Mundo Operário

DITADURA

Não, a vida não era boa na ditadura. Veja esses 5 fatos para desmentir o que te contam

Sempre tem um chefe, um tio que nos fala que a vida era melhor na ditadura. Mas isso é uma imensa mentira. Quase tudo que há de pior na vida para nós trabalhadores é uma herança da ditadura. Escrevemos esse texto para demonstrar como da corrupção a pioria no trabalho, e outras coisas, a ditadura – e uma transição que poupou os militares – deixou marcas no país que ainda sofremos.

quinta-feira 1º de abril| Edição do dia

A ditadura militar completa hoje 57 anos, enquanto militares que compõe o governo de Bolsonaro, grande defensor da Ditadura, expressam seu saudosismo e comemoram esse dia, como o vice-presidente Mourão e o novo Ministro da Defesa Braga Netto. Nós do Esquerda Diário vamos apresentar alguns motivos e desmentir algumas informações trazidas como verdades, que demonstram porque achamos que os
trabalhadores e os setores oprimidos devem repudiar esse dia.

1) “Não havia corrupção na ditadura”


Sarney e os generais corruptos da ditadura militar.

Essa é das grandes falácias defendidas por apoiadores do golpe militar de 64. Em todas as discussões políticas sobre a corrupção sempre tem um parente mais velho defensor dos militares que defende que “naquele tempo não havia corrupção”, mas é uma mentira descabida. Há diversos casos de corrupção do próprio exército ou desvio de dinheiro em obras como a Ponte “Costa e Silva” mais conhecida como ponte Rio e Niterói, obra da transamazônica entre outras. As grandes empreiteiras, conhecidas pela corrupção, se tornaram as gigantes que conhecemos através da corrupção na ditadura.

A Globo se tornou a emissora que tem toda essa força no país depois de muitos acordos e favorzinhos dos militares. Além disso, foi também durante a Ditadura que diversos políticos que até hoje são acusados, e condenados por corrupção começam sua carreira pública , como Sarney, Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães, Fernando Collor de Mello, Geraldo Alckmin e outros. Já os militares, nunca sofrem julgamento, são julgados por eles mesmos. Assim podem continuar se esbaldando, tal como na ditadura, com bilhões em obras de construção civil que Bolsonaro concedeu para o Exército e, claro, infinitas doses de whisky, leite condensado e outras guloseimas super-faturadas.

A corrupção da ditadura é algo que não se podia falar, e depois do fim do regime foi apagada pelos militares, pelo judiciário, pela mídia. Todos quiseram preservar a imagem destas forças repressivas para assim elas estarem mais “blindadas” para intervir na política como elas tem feito nos últimos anos, e, também para que tenham uma imagem boa o que facilita quando sejam usadas para esculachar trabalhadores nas favelas, como fazem nas operações de Garantia da Lei e da Ordem, e mesmo para planos mais repressivos se a classe dominante achar necessário.

2) “Na ditadura a vida era boa”


Fila para atendimento de Saúde. O SUS só foi criado após o fim da ditadura.

Há quem diga que durante a ditadura a vida era melhor, contudo, está é outra visão superestimada do passado. “Fazer crescer o bolo para depois dividi-lo” essa frase bem conhecida era do então Ministro da economia Delfim Netto para justificar o imenso arrocho salarial imposto pelos militares, que piorava as condições de vida dos trabalhadores.

Segundo reportagem da Carta Capital, em 21 anos de ditadura o poder real de compra do salário mínimo caiu em 50%, isso acontecia durante o período de crescimento da economia mundial. Para exemplificar: os 10% dos mais ricos que tinham 38% da renda em 1960 e chegaram a 51% da renda em 1980. Já os mais pobres, que tinham 17% da renda nacional em 1960, decaíram para 12% duas décadas depois.

A vida era boa na ditadura? Para quem era milionário e se tornou multimilionário talvez, para os trabalhadores o salário só caia. Estava proibido o aumento de salários, os sindicatos sofreram intervenção, eram os militares que indicavam quem seria o presidente do sindicato. E, claro, tudo isso era garantido com tortura, desaparecimentos, assassinatos.

3) “Na ditadura tinha mais emprego”

Também aqui se mostra uma manipulação da realidade. O próprio FGTS, que foi criado nesse período, é parte de uma política de ataque a CLT que acabou com a indenização de um mês de salário por ano trabalhado, em caso de demissão imotivada, e a estabilidade no emprego ao trabalhador do setor privado que completasse dez anos na mesma empresa. Então sabe aquele terror que você sofre no trabalho que pode a qualquer hora ser mandado embora, pode ir pra rua e se virar para não passar forme. Bem isso é uma herança da ditadura: o fim da estabilidade no emprego e o aumento da rotatividade do trabalho.

Em 1967, durante o governo de Castello Branco, os patrões tinham carta branca para demitirem. Além do FGTS ser uma grande manipulação já que esse valor é tirado todo mês do salário de todo o trabalhador formal mas este não pode decidir quando pode utilizar esse dinheiro, isso quando não descobre que a empresa sequer fazia o repasse desse valor por anos, e o judiciário, é claro ajuda essas empresas a ficarem impunes.

4) " Só era reprimido quem não andava na linha"

Essa talvez seja das piores mentiras criadas e disseminadas dos apoiadores do golpe de 64.

A ditadura militar é marcada pelo ataque frontal aos direitos democráticos básicos do povo que é poder decidir em quem votar e a liberdade de expressão. Livros, músicas, filmes, e até desenhos animados eram censurados. Durante esse período qualquer questionamento aos governos ou as leis não eram tolerados. Os LGBTs, negros, organizações políticas de esquerda, artistas eram perseguidos, torturados, mortos ou exilados. Era considerada uma “ameaça a segurança nacional” discutir os baixos salários ou o racismo por exemplo, tudo era reprimido para garantir a imensa desigualdade que a ditadura criou e garantia sim uma vida boa não “para quem andava na linha” mas para quem andava (e anda) de jatinho, jet-ski.

E não era diferente com os trabalhadores a “lei de greve” de 1964 é uma demonstração clara de como toda a liberdade de organização sindical e política era proibida. Só era permitido abaixar a cabeça e aceitar calado todo tipo de exploração.

E se reclamasse ia pros porões da Operação Bandeirantes, do Galeão ou do DOPS.

5) Leis feitas para perseguir os trabalhadores e qualquer crítica, oposição

A Lei de Segurança Nacional criada em 1983 foi criada no finalzinho da ditadura para que alguns dos instrumentos dela continuassem vigentes como o famigerado AI-5 que suprimia todas liberdades, permitia cassar mandatos parlamentares, permitia prender sem julgamento.

A Lei de Segurança Nacional segue vigente, o STF deixa que ela exista mesmo ela sendo claramente autoritária. Segundo essa lei se os governos e o judiciário quiserem as greves são crime, dão anos de cadeia, em vários setores da economia como o trabalho dos hospitais, garis, petroleiros, eletricitários, rodoviários, metroviários, tudo isso seria crime. Segundo essa mesma lei uma crítica ao governo pode ser dita como “ameaça a segurança nacional”. O Bolsonarismo e seus tentáculos no judiciário e nas polícias estão usando essa lei para perseguir opositores como fizeram com Felipe Neto e contra manifestantes em Brasília.

Precisamos lutar para derrubar essa lei e cada entulho autoritário da ditadura.




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