29 DE MAIO

No 29 de maio vamos às ruas também contra o racismo e por justiça para Jacarezinho

Novos ares de mobilização estão presentes no Brasil do bolsonarismo e do regime podre que nasceu do golpe institucional. Neste 29 de maio, pela primeira vez no ano, estão sendo convocadas manifestações nacionais. Por que nossa luta contra Bolsonaro, Mourão, todo o regime do golpe e seus ataques econômicos também precisa levantar a bandeira anti racista por justiça para os assassinados pela polícia na chacina do Jacarezinho?

quinta-feira 27 de maio| Edição do dia

O que a maior chacina da história do Rio de Janeiro tem a ver com os ataques ao orçamento das Universidades Federais, com a reforma administrativa, com o avanço na política de privatização das estatais e com o desastre sanitário organizado pelo governo? Tudo. E a vanguarda que se organiza para ir às ruas neste dia 29 precisa ter clareza disso para que este dia não seja apenas um golpe de efeito, servindo puramente para fins eleitorais rumo a 2022, como pretendem as direções majoritárias do movimento, mas sim o pontapé para a retomada do caminho da mobilização como única saída realista para os trabalhadores.

Primeiro, olhemos para o cenário específico do Rio de Janeiro. Na mesma semana da chacina que assassinou 28 jovens no Jacarezinho, entrando para a história como a maior da história do RJ, cuja polícia assassina sistematicamente a juventude negra, ocorreu um encontro entre Bolsonaro e Claudio Castro, atual governador do Estado que veio se alinhando totalmente ao bolsonarismo em troca de apoio para as eleições de 2022. Castro quer ser eleito com o apoio ativo da base bolsonarista carioca, das milícias, das cúpulas evangélicas e para isso mostrou estar disposto a sujar as mãos de sangue e “mostrar serviço” a esses setores. Dias antes ainda, o leilão da CEDAE também foi um episódio ilustrativo de como o governo do Estado está disposto a passar por cima de qualquer oposição institucional para satisfazer os desejos do governo federal, que no caso das privatizações não se difere em nada dos interesses de todos os que fazem oposição de ocasião, mas estão juntos para descarregar a crise econômica nas costas dos trabalhadores.

É necessário dizer com todas as letras que os ataques às universidades e funcionalismo público e a brutalidade policial que quer sufocar o grito de revolta da juventude não estão separadas em dois mundos diferentes. O regime do golpe que aplica cortes na educação, reforma administrativa e privatizações e a polícia assassina autorizada e legitimada por Bolsonaro e pelo governo de Cláudio Castro, acontecem no mesmo Brasil e representam o mesmo projeto. O que desejam para as universidades é a imposição do projeto de educação do golpismo: universidades reservadas para uma elite intelectual e mais restritas aos filhos da classe trabalhadora. O que pretendem atacando o funcionalismo público é desmoralizar os trabalhadores com mais direitos para rebaixar as aspirações de todos. E para a juventude negra, querem impor um futuro carregando os lucros capitalistas em bags de empresas milionárias nas costas e com os tiros da polícia ao chegar em casa.

Bolsonaro, Mourão e todo regime golpista são responsáveis por cada lágrima dessas mães que perderam seus filhos e pelo banho de sangue que as polícias promovem. Reprimem e assassinam a população negra e os trabalhadores porque querem sufocar nosso grito de revolta, mas não apagam nossa história rica de rebeldia, de levantes e revoltas que fizeram tremer a burguesia racista e colocaram abaixo o sistema escravista. Por isso, a unidade entre juventude em defesa da educação pública e trabalhadores por seus direitos é tão mais potente se estiver vinculada à exigência inegociável por justiça para os assassinatos policiais no Jacarezinho, por Marielle e em tantos outros, como aponta Carolina Cacau em declaração recente ao Esquerda Diário:

“Precisamos nos organizar, unindo movimento negro e de favelas com o conjunto dos trabalhadores, exigindo que as direções burocráticas do movimento operário e estudantil saiam da paralisia para organizar nossa luta pelo fim dos “autos de resistência” e punição aos policiais e mandantes, pelo fim dos tribunais militares, pelo fim dos privilégios dos juízes e que todo juiz ganhe igual a um professor e sejam eleitos pelo povo, e pelo fim de todas as tropas especiais como o CORE, BOPE, a Tática e a Força Nacional, que são criadas para massacrar o povo pobre e as lutas. Pelo fim das operações policiais e que todas as famílias despedaçadas pela violência do estado sejam indenizadas.

O único caminho para obrigar que o Estado realmente investigue e puna os culpados é a mobilização. Por isso precisamos, ao mesmo tempo, seguir exigindo investigação e punição ao Estado, mas sem deixar que somente este Estado, que tem seus vínculos com a chacina, controle os rumos das investigações. Nossa mobilização tem que impor ao Estado que garanta recursos e todas as condições para a realização de uma investigação independente, disponibilizando materiais, arquivos para organismos de direitos humanos, peritos especialistas comprometidos com a causa, representantes de organismos de direitos humanos, de sindicatos, de movimentos de favelas, etc, para que sejam parte da investigação.”

É nesse sentido que vamos às ruas neste 29 de maio, pela unidade das bandeiras dos trabalhadores, juventude e oprimidos, nossa unidade é muito mais forte contra Bolsonaro, Mourão, todos os militares e golpistas desse regime.




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