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POLÍTICA NACIONAL | No 3J marchar separados da direita e sem confiar na saída eleitoral, queremos greve geral!

Nesta semana vimos a entrega do superpedido de Impeachment, na qual os partidos de esquerda PSOL, PSTU, UP e PCB estavam de mãos dadas com figuras grotescas da direita como Joice Hasselmann, Alexandre Frota (PSDB) e Kim Kataguiri (MBL), golpistas que até pouco tempo estavam com Bolsonaro. Nossa saída não virá dessa nefasta unificação.

sexta-feira 2 de julho | Edição do dia

Quem não lembra do ano de 2018 e dos inúmeros espetáculos de horrores da extrema direita? Naquele ano Frota e Hasselmann estavam no mesmo partido que Bolsonaro, PSL, e estavam 100% alinhados a ele, assim como Kim Kataguiri, que se elegeu deputado federal no mesmo ano pelo direitista DEM de ACM Neto. Será que agora estas figuras reacionárias deram um “giro à esquerda”, o que tornaria possível setores da esquerda se unificarem com eles? Não, a realidade não poderia ser mais distante disso.

O que acontece é que para estas figuras, assim como o PSDB e parte da direita tradicional, o impeachment é uma política interessante, pois faz com que Bolsonaro se desgaste ainda mais, possibilitando que surja um candidato à direita como “3ª via”, ao invés da polarização de Bolsonaro e Lula.

Já para os partidos da esquerda, fazem essa unificação escandalosa porque acreditam que o importante é que Bolsonaro saia de qualquer jeito, mesmo que isso signifique um possível fortalecimento de conjunto do regime, pois o impeachment só é aprovado se houver consentimento da Câmara e do Senado, o que exige uma rearticulação das forças institucionais. Além disso, essa saída não questiona os vários ataques que o governo Bolsonaro vêm aprovando, ataques aplaudidos inclusive por toda a direita que estava lado a lado do PSOL, PSTU, UP e PCB no palanque do superpedido, e também colocaria um general reacionário como Mourão na cadeira da presidência, este que já deu inúmeras declarações racistas e é um apoiador confesso da ditadura militar, ou seja, não é uma que nos colocaria numa melhor situação.

Também vimos declarações bizarras nestes últimos dias, como a do presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, falando que o MBL e PSDB são bem vindos nas manifestações deste sábado. Esta declaração revela o quanto algumas figuras e partidos estão dispostos a ir à direita e a se adaptar a saídas institucionais.

O 29M e o 19J mostraram a disposição de mobilização que existe em setores da juventude e também de trabalhadores, por mais que a CUT e CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB, assim como a UNE, não tenham construído assembleias de base que preparassem dias fortes de mobilização. Ao contrário disso, as centrais sindicais dividiram as pautas, organizando um dia 18 dos trabalhadores separado do dia 19. As centrais fazem isso porque atuam como correia de transmissão da política do PT, que aposta no eleitoralismo, querendo eleger Lula em 2022 ao invés de apostar na derrubada de Bolsonaro pelas ruas e pela mobilização.

Estaremos nas ruas nesse dia 3J, assim como estivemos em todas as manifestações contra Bolsonaro, mas não aceitamos marchar lado a lado da direita que ontem estava de mãos dadas com o governo, e hoje continua a defender pautas de ataque às condições de vida e condições de trabalho da maioria da população. Queremos PSDB, MBL, Frota e Hasselmann fora da nossa mobilização, nossos interesses não confluem.

Ao invés de apostar no impeachment, e chegar ao absurdo de ser simpático com a direita, chamando-os para marchar conosco, as organizações de esquerda deveriam exigir das centrais sindicais e da UNE que convoquem assembleias em cada local de trabalho e estudo, unificando ao redor de um Comitê Nacional que construa essa greve geral. Uma greve geral será um grande passo para a auto-organização de trabalhadores, juventude e os setores mais oprimidos como mulheres, LGBTQIA+, [email protected] e indígenas. Através desse métodos históricos da classe trabalhadora, poderemos construir a verdadeira força que pode revogar todas as reformas, acabar com as privatizações, por fim aos ataques que precarizam as nossas vidas e destroem nossos direitos, derrubando Bolsonaro, Mourão e todos os golpistas.




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