Juventude

UERJ EM CRISE

Na UERJ a situação só piora para as terceirizadas

Com já 2 salários atrasados, trabalhadoras terceirizadas da UERJ se organizam junto com estudantes em apoio, exigindo o pagamento imediato dos salários.

terça-feira 28 de abril de 2015| Edição do dia

Ainda sem receber, nesta segunda-feira, as terceirizadas da UERJ se organizaram em busca de respostas da Reitoria sobre os pagamentos referentes aos meses de março e abril. Se reuniram primeiro no Hospital Universitário Pedro Ernesto por volta das 8:00 da manhã e dirigiram-se a UERJ onde se concentraram cerca de 40 trabalhadores terceirizados para uma conversa com o representante do Sindicato do Asseio (UGT), que não tinha respostas sobre a previsão para o pagamento dos salários que já chegam à dois meses de atraso. Foi sugerido então que quatro representantes dos trabalhadores fossem ao encontro de um representante da Reitoria.

A empresa terceirizada Construir responsabiliza a Universidade que por sua vez culpa o Governo do Estado pela falta de repasse de verbas para pagamento dos salários. Essa situação é característica e recorrente no sistema de terceirização do trabalho, sistema que foi ampliado nos governos do PT e que aumentará com a aprovação do PL4330 se for aprovado e sancionado pelo Governo Federal. Na UERJ a Reitoria naturaliza a situação de ter milhares de famílias sem ter o que comprar para comer recorrentemente. Os funcionários da manutenção, já expressaram mais de uma vez que estão a mais de três meses sem receber, sem salários, sem vale alimentação e transporte, esquecidos pela Reitoria no subsolo da UERJ.

Do lado de fora, enquanto os trabalhadores esperavam o resultado da reunião, nós da Juventude Às Ruas junto com outros estudantes nos somamos aos trabalhadores, e com mega fone e bumbo partimos juntos em ato em direção ao andar administrativo da UERJ. A reunião teve a mesma resposta de sempre, do representante da UERJ, que não há previsão para o pagamento dos salários e mais uma lista de manobras e enrolações.

Os terceirizados estão trabalhando sem previsão de pagamento contando apenas com a possibilidade de receberem apenas a metade de seus tickets de refeição e vale-transporte ao fim do mês. Os meses sem receber causam dificuldades econômicas cada vez maiores com os atrasos constantes. As terceirizadas relatam não terem dinheiro para fazer janta para os filhos ou ter que contar moeda para que o filho compre um pão. Outras contam que tem que sair de casa às 3 horas da manhã para chegar na hora no trabalho. Isso demonstra o nível absurdo de precarização e humilhações em que estão submetidas as trabalhadoras terceirizadas. E acaba sendo mais absurda esta realidade na situação em que não recebem o salário. Muitos trabalhadores claramente falam que o que esta acontecendo com eles é escravidão- forçar pessoas a trabalhar sem salário.

Este caso não é um episódio isolado dentro da UERJ com a crise alegada pela Reitoria, já se tornou cotidiano ter trabalhadores pela universidade toda trabalhando gratuitamente, pagar os salários é que virou uma ação esporádica. O que acontece na UERJ é uma pequena mostra do que é a terceirização, e caso o PL 4330 seja aprovado, do que pode acontecer com milhares de trabalhadores. Não podemos aceitar que estes trabalhadores caiam na invisibilidade e miséria que a Reitoria e o governo do Estado vêm impondo. Precisamos todos os centros acadêmicos, DCE, ASDUERJ e SINTUPERJ, cercar de solidariedade os trabalhadores e construir uma grande luta com atos, panfletagens, paralisações para que a Reitoria pague imediatamente os salários. Na quarta-feira, dia 29/04 elas farão um novo ato para exigir da Reitoria. Chamamos todos a se somarem nessa ação. Trabalhar sem receber é trabalho escravo.




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