Educação

Nenhuma mãe sem sustento por lutar! Contra o corte de salário de Covas e Padula

As educadoras e educadores do município de São Paulo estão em greve contra a absurda reabertura insegura das escolas por Doria e Covas (PSDB). O prefeito Bruno Covas e seu secretário de educação Fernando Padula atacam o direito de greve das educadoras. Para tentar tirar a possibilidade de ser uma força que pode impulsionar uma organização de luta em cada uma das comunidades em que estão, cortaram o salário de grevistas! Os sindicatos do funcionalismo (SINPEEM, APROFEM, SEDIN, SINDSEP E SINESP) precisam imediatamente organizar um fundo de greve para manter a nossa luta, colocando toda estrutura dos sindicatos a serviço da greve.

quarta-feira 24 de março| Edição do dia

Declaração do Movimento Nossa Classe Educação

Doria e Covas (PSDB) impuseram a reabertura das escolas no estado e na cidade de São Paulo. Uma abertura completamente insegura nesse momento da pandemia, e que os trabalhadores da educação se colocaram contra porque sabiam o que estaria por vir: milhares de contaminações e dezenas de mortes de trabalhadores e, inclusive de alunos das escolas. Por isso, as educadoras e educadores do município estão em greve há mais de 40 dias.

Porém o prefeito Bruno Covas e seu secretário de educação Fernando Padula acabaram de atacar o direito de greve das educadoras. Para tentar tirar a possibilidade de ser uma força que pode impulsionar uma organização de luta em cada uma das comunidades em que estão, cortaram o ponto de grevistas! Ao conferir seus holerites no dia de ontem, muitos foram surpreendidos com o desconto da greve. Houve gente que apontou que receberia apenas 11 reais! 11 reais para passar o mês! Eles estão tirando a comida da mesa de famílias trabalhadoras no meio da pandemia. A greve é um direito constitucional básico dos trabalhadores! O que o PSDB está fazendo no município é ilegal!

Se vivemos o pior momento da pandemia no país e particularmente no estado e na cidade de São Paulo, que batem recorde de mortes todos os dias, com pessoas morrendo na fila por um leito ou um cilindro de oxigênio, isso é culpa de governos como do PSDB de Doria e Covas, do negacionismo de Bolsonaro e de todos os golpistas que colocam todos os dias o lucro de poucos acima das vidas de milhões.

Covas junto com seu secretário da educação, Fernando Padula, que agora roubam o salário de grevistas, roubaram o também o emprego de trabalhadoras. Se não bastasse não garantir a limpeza mínima das escolas, ainda demitiram milhares de trabalhadoras terceirizadas da limpeza às vésperas da reabertura - são inimigos das mulheres da nossa classe! E para encobrir sua política irresponsável, convocaram mulheres e mães para ocupar esses postos vazios nas escolas através de um programa de contratação temporária de 6 meses, fazendo demagogia com algo que seria tão importante para as comunidades, o emprego - pois hoje sofrem com a precarização da vida, o desemprego e a falta de um digno auxílio emergencial - mas oferecendo empregos precários e sem estabilidade, além de expor também essas mulheres e suas famílias à contaminação tendo em vista como as escolas não são seguras, basta ver as centenas de casos de contaminação com a experiência de reabertura.

Mesmo que o recesso escolar tenha sido antecipado, frente ao descontrole total da pandemia, milhares de trabalhadoras terceirizadas da limpeza, mães do POT, trabalhadores de apoio e gestão seguem obrigadas a ir para as escolas para fazer trabalho burocrático. Por isso as educadoras seguem em luta.

As educadoras e educadores lutam por condições sanitárias, testes massivos, pelo direito à vacina e para deixar claro que quem deve decidir quando e como esse retorno deve ser dado é a própria comunidade escolar junto com os trabalhadores da saúde da linha de frente; e não um governo que sabemos que não se importa com as nossas vidas, muito menos com a educação dos nossos filhos e estudantes.

Veja aqui: Um ano de COVID e do fechamento das escolas: dilemas das educadoras no Brasil da pandemia.

Covas e Padula que roubam o salário das grevistas, roubaram o trabalho das terceirizadas, também roubaram o direito à educação dos filhos da nossa classe. Depois de um ano de pandemia não garantiram o acesso ao ensino remoto dos nossos alunos, enquanto nós educadores nos esforçamos ao máximo, com horas exaustivas de trabalho, sofrendo com a dupla, tripla jornada de trabalho para atender a pequena parcela de alunos que tinham internet. Por isso a luta é também por condições de acesso ao ensino remoto. Como os tablets que o mentiroso do Covas prometeu e que até agora nenhum aluno recebeu, além de internet gratuita e de qualidade.

Agora em meio a crise sanitária e econômica, é inaceitável que Covas e Padula lancem mão de medidas autoritárias de assédio, cortando os salários de trabalhadores que lutam pela vida e educação da comunidade escolar.

A greve é um direito constitucional. E a nossa sequer foi judicializada, não podendo ser dada como ilegal pela prefeitura, o que torna ainda mais autoritária essa medida de cortar o ponto dos grevistas. Isso se tornou o modus operandi nos lugares em que o PSDB governa, para impor o recuo dos trabalhadores, como sabem muito bem as educadoras e educadores da rede estadual. Mas frente a concretização desse absurdo, não há mais tempo a perder. Os sindicatos do funcionalismo (SINPEEM, APROFEM, SEDIN, SINDSEP E SINESP) precisam imediatamente organizar um fundo de greve para manter a nossa luta, colocando toda estrutura dos sindicatos a serviço da greve. Não é possível que a burocracia encastelada nos nossos sindicatos repita a greve de 2019, atuando por manobras para desgastar a categoria e nos deixar sem condições para seguir na luta.

Cláudio Fonseca, ilegítimo presidente do SINPEEM, não permite a organização dos educadores em assembleias e não levanta o fundo de greve para que tenhamos condições de luta. Dinheiro para isso, existe. Exemplo mesmo foi a decisão, inclusive sem consultar os filiados, pela compra de vacinas para acelerar a vacinação. O sindicato é dos trabalhadores trabalhadores, assim cabe aos trabalhadores decidir tudo o que é feito com o valor da arrecadação sindical.

Enquanto o PSDB, Bolsonaro e alas do golpe institucional - militares, congresso e STF - avançam contra as nossas vidas, as centrais sindicais, sendo sua maioria dirigidas pelo PT e PCdoB, não rompem com a sua passividade. O direito de greve que está sendo atacado por Covas é um direito de toda a classe trabalhadora. Precisamos efetivar os métodos históricos de luta dos trabalhadores para atacar esse regime podre, por isso CUT e CTB precisam construir uma forte campanha de solidariedade nacional pela greve dos educadores municipais. Assim como impulsionar a luta de todas as categorias que querem se levantar, frente aos inúmeros ataques aos trabalhadores orquestrados até aqui.

A CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) precisa articular uma forte campanha nacional em defesa do direito de greve e contra o corte de salário imposto pelo PSDB, pois essa batalha que é hoje das educadoras de São Paulo certamente será sentida pelos trabalhadores de outros lugares e setores cedo ou tarde. Como os professores do Estado, que também podem ser atacados por Doria da mesma forma com o corte de seus salários. A APEOESP tem que se preparar desde já para isso e se organizar em unidade com os sindicatos do município contra esses cortes.

Não podemos esperar 2022. Enquanto o regime vive fissuras entre suas alas, é a hora de nos levantarmos para que sejam os capitalistas que paguem por essa crise e não as educadoras e tão pouco qualquer outra categoria de nossa classe que já amarga as quase 300.000 mortes fruto dessa pandemia e da crise desse sistema dos patrões e governos. Como as trabalhadoras municipais gritavam na greve de 2019 contra o SAMPAPREV de Covas e Doria:

Nenhuma mãe sem sustento por lutar!!!




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