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Racismo policial | Neste 20N reforçamos: a polícia que de cada 5 assassinatos, mata 4 negros é nossa inimiga

Os retratos do racismo estão expostos em toda parte. Na fome que move as pessoas a buscar alimento nas filas de ossos, nas situações degradantes de moradia e saneamento de milhões, na maioria negra de mortes pela Covid e na sua face mais escancarada, a violência que arranca a vida da juventude, especialmente negra.

sábado 20 de novembro | Edição do dia

Foto: Rovena Rosa/ABr

Esses retratos se reforçam nos dados, que não são novos, mas insistentes. Pesquisa de São Paulo, do Monitor da Violência mostra que em 2020 no Brasil 78% dos mortos pela polícia eram negros. O número refere-se às vítimas das polícias militar e civil e significa que quase quatro a cada cinco pessoas mortas pelas polícias em 2020 eram pretas ou pardas.

Em Minas Gerais, quase 7 em cada 10 mortos ou feridos em abordagens realizadas pela polícia entre 2013 e 2018 são negros, segundo levantamento da Fundação João Pinheiro e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Leia o editorial: Contra Bolsonaro, Mourão, a fome, a precarização e as chacinas, faremos Palmares de novo!

Isso tudo, mesmo diante de outro problema sobre a atuação das forças de segurança: a falta de transparência das informações: 11 estados brasileiros não divulgaram dados sobre raça das pessoas mortas pelas corporações.

É impossível esconder o racismo nesse país. Por mais insistentes e absurdas que sejam as argumentações da extrema direita que busca um caminho de negação do racismo, ao mesmo tempo que o pratica em palavras e ações, a identidade negra, que nos últimos anos vem se expressando com muita força, acompanhada de processos de luta tão profundos como o #BlackLivesMatter, invadiu as casas e ruas e fortalece o impulso de luta antirracista.

O racismo, como elemento estruturante da lógica policial neste país, é umas das sórdidas heranças da escravidão. A abordagem policial que mata 4 negros a cada 5 dos que assassinam, foi aprendida com os capitães do mato dos senhores de engenho, que por 350 anos escravizaram negros africanos para garantir seus lucros e o sistema econômico capitalista, então nascente.

Mas justamente, assim como na época de Palmares, que senhores de engenho e governos perdiam o sono com o potencial de organização e fúria da população negra que construía seus quilombos, hoje, a violência que assassina a juventude negra também serve como ferramenta de contenção contra tanta revolta acumulada ao longo da história e a cada dia miserável sob o governo dessa extrema direita racista de Bolsonaro e Mourão.

Assim como o capitalismo precisou da escravidão para se estabelecer como sistema econômico dominante, hoje ele segue alimentando o racismo para dividir ainda mais nossa classe, explorar mais nosso trabalho, pagando muito menos aos negros e especialmente às mulheres negras. Neste tabuleiro, a polícia representa aquele mesmo capataz que tenta manter o controle pelo medo.

20N

Por isso a luta antirracista, para ser consequente, precisa ser profundamente anticapitalista e enfrentar a polícia como o inimigo capataz que é, sem nenhuma confiança em alguma reforma dessa instituição podre. Chega de chacinas, fila do osso e precarização para as massas negras e toda a população trabalhadora, contra qualquer tentativa de divisão da nossa classe, que unida é muito mais forte. É na luta de classes, nas ruas, locais de trabalho ou estudo que nossa força pode se fazer sentir contra a extrema-direita, mas também todo o regime podre do golpe institucional e sua polícia.




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