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Navio encalhado no Canal de Suez afeta o comércio mundial

10% do comércio mundial, equivalente a 9,6 bilhões de dólares por dia, estão retidos por um navio encalhado no Canal de Suez que interrompeu a navegação por lá desde terça-feira. Pelo menos 156 navios estão encalhados.

quinta-feira 25 de março| Edição do dia

A Autoridade do Canal de Suez decidiu nesta quinta-feira suspender temporariamente a navegação enquanto o trabalho de reflutuação no navio porta-contêineres de bandeira panamenha "Ever Given", que encalhou e ficou cruzado no canal anteontem canal seja concluído.

Em nota, a entidade anunciou a suspensão "temporariamente até que sejam concluídas as obras de refloteamento do gigante porta-contêineres", disse seu presidente, almirante Osama Rabie.

O Ever Given, navio da empresa taiwanesa Evergreen com 400 metros de comprimento e capacidade de 224.000 toneladas de carga, ficou atravessado no quilômetro 151 do canal, no trecho sul, devido, segundo a Autoridade do Canal de Suez, a fortes ventos a uma tempestade de areia que dificultava a visibilidade.

Atualmente, cerca de 10% do comércio marítimo mundial passa pelo canal e 25% dos contêineres, com a particularidade de muitos dos navios que o atravessam serem petroleiros, embora por vezes tenham de descarregar o óleo cru e canalizá-lo por oleoduto. Esse volume equivale a cerca de 9,6 bilhões de dólares por dia em mercadorias de todos os tipos.

Pelo menos 156 navios estão parados esperando o trabalho de reflutuação no navio porta-contêineres terminar.

Um total de 48 navios aguardam em Port Said, no Mar Mediterrâneo, enquanto na área do Mar Vermelho existem outros 70 navios; além dos 38 que aguardam no Grande Lago, no ponto intermediário do canal, informou a empresa que oferece serviços em diferentes canais e estreitos do mundo.

Esta decisão vem depois que 13 barcos conseguiram acessar o canal do Mar Mediterrâneo na quarta-feira, que só podem chegar ao Grande Lago, uma vez que a seção sul está bloqueada pelo Ever Given, então eles não conseguiram entrar no Mar Vermelho.

Esses 13 navios "estavam previstos para completar sua passagem pelo canal de acordo com a expectativa de finalização dos procedimentos de reflotação da embarcação", dizia a nota, mas essas obras ainda não foram concluídas e as embarcações aguardam no Grande Lago.

Por sua vez, a empresa de logística e serviços marítimos Gulf Agency Company (GAC), uma das que opera no Canal de Suez, afirmou em comunicado que "não há previsão" de quando o canal estará operando.

O GAC, com sede em Dubai e um escritório de coordenação em Suez, também explicou que a equipe de resgate de oito rebocadores trabalhando desde terça-feira para destravar o Ever Given se juntou a duas dragas na noite de quarta-feira para tentar libertar a quilha, que encalhou em uma das margens do canal.

As autoridades egípcias não revelaram quantos navios foram afetados pelo bloqueio do canal, por onde passaram 18.829 navios em 2020 e por onde passam cerca de 10% das mercadorias mundiais.

A maior parte do petróleo que vem do Golfo Pérsico para a Europa passa pelo canal, assim como o petróleo da Rússia que vai para a Índia, China ou outros países asiáticos. Em menor medida, é também uma rota de transporte entre a costa leste dos Estados Unidos e a Ásia.




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