petrobras lá no longínquo ano de 2023 (caso ganhe as eleições de 2022) já implicava em uma vitória. Ou seja, pouco precisaria ser feito agora. A intenção do PT é mostrar aos trabalhadores que são contra as privatizações mas ao mesmo tempo não assustar a Globo, Bovespa, Lira, que não colocarão em risco nenhuma das medidas do golpismo. É assim que chegamos numa situação como a venda de praticamente todas as unidades da Bahia sem uma greve nacional, sem uma verdadeira batalha, apesar da disposição de luta dos trabalhadores.

Juridicamente a situação da RLAM, Temadre, Itabuna, Jequié e Candeias ainda não foi definida, e menos ainda ela está definida do ponto de vista da luta de classes. O enfrentamento à privatização na Bahia, na PBIO, na SIX, na REGAP, REPAR, REFAP, REMAN, RNEST, etc ainda é possível. Bem como é possível e necessário garantir que sejam os trabalhadores a determinar o que e como funcionar em cada unidade operacional, como e com qual frequência ocorrerão testes, para minimizar riscos de contágio do coronavírus também se coloca como uma necessidade e possibilidade para a categoria. Defendemos que os sindicatos e a parte operária das CIPAs construam “comissões de segurança sanitária e operacional” que possam refletir sobre essa situação bem como organizar a luta da categoria.

Há disposição de luta na categoria como vemos em diversas mobilizações parciais, é preciso garantir que ocorram assembleias onde não estão ocorrendo e nelas lutar para construção de um comando nacional da categoria, unificando cada base, sindicato e federação para realizar uma forte luta nacional, única maneira consequente de se enfrentar com o descalabro pandêmico e privatista.

A Frente Nacional dos Petroleiros (FNP), à esquerda da FUP, deveria cumprir um papel essencial nesta unidade, construindo comandos e unificação de suas unidades que sirvam de polo para fortalecer os trabalhadores em bases da FUP a superar a orientação de suas direções sindicais e políticas que só nos tem levado a derrotas. A partir de uma unificação da categoria poderíamos enfrentar seriamente os ataques e organizações à esquerda do PT, como os movimentos sindicais e sociais na CSP-Conlutas e os parlamentares e figuras políticas do PSOL deveriam exigir da CUT, CTB e outras centrais sindicais que rompessem sua paralisia e adotassem medidas enérgicas contra todos governos na pandemia e contra as privatizações.




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