Mundo Operário

GREVE NO ESPÍRITO SANTO

No 8 de março, forte paralisação de rodoviários para Grande Vitória com mulheres à frente

Na manhã deste 8 de março, dia Internacional da Mulher, as mulheres tomam a linha de frente na paralisação dos transportes coletivos da Grande Vitória protestando o retorno dos cobradores, que estão sem trabalho desde 2020 com a suspensão da função nos ônibus.

segunda-feira 8 de março| Edição do dia

Imagem: Divulgação/Sindirodoviários

Os rodoviários bloquearam as garagens das empresas de ônibus que operam os sistemas Transcol e municipal de Vitória na manha desta segunda (8). A paralisação é em protesto ao retorno dos cobradores aos ônibus, que foram suspensos da função no transporte coletivo desde maio de 2020. Os motoristas também aderiram ao movimento, já que estão cumprindo dupla função e, sem o auxílio dos cobradores, eles ficam sobrecarregados.

“É uma manifestação reivindicando a volta dos cobradores. Se os cobradores voltarem para seus postos de trabalho, os ônibus circulam normalmente. Queremos voltar a trabalhar. A paralisação vai continuar até essa situação se resolver”, afirmou um cobrador do coletivo.

O representante sindical Marcos Moreira disse em entrevista à TV Gazeta que a categoria iria manter a paralisação até a volta dos cobradores ser liberada. “Estão alegando que só o cobrador pode transmitir o vírus. Shoppings, comércios e até casas de show estão aceitando dinheiro como forma de pagamento”, alegou o sindicalista.

Mesmo o governo afirmando que esse afastamento é uma medida para evitar a contaminação por Covid19, sabemos que isso ocasionará numa demissão em massa, nesse cenário de pleno desemprego em alta, enquanto a juventude se arrisca na correria do cotidiano sem direito a trabalhos dignos e à uma educação de qualidade.

Os 4 mil trabalhadores que estão nessa situação temem a demissão, porque o acordo seria os cobradores retornarem às atividades hoje, porém não foi o que aconteceu. O novo prazo para o retorno dado pelas empresas está marcado para o dia 28 de março. "Estão afastados desde o ano passado, recebendo para ficar em casa. A gente nunca viu empresa dar nada de graça. Aí tem! Querem mandar todo mundo embora", afirma o diretor do Sindirodoviários, Valdecy Dulcilina.

No dia de hoje, dia Internacional da Mulher, também vemos as mulheres na linha de frente desse bloqueio. Neste 8 de março, nós da Juventude Faísca e do grupo de mulheres Pão e Rosas, nos inspiramos na força daquelas que estão na linha de frente para apontar um caminho que possa fazer com que sejam os capitalistas que paguem pela crise. É essa força das mulheres, unidas ao conjunto da classe trabalhadora e dos setores oprimidos, que pode responder a esse regime e enfrentar todos os ataques que vêm sendo impostos.

Essa situação demonstra o quão é necessário que todo o transporte coletivo seja estatizado e que o controle esteja nas mãos dos trabalhadores dessas empresas e seus usuários, que são as massas operárias, que necessitam de mobilidade urbana acessível e de qualidade.

A secretária de mobilidade e infraestrutura soltou uma declaração buscando colocar pressão sob os trabalhadores colocando a greve como ilegal, mesmo sem qualquer aval da justiça. De forma cínica, os empresários do consórcio GVBus, responsáveis pela situação de penúria dos cobradores também atacaram o movimento, dizendo que é um movimento "sem justificativa" e "insensível":

"O GVBus lamenta a postura do Sindirodoviários, que mais uma vez pega toda a população de surpresa, com uma paralisação sem justificativa, desobedecendo ao decreto estadual de calamidade pública, e se mostrando insensível no pior momento da pandemia".

Mais uma vez a crise é descarregada nas costas dos trabalhadores. As nossas vidas valem mais que os lucros deles! Todo apoio à greve e paralisação dos rodoviários.




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