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Barbárie capitalista | No Recife de João Campos e do PSB, morremos afogados em terra firme

Ano após ano as chuvas colocam Recife inteiro debaixo da água. Todos sabem que as alterações climáticas, fruto da degradação do meio ambiente, estão aumentando a intensidade dos fenômenos naturais. A tragédia de Pernambuco neste ano já estava anunciada. Era só uma questão de “quando”.

quarta-feira 1º de junho | 15:41

Há exatamente um ano atrás duas pessoas morreram em um desabamento em Jaboatão e foram registrados mais de 39 deslizamentos no estado e centenas de desabrigados. Nessa época, com esses números, já era possível ouvir desabafos de indignação, perguntando “até quando?”.

Um ano depois, graças à conivência de João Campos, prefeito de Recife, e Paulo Câmara, governador de Pernambuco, ambos do PSB, o evitável se tornou inevitável. As dezenas de mortes anuais devido a enchentes e deslizamentos se tornaram centenas. Já são mais de 100 mortes e pelo menos 6.198 desabrigados. E os números ainda estão aumentando.

Mas nos últimos dias João Campos se fez de surpreso pelas redes sociais, hipocritamente falando de salvar vidas. Mas ele é, assim como o governador Paulo Câmara, cúmplice das mortes e da tragédia que atingiu Pernambuco. Mortes que poderiam ter sido evitadas. Famílias que perderam tudo que já não tinham.

Publicamente, Paulo Câmara prometeu destinar R$100 milhões em recursos para remediar os efeitos da catástrofe. Por que não foi utilizado antes esse recurso para evitar a tragédia? Para oferecer moradia segura longe dos locais de risco? Para construir sistemas de drenagem nas cidades? Quantos poderiam ter sido salvos?

João Campos por sua vez, não somente não fez nada para mudar a situação de risco que causou a catástrofe na cidade, mas realizou um corte do mesmo valor, R$100 milhões, do orçamento do Recife nos investimentos públicos em um ajuste fiscal quando iniciou seu governo. Ou seja, não apenas não investiu este recurso anteriormente, como na realidade retirou esse recurso do investimento público.

Enquanto as pessoas se arriscam em moradias precárias, Recife está repleto de canteiros de obras paradas e prédios abandonados que poderiam ser aproveitados. Mas o compromisso do PSB é com as empreiteiras da construção civil e com a especulação imobiliária, que ganham rios de dinheiro na cidade que tem o metro quadrado mais caro do Brasil, expulsando os cada vez mais pobres para cada vez mais longe nas periferias. Antes das chuvas Recife já possuía um déficit habitacional de 71.160 moradias e apenas 30,8% das casas têm serviço de esgoto.

Recife recentemente também se tornou referência como a “cidade mais inteligente do Nordeste”, junto com o título de capital com maior desigualdade socioeconômica do país. De um lado tecnologia de ponta, Jeep Goiana, a fábrica mais moderna da américa latina, Porto Digital, garantindo tecnologia para 100% do celulares em território nacional. Do outro lado, encostas e barrancos repletos de casas prestes a desmoronar, rios transbordando e engolindo casas e palafitas, trabalhadores que migram da zonas rurais, fugindo da extrema exploração sazonal da cana, rumam para os centros urbanos em busca de emprego e uma vida mais digna. Essa é a “inteligência” do projeto político do PSB. Governar sob miséria para maximizar os lucros.

Unir o mais alto da tecnologia mundial com o mais precário da realidade brasileira. Como dizem os magnatas empreendedores, um “case de sucesso”, que neste ano custou a vida de centenas de pessoas. Milhares de trabalhadores perderam tudo, para que algumas dezenas de burgueses pernambucanos e internacionais pudessem seguir ganhando tudo. Esse é o compromisso político de João Campos.

No Recife do PSB a população trabalhadora morre afogada em terra, firme com as enchentes no bairro do Ibura, ou então soterrada por suas próprias casas no deslizamento de Jardim Monte Verde. Enquanto isso, a oligarquia Recifense assiste a tudo do alto das coberturas dos prédios de Casa Forte e Boa viagem.




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