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Na surdina Bolsonaro impõe novas regras para eleição de reitores, atacando autonomia universitária

MP imposta por Bolsonaro reduz democracia universitária, diminuindo peso do voto de estudantes e funcionários. Além de facilitar aparelhamento por parte de Bolsonaro.

quarta-feira 25 de dezembro de 2019| Edição do dia

Em mais um ataque às universidades, se aproveitando do período de férias e recesso, Bolsonaro dessa vez baixou novas regras para as eleições de reitores. A medida provisória altera as regras impondo uma fórmula que reduz o peso do voto de estudantes e técnicos. O texto estabelece que o voto dos professores terá um peso de 70% nas eleições, e os funcionários e alunos terão peso de 15% cada. A partir da eleição será formada uma lista tríplice para à nomeação pelo Presidente da República.

Dessa forma, Bolsonaro subordina a vontade da comunidade acadêmica a sua autoridade ferindo a autonomia universitária. A fórmula escolhida por Bolsonaro segue os moldes da estrutura de poder das universidades estaduais de São Paulo, onde em muitos anos o governador ignorou o resultado da eleição para escolher o candidato mais alinhado ideologicamente com ele. Isso mesmo a eleição já apresentado uma votação distorcida, que reflete em primeiro lugar os desejos da burocracia universitária, pela não existência de paridade entre as categorias.

Neste ano presenciamos o governo intervindo no processo eleitoral de diversas universidades federais, em 6 UFs e uma 1 instituto federal Bolsonaro ignorou a escolha da comunidade acadêmica para nomear o candidato mais alinhado ideologicamente e disposto a aplicar o Future-se. Com a MP Bolsonaro reafirma os limites da democracia universitária.

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Em muitas dessas instituições que sofreram intervenção do governo assistimos a resistência dos estudantes em resposta ao autoritarismo. Com o medo da resposta dos estudantes que protagonizaram o maior movimento de contestação nas ruas à seu governo no chamado Tsunami da Educação, Bolsoanro recorre ao período de férias para impor autoritariamente o ataque.

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É necessário que a União Nacional dos Estudantes comece a convocar desde já um plano de lutas contra mais esse avanço autoritário, realizando à partir do retorno das aulas assembleias que pautem mais esse retrocesso à democracia universitária.




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