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Nasce o sindicato do Google após anos de luta

A criação do sindicato Alphabet Workers Union é uma raridade no Silicon Valley, fundado após anos de tentativas por parte dos trabalhadores da Google.

Juan Cruz Ferre

Left Voice, EUA

segunda-feira 4 de janeiro| Edição do dia

Mais de 225 engenheiros da Google e outros trabalhadores formaram um sindicato, segundo revelou o grupo tecnológico nessa segunda, após vários anos de luta numa das maiores empresas do mundo sendo um importante precedente para a organização de sindicatos no Silicon Valley, uma cidade antisindical por excelência.

A criação do sindicato é a ponta de lança incomum para a indústria tecnológica que tem fortes vínculos com a globalização. Durante muito tempo tinha colocado enormes obstáculos para os trabalhadores se organizarem, a maioria de colarinho branco. A fundação do sindicato é produto também das crescentes demandas dos empregados de Google sobra as políticas salariais, assédio e ética, e é provável que aumente as tensões com as patronais.

O novo sindicato, chamado Alphabet Workers Union depois que a empresa central de Google, Alphabet, vinha se organizando secretamente durante a maior parte do ano e elegeu a sua liderança no mês passado. O grupo está filiado ao Communications Workers of America, um sindicato que representa aos trabalhadores das telecomunicações e dos meios de comunicação nos Estados Unidos e Canada.

Mas diferentemente de um sindicato tradicional, que exige que um empregador venha na mesa de negociações para fechar um contrato, o Alphabet Workers Union é um chamado sindicato minoritário que representa uma fração dos mais de 260 mil trabalhadores efetivos e terceirizados da companhia. Os trabalhadores disseram que era principalmente um esforço para dar estrutura e sustentabilidade ao ativismo na Google.

O novo sindicato é o mais claro sinal de que o ativismo entre os trabalhadores tem se espalhado no Silicon Valley nos últimos anos. Enquanto os engenheiros de software e outros trabalhadores tecnológicos mantiveram-se calados no passado sobre questões sociais e políticas, os empregados da Amazon, Salesforçe, Pinterest e outros tem feito mais barulho em assuntos sobre a diversidade, a discriminação salarial e o assédio sexual.

Em nenhuma empresa de tecnologia a voz dos trabalhadores tem sido mais alta do que no Google. Em 2018, mais de 20 mil empregados realizaram uma greve para protestar contra como a empresa lida com o assédio sexual. Outros tem se enfrentado às decisões comerciais que consideravam pouco éticas, como desenvolver inteligência artificial para o Departamento de Defesa e proporcionar tecnologia para Alfandegas e Proteção de Fronteiras dos EUA.

A estrutura também dá ao sindicato a liberdade de incluir os terceirizados da Google, que superam em número aos trabalhadores efetivos e que seriam excluídos de um sindicato tradicional. Alguns empregados da Google tem considerado estabelecer um sindicato minoritário ou solidário durante vários anos, e os motoristas de transporte privado também formaram grupos similares.

Com informações do New York Times.




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