Gênero e sexualidade

28S: CARTA AO PSOL

Nessas eleições façamos uma grande campanha pelo direito ao aborto e anulação das reformas

Como parte da construção do dia 28 de setembro, dia Latino Americano e Caribenho pela legalização do direito ao aborto, as pré-candidatas do MRT e algumas das referentes nacionais do grupo de mulheres Pão e Rosas, fazem um chamado ao PSOL, PSTU, demais organizações de esquerda, sindicatos, entidades estudantis e movimento de mulheres para construir fortes atos regionais nesse 28S e uma grande campanha nessas eleições em defesa do direito ao aborto legal e pela anulação de todas as reformas de Bolsonaro, dos golpistas e empresários.

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

quinta-feira 24 de setembro| Edição do dia

Dia 28 de setembro é o dia Latino Americano e Caribenho pela legalização do aborto. Em todo mundo milhares de mulheres morrem todos os anos por abortos inseguros e clandestinos. A América Latina segue sendo uma das regiões onde as leis contra o aborto são extremamente restritivas. No Brasil, segundo o próprio Ministério da Saúde, o número de mulheres que recorrem a abortos clandestinos chega a quase 1 milhão. A clandestinidade leva a morte, mutilações e múltiplas sequelas psicológicas. E as maiores vítimas são as mulheres trabalhadoras, pobres e negras, de cada 4 mulheres mortas por abortos clandestinos, 3 são negras. A pandemia e a crise capitalista vem agravando essa situação.

No Brasil de Bolsonaro e do golpe institucional, os fundamentalistas da bancada evangélica se sentem à vontade para dar isenção as dívidas das igrejas, contando inclusive com votos do PCdoB e do PT, enquanto tentam impedir que uma menina de 10 anos realize um aborto depois de ser vítima de estupro. Se apoiando nesse setor Bolsonaro lançou uma portaria que avança ainda mais contra o direito ao aborto, ao impor as mulheres vítimas de estupro a custódia policial caso recorram ao aborto legal. Esse governo reacionário e misógino, fruto do golpe institucional, também conta com várias instituições como o STF e o congresso nacional, para atacar a luta dos trabalhadores com suas reformas, que afetam sobretudo as mulheres, a maioria da nossa classe. Sem direito a creche e licença maternidade, com o peso da dupla jornada, para muitas só resta recorrer a um aborto clandestino. Nos negam não só nosso direito ao corpo, mas também a maternidade plena. 

Essas são as primeiras eleições no governo Bolsonaro e o que está em jogo é qual o nível de ataques o governo, os militares e os empresários vão conseguir descarregar nas nossas costas. Diante de um regime cada vez mais antidemocrático e de todas as instituições que sempre permitiram que as mulheres seguissem morrendo por abortos clandestinos, sabemos que nossa luta não está separada: lutamos pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito, mas também pela revogação imediata de todas as reformas e todo obscurantismo dos setores conservadores expresso através de figuras como Damares Alves. Para isso precisamos confiar apenas nas nossas próprias forças, já que o PT que administrou o capitalismo por 13 anos, não legalizou o aborto quando governou. Ao contrário fortaleceu a bancada evangélica. 

Por isso, fazemos um chamado as pré-candidatas e parlamentares do PSOL, ao PSTU, as organizações de esquerda, sindicatos, entidades estudantis e ao movimento de mulheres para colocarmos de pé uma grande campanha unificada em defesa da vida das mulheres. Não lutamos somente pela descriminalização, mas para garantir o direito ao aborto legal e pela anulação de todas as reformas. Mais do que nunca é preciso levantar que igreja e estado são assuntos separados, defender a educação sexual nas escolas e a distribuição de contraceptivos de forma gratuita. Organizando a força das mulheres para superar as burocracias sindicais, exigindo que os sindicatos e centrais sindicais, como a CUT e a CTB, construam na base essa campanha.

Firmando também um compromisso de que nas campanhas eleitorais, que começam na TV e Rádio na véspera do 28S, colocaremos a defesa do direito ao aborto e a anulação de todas as reformas como parte da nossa luta em defesa da vida das mulheres. Mas também nos colocamos, assim como nossas organizações, na batalha pela construção de fortes atos nesse 28S em todas as cidades, estados e capitais possíveis, mudando o cenário de construção passiva dessa importante data hoje, onde importantes cidades passarão sem nenhum mobilização de rua nesse contexto onde o bolsonarismo se coloca em campanha permanente contra os nosso direitos. Nos apoiemos na tradição das mulheres que sempre tomaram às ruas em defesa de seus direitos e que agora, apesar da pandemia, não darão nenhum passo atrás nessa legitima reivindicação pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito.

Diana Assunção, trabalhadora da USP e integrante da pré-candidatura coletiva da Bancada Revolucionária de Trabalhadores em São Paulo

Letícia Parks, professora e integrante da pré-candidatura coletiva da Bancada Revolucionária de Trabalhadores em São Paulo

Flávia Valle, professora e pré-candidata a vereadora em Contagem

Valeria Muller, estudante e trabalhadora precária, pré-candidata a vereadora em Porto Alegre

Carolina Cacau, professora e militante do grupo de negras e negros Quilombo Vermelho no Rio de Janeiro

Maíra Machado, professora em Santo André e dirigente da Apeoesp pela Oposição

Lívia Tonelli, professora da rede estadual de Campinas

Marie Castañeda, estudante da UFRN e militante da Faísca Revolucionária

Marcello Pablito, trabalhador da USP e integrante da pré-candidatura coletiva da Bancada Revolucionária de Trabalhadores em São Paulo




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