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Na Argentina, encontro de empregados e desempregados prepara grande mobilização para amanhã (27)

Na Argentina, as cúpulas das centrais sindicais, CGT e CTA-T, querem manter o salário mínimo em 29 mil pesos (1695,87 reais). Por este motivo, às 8 da manhã, nos concentraremos no Obelisco e depois junto a movimentos sociais, setores do sindicalismo combativo e da juventude, marcharemos ao Conselho do Salário (órgão estatal de colaboração de classes), dando apoio também às lutas de Neunquén, Tucumán e outras que percorrem o país, com as medidas de proteção necessárias.

segunda-feira 26 de abril | Edição do dia

No país hermano, diversas categorias de trabalhadores, empregados e desempregados, juventude e precarizados, vêm lutando para que a crise econômica e a pandemia não continue a ser paga pelo povo pobre e trabalhador. Na gráfica sob gestão operária, MadyGraf, ocorreu um encontro que teve como resolução uma grande mobilização para amanhã, terça feira, 27.

Como consta na declaração que sintetiza as resoluções do encontro, "nos comprometemos a seguir avançando no caminho de coordenar e unificar as lutas dos empregados, precários e desempregados, assim como apoiar cada conflito para que ganhem os trabalhadores. Leia o conjunto das resoluções abaixo.

Nesta terça, 27 de abril, se reúne o Conselho do Salário. Lá vão estar os empresários, as cúpulas sindicais e o governo, discutirão o “salário mínimo vital e móvel”, que conjuntamente reivindicam 700 mil trabalhadores. Hoje o salário é de 21.600 pesos (1263,13 reais) . Um “mínimo” que também serve de medida para outros 800 mil que recebem de programas sociais, estes cobram a metade, 10.800 pesos (631.57 reais). Uma completa miséria. A cesta básica do Indec (IBGE argentino) custa 54 mil pesos (3157.83 reais).

Não nos perguntaram sobre o quanto, em nossa opinião, deveria ser o aumento. Vão defini-lo entre 4 paredes, ou por Zoom. Porém, já disseram que será com as paridades que pedem o Governo, o FMI, e vêm defendendo a burocracia sindical: cerca de 30% e em taxas confortáveis. Querem que os cooperativistas vivam com 13 mil pesos (760 reais).

Acuña, sindicalista da CGT, disse sem nenhuma vergonha na cara que “é um momento muito difícil, temos que entender as empresas”. Ele, com certeza, não vive “um momento muito difícil”, mas milhões perderam o emprego, o Governo não restituiu o IFE ( Renda Familiar Emergencial) e 44% vivem na pobreza. Sobre isso não há dúvidas: Cambiemos, partido que governa a Argentina, também ajusta.

Por esse motivo, o Encontro de Trabalhadores em Luta realizado na gráfica sob gestão operária, MadyGraf, aprovou a mobilização para amanhã (27). Às 8 da manhã, nos concentraremos no Obelisco com uma grande bandeira que dirá “Unidade dos trabalhadores empregados e desempregados”. E seremos parte da marcha ao Conselho do Salário junto ao movimento piqueteiro independente, setores do sindicalismo combativo, a esquerda e todos os que queremos enfrentar o ajuste.

Às 11 horas será realizada uma conferência da Plenária Sindical Combativa onde participarão setores que vêm à frente nas lutas. Às 13 horas, ocorrerá um ato comum com as organizações que impulsionam a Unidade Piqueteira, que lamentavelmente descartaram a unidade em marchar empregados e desempregados.

Todas as organizações que querem enfrentar o ajuste devem ser parte desta jornada de luta. Como viemos colocando, com toda essa força unida nas ruas temos que exigir da CGT, da CTA e dos sindicatos que rompam com o pacto de ajuste e convoquem um plano de luta por todas as demandas do povo trabalhador.
Temos consciência da situação sanitária. Por isso, tomaremos as medidas de proteção necessárias, mas achamos que nossas demandas são urgentes e a luta é o único caminho para que na “segunda onda” não sigam nos castigando com os contágios e a pobreza.

No dia 27, nos mobilizaremos para redobrar o apoio e solidariedade com as lutas que estão ocorrendo. Em MadyGraf, demos um primeiro passo na coordenação, com dezenas de convocantes. Porém, o mais importante foi que nos comprometemos a seguir avançando no caminho de coordenar e unificar as lutas dos empregados, precários e desempregados, assim como apoiar cada conflito para que ganhem os trabalhadores. Nos mobilizamos pelos terceirizados que lutam pelo pase a planta, pelos portuários que lutam contra a precarização, pelos profissionais da saúde que exigem salários e condições para enfrentar a “segunda onda”, pelos professores que rechaçam o aumento da miséria e aulas presenciais sem garantias sanitárias, pelas gestões operárias que resistem, pelos despididos em Arrebeef e Latam, ou as perseguições em Subte, pelas famílias que exigem moradia.

No dia 27, nos mobilizaremos pelas demandas dos movimentos sociais e piqueteiros. No Encontro na MadyGraf, a agrupação Teresa Vive denunciou a baixa de programas sociais e a miséria dos repasses, como fizeram outras organizações. Levantamos suas demandas mais urgentes, assim como a restituição de uma IFE de 40 mil pesos (2339 reais) para aqueles que acabaram na rua. Para a juventude, exigimos o fim de toda a precarização, bolsas para estudar e conexão gratuita. Juntos, devemos lutar por um trabalho digno com um salário que cubra a cesta básica.

No dia 27, nos mobilizamos para que não seja o povo a pagar a crise sanitária com suas vidas. A Frente de Todos e Cambiemos, que governam a Argentina, se culpam, mas nenhum deles toma as medidas necessárias para enfrentar a pandemia. Os companheiros da MadyGraf mostraram que perto de lá são fabricadas vacinas destinadas aos EUA. Por isso dizemos: é necessário a quebra das patentes para que se possa vacinar urgentemente toda a população. Também nos mobilizamos para apoiar as lutas e demandas dos profissionais da saúde, desde a histórica greve de Neuquén até as que percorrem todo o país. E porque queremos protocolos sanitários, garantidos por comissões de trabalhadores, para não continuar nos contagiando no trabalho e no transporte.

No dia 27, temos que fazer sentir essas reivindicações. Empregados e desempregados juntos por salário, IFE, vacinas e em apoio às lutas. A unidade é o caminho para que não paguemos a crise.




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