Educação

COTAS

Nenhum cotista a menos! Todos ao ato contra os desligamentos e pela matrícula integral

O absurdo desligamento de 190 cotistas pelo Interventor Bulhões, que leva à frente a política bolsonarista de aprofundar os ataques aos estudantes e trabalhadores, herança do golpe de 2016, provocou comoção na comunidade universitária.

domingo 6 de junho| Edição do dia

Foto: Alina Souza

Três estudantes de psicologia, duas últimas tendo sido desligadas por Bulhões, elaboraram um abaixo-assinado, impulsionando uma campanha contra os absurdos desligamentos dos cotistas e pela matrícula integral de todos os cotistas. Essa campanha circula fortemente entre a comunidade universitária, conquistando mais de 600 assinaturas em menos de 2 dias, e precisa ser levada adiante também pelo DCE da UFRGS, composto por Juntos, Afronte,UJC, Correnteza e Alicerce, como parte da organização dos estudantes rumo aos atos do dia 19. É necessário convocar assembleias de base para que os estudantes organizem-se para obrigar a reitoria interventora e os órgãos burocráticos da universidade como o CONSUN a matricular de forma integral e imediata todos os cotistas.

Os cotistas nunca tiveram assegurada plenamente a sua permanência nas universidades. Os desligamentos e a constante ameaça de ser expulso da universidade acontece desde 2017, com a criação da matrícula precária, que o DCE da época, gestão do PT e PCdoB, comemorou ao lado do reitor Rui Opperman como se fosse uma conquista.

Com o golpe institucional de 2016, se aprofundam os cortes que já vinham desde o governo Dilma, abrindo espaço para que os capitalistas descarreguem ainda mais a crise nas costas dos estudantes e trabalhadores, aprovando uma série de ataques e aprofundando o projeto de privatização das universidades.

Hoje, Bolsonaro, por meio dos interventores que impôs em diversas universidades e institutos federais, busca consolidar um desmonte dessas instituições, a elitização das universidades e a expulsão dos filhos da classe trabalhadora, avançando no projeto de universidade e de país do golpismo. A UFRGS conta ainda com instâncias administrativas que impõem uma série de exigências absurdas e documentos muito específicos para que os cotistas comprovem seus dados. Essas exigências vão desde pedir imposto de renda de um irmão de 8 anos de idade, pedir documentos de um parente que o aluno não tem sequer contato há anos até impor prazos curtíssimos praticamente impossíveis para o estudante conseguir reunir todos os documentos, principalmente em meio a pandemia.

Isso é prova de que a burocracia universitária coloca uma barreira para impedir que negros, indígenas, pobres e trabalhadores possam acessar a universidade. Também Bulhões, na sua figura de interventor e capacho bolsonarista, não hesita 1 segundo em desligar arbitrariamente dezenas de cotistas, que furaram o filtro social do vestibular para estar na universidade.

Esses desligamentos de cotistas estão ligados com os cortes que Bolsonaro anunciou esse ano na educação, com a situação para os estudantes e trabalhadores ganhando contornos mais dramáticos. Por isso, é necessário construir uma forte mobilização de toda a comunidade universitária, em unidade com os trabalhadores, para barrar os desligamentos dos cotistas, exigindo a matrícula integral de todos os estudantes imediatamente. A luta em defesa das cotas deve ser também contra os cortes e as reformas, pelo Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, sem nenhuma confiança no STF e no Congresso.

Nos somamos ao chamado do DCE ao ato nesta segunda, 07/06, às 10:30, na Reitoria da UFRGS.




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