Política

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2020

Nas primeiras eleições pós triunfo de Bolsonaro, veja os partidos que lideram nas maiores cidades do país

domingo 15 de novembro| Edição do dia

As pesquisas mais recentes indicam que PSDB, MDB, PSD e PT podem ficar com a maior porcentagem de prefeitos eleitos em 2020 nas principais cidades do país. Os partidos têm os maiores números de candidatos competitivos no G96, o grupo que reúne as 26 capitais e as 70 cidades com mais de 200 mil eleitores (e nas quais é possível haver 2º turno).

Tendencialmente, os golpistas do Centrão mostram que podem absorver parte considerável da votação da velha direita golpista do PSDB, que vinha liderando o número de prefeituras no G96 (em 2016 sacou 29 prefeitos, e agora disputa apenas 18). Especialmente partidos como DEM, PSD e PP, expoentes do fisiologismo golpista da direita e agora parceiros de governo junto a Bolsonaro, indicam avançar posições nas prefeituras do G96. O PT, que abriu caminho ao golpe institucional aliando-se com esses partidos que hoje são a base do governo Bolsonaro e seus sustentáculo no Congresso, trilham o mesmo caminho que nos fez chegar até aqui para se "recuperar" da erosão de 2016, ano em que não sacaram nenhum prefeito no G96: tem como projeção competir em 12 cidades do grupo com mais de 200 mil eleitores.

O PSDB segue sendo o primeiro da lista. O MDB, que vai perdendo posições a outros partidos do Centrão, é o 2º da lista, tem agora 15 políticos nessa situação. PT e PSD vêm em seguida: cada um pode ter em suas mãos 12 prefeituras. Colocamos abaixo os dados extraídos do DataPoder360.

O Centrão, conjunto de partidos que de uma maneira ou outra sempre se engancham nas posições de governo, controlando os grotões do país e também centros importantes, vem se beneficiando depois de lograr estabelecer um pacto de disciplinamento de Bolsonaro, que quer preservar-se numa situação econômica difícil, estando em apuros depois da prisão de Fabrício Queiroz e precisando do apoio do Congresso (mais ainda depois da derrota eleitoral de seu maior aliado estrangeiro, Donald Trump).

O pacto inclui os desejos mútuos que sempre os ligaram: atacar brutalmente os direitos da classe trabalhadora e do povo pobre. Todas as contrarreformas reacionárias e seus efeitos buscaram ser matizados com o auxílio emergencial em meio à pandemia. Mas dados da FGV indicam que o fim do auxílio emergencial em 2021 colocará imediatamente um terço da população brasileira em situação de pobreza. Contra os efeitos "destituintes" que a péssima situação econômica do país (que pode ter retração de 4.4% do PIB em 2020) poderá colocar Bolsonaro, este se abriga sob as asas de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre para proteger-se. Depois da derrota de Trump, inúmeras investigações contra o clã bolsonarista começaram a reverdecer, o que poderá implicar novas investidas agressivas de Bolsonaro. Os resultados das municipais vão pesar também nessa balança da relação de forças políticas entre os aliados.

As eleições municipais de 2020 ficam marcadas principalmente por serem as primeiras eleições durante o governo Bolsonaro, governo este que foi fruto do golpe de 2016, e que chegou ao poder por via de um pacto com as instituições reacionárias do país, junto com o autoritarismo judiciário, que por meio da operação lava-jato, uma operação anticorrupção que serviu de pano de fundo para prender, sem provas, o principal candidato de oposição à Bolsonaro no ano de 2018, Lula.

Dilma Rousseff do PT, mesmo partido que Lula, foi tirada da presidência por meio de um processo de impeachment escandaloso, usando manobras fiscais usuais (e que hoje, apenas 4 anos depois, foram legalizadas) como escusa para retirar a presidente eleita pela maior parte do povo por meio de um golpe institucional, demonstrando a facilidade com que se desmonta a ilusão de democracia dos burgueses. Um processo que ficou marcado pela ascensão da extrema-direita reacionária, que já vinha se fortalecendo antes mesmo do impeachment, e que escandalizou o país com falas grotescas por parte dos congressistas, como defesa de suas famílias e seus interesses próprios, com um destaque especial para o voto do próprio Jair Bolsonaro (que era deputado na época) homenageando o coronel Carlos Brilhante Ustra, um dos maiores assassinos e torturadores do exército na ditadura militar do Brasil, chefe do DOI-CODI, órgão de repressão do governo militar.

O PT esteve aliado em boa parte de seus governos com os partidos que são base de Bolsonaro, tendo assim sido parte ativa no fortalecimento da extrema direita. Sem resistir seriamente ao golpe institucional que derrubou Dilma, o PT passou todos os últimos anos desmoralizando as massas, desorganizando-as a partir de sua influência nos sindicatos, e se mostrando como fiel administradora dos assuntos capitalistas nos Estados e municípios que dirige, aplicando inclusive a reforma da previdência bolsonarista. Tudo para conseguir um lugar no novo regime pós-golpe, e vislumbrar em 2022 postular-se como administrador da agenda econômica do golpe. Sua conciliação de classe não indica caminho algum para todos aqueles que lutam contra a extrema direita e o golpismo (por isso debatemos neste Esquerda Diário contra as ilusões de administrar cidades no interior o regime do golpe, erro que o PSOL leva em sua orientação nacional).

Para combater a extrema direita e os golpistas, em meio a essas eleições reacionárias, apresentamos as candidaturas do MRT através da Diana Assunção e a Bancada Revolucionária em São Paulo, Valéria Muller em Porto Alegre, e Flavia Valle em Contagem (MG), que se colocam como uma voz para fortalecer uma saída anticapitalista que se enfrente contra Bolsonaro, Mourão e o restante do regime autoritário para barrar todos os ataques em cima dos trabalhadores. Para fortalecer a organização da classe trabalhadora e impor com que os capitalistas paguem pela crise.

Acompanhe as eleições municipais de 2020 pelo Esquerda Diário, com cobertura completa durante toda a jornada.




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