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Não é momento de dividir e sim unificar as datas de luta dos estudantes e trabalhadores

Em meio à situação trágica de crise sanitária, com número de mortes próximo ao de 3 mil por dia, em uma situação na qual 15 estados do país já estão com 90% dos leitos de UTIs ocupados, e ao mesmo tempo o preço dos alimentos sobe enquanto que as famílias dos trabalhadores sofrem com mais desemprego e condições de trabalho cada vez mais precárias, é necessário uma mobilização conjunta dos trabalhadores e estudantes que organize e fortaleça conjuntamente suas lutas.

quinta-feira 18 de março| Edição do dia

A gestão da pandemia feita pelo governo Bolsonaro tem mostrado seus resultados com as quase 300 mil mortes, com o que os especialistas chamam de "maior colapso sanitário da história do país", com a carestia geral das condições de vida e com ataques aos trabalhadores, como a recente PEC Emergencial aprovada recentemente pelo Congresso nacional, que congela salários de professores e profissionais da saúde até 2036 em troca de um auxílio emergencial pífio de R$ 150, que atingirá bem menos pessoas do que o anterior.

Para além do próprio governo Bolsonaro, todos os setores desse regime golpista também são responsáveis pela catástrofe que vivemos, com governadores, STF, senado, câmara e governo unificados quando o assunto são pautas econômicas que atacam a vida da maioria da população, enquanto ao mesmo tempo mantém intactos todos os privilégios dos políticos, juízes e militares do alto escalão.

É neste cenário que a CUT e as grandes centrais convocaram um dia de “‘lockdown’ dos trabalhadores em defesa da vida” para o dia 24. Infelizmente, essa mobilização tão necessária está sendo tratada pelas direções das grandes centrais como um dia no qual os trabalhadores individualmente decidirão se trabalham ou não, com essas direções não organizando nada desde a base das categorias. As principais centrais, CUT e CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB, incorporam com seu chamado o lema do #FiqueEmCasa, não organizando ou dando qualquer alternativa consequente para os trabalhadores que seguem em sua maioria trabalhando presencialmente desde o começo da pandemia.

Leia mais: 3 mil mortos por dia: o que as centrais estão esperando para armar a mobilização do dia 24?

Nesta terça-feira (16), a UNE, que também é dirigida majoritariamente pelo PT e PCdoB, após uma reunião da direção da UNE com a UBES e ANPG, chamou um “Dia Nacional de Mobilização no 30 de Março”, em meio a “agenda de atos da Jornada de Luta da Juventude de 2021”. Porém a entidade nada fala ou faz para organizar os estudantes desde a base, formulando em conjunto um plano efetivo de mobilização, aparecendo somente com atividades realizadas “por cima”, sem expressão de setores que estão de fora dos organismos de direção. Com a diferença no calendário de mobilizações das centrais sindicais e estudantis, fica explícito que o PT e o PCdoB têm interesse em separar a luta dos estudantes da dos trabalhadores, e consequentemente enfraquecendo ambas com essa divisão.

Neste momento mais do que nunca é necessário a unidade da luta da juventude com os trabalhadores. Muitos dos jovens em universidades têm sofrido, para além da pandemia, com o tratamento excludente de suas respectivas reitorias, que ligadas aos interesses privatistas dos seus governos (particularmente em SP, aos interesses tucanos) não dão a mínima para os estudantes pobres, que são em sua maioria negros, com auxílios estudantis insuficientes, moradias estudantis precárias, alimentação indevida, entre outros.

Muitos desses jovens, assim como a maioria dos trabalhadores, também são linha de frente da pandemia, tendo que se expor muitas vezes em trabalhos presenciais precários. Se os estudantes se embanderam também das demandas dos trabalhadores, atuando em unidade com estes, suas lutas ficam muito mais fortes e potentes, como mostram exemplos da história do Movimento Estudantil no Brasil.

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É fundamental para o futuro tanto do movimento estudantil quanto de trabalhadores que os dois atuem em confluência, amplificando todo seu potencial questionador do governo e do regime. Bolsonaro, assim como os governadores e todos os setores do regime, atacam igualmente estudantes e trabalhadores, não vêem divisão nesse aspecto, não tem nenhum sentido para nossa luta que o PT e o PCdoB apostem justamente na divisão. É urgente que essas lutas sejam unificadas, para além de que também haja uma real mobilização e organização dos estudantes desde a base, que torne vivo e ativo o Movimento Estudantil.




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