Internacional

CARTA DA CCR AOS MILITANTES DO NPA

NPA na França: rumo à exclusão, sem voto nem congresso, da segunda maior tendência do partido

Os militantes da CCR / Révolution Permanente, seção francesa da organização internacional que impulsiona a rede Esquerda Diário, realizaram neste domingo uma reunião de mais de 250 camaradas para discutir as decisões tomadas pelo Conselho Político Nacional do NPA (CPN) dos dias 22 e 23 de maio e suas consequências. Na reunião, foi votado o envio desta carta a todos os militantes do NPA (Nouveau Parti Anticapitaliste), para alertá-los uma última vez quanto à gravidade do que está acontecendo.

terça-feira 1º de junho| Edição do dia

Camaradas,

O Conselho Político Nacional do NPA de 22 e 23 de maio aprovou uma moção de organização da próxima Conferência Nacional do NPA (CN) incluindo a possibilidade de dispensar assembleias gerais eletivas conjuntas entre todas as tendências da organização sob o pretexto de que a “situação interna” é considerada como muito conflituosa. É evidente que esta “cláusula” inédita visa em particular os militantes do Revolução Permanente e aqueles que se preparavam para apoiar a plataforma 6 da Conferência Nacional (CN). Combinada a outras moções locais pedindo a nossa exclusão ou refutando o nosso pertencimento ao partido, além da exclusão de fato dos nossos militantes dos órgãos das suas duas maiores federações regionais (75 e 31), implica concretamente a impossibilidade de a grande maioria dos nossos militantes participar do debate democrático entre diferentes posições preparatório para a Conferência Nacional, e obviamente prepara o não reconhecimento de nossas vozes, ou ao menos de grande parte delas.

Isso equivale a uma exclusão de fato do processo democrático da Conferência Nacional. Tanto pior na medida em que constituímos, como mostra a participação na nossa reunião deste domingo, a principal corrente da oposição à antiga majoritária do NPA. Não podemos aceitar que os nossos camaradas sejam tratados como militantes de segunda classe, não tendo os mesmos direitos de todos os militantes do partido que ajudamos a construir, alguns há mais de doze anos. Nesse sentido, apresentamos ao Conselho Político Nacional do NPA uma moção puramente democrática, reafirmando nossos direitos de participar do debate e de votar na Conferência Nacional, o que infelizmente foi rejeitado, com a cumplicidade dos companheiros das correntes Anticapitalismo e Revolução e L’Étincelle. Posteriormente, se ainda pudesse haver dúvidas sobre o que está acontecendo, a ex-majoritária leu um comunicado no final do CPN afirmando que já estamos fora do partido, sem que isso despertasse qualquer reação dos dirigentes da ex-esquerda do partido.

Essa implacabilidade em nos excluir antes da Conferência Nacional e nos impedir de participar do debate com todos os militantes do partido é uma admissão de fraqueza e expressa a falta de confiança da antiga majoritária em sua própria orientação. Caso contrário, por que não nos permitir defender a nossa orientação e a candidatura de Anasse perante todos os militantes, em assembleias gerais conjuntas? Se, como a ex-majoritária tenta fazer crer, nós já tomamos a decisão unilateral de deixar o partido, por que então se sujam tanto com métodos quase stalinistas, em vez de nos enfrentar politicamente no quadro de uma Conferência Nacional verdadeiramente democrática?

A realidade é que a antiga majoritária do NPA sabe muito bem que são eles que vêm organizando a cisão do NPA há mais de um ano (para aqueles que se esqueceram, aqui está um artigo publicado no Le Monde em julho passado) e que o anúncio público da pré-candidatura de Anasse foi apenas um pretexto para avançar em direção a esse objetivo, ainda que em etapas: primeiro expulsando o Revolução Permanente, depois todos os que se recusem a se curvar às injunções de uma camarilha que persiste em se comportar como dona do NPA, embora já não seja mais a maioria absoluta desde o último congresso, há mais de três anos, que o seu peso relativo no NPA não parou de recuar, e que é o principal responsável pela crise do partido e pelo colapso do número de militantes (quase 8.000 membros a menos desde a fundação). Este grupo talvez tenha medo também de que a ideia de uma candidatura de Anasse, como uma figura emergente da última onda da luta de classes, chegue às cabeças de outros militantes, apesar de toda a campanha pública que a ex-majoritária vem liderando, em nome do NPA como um todo, contra esse camarada operário e de origem imigrante. A exclusão do Revolução Permanente seria, portanto, uma garantia de que isso não aconteça e que, portanto, não haja alternativa crível nem obstáculos consequentes ao giro que parte da antiga majoritária quer impor ao NPA, diante do qual as listas conjuntas com La France Insoumise em Nouvelle-Aquitaine e Occitanie são apenas um aperitivo.

Neste contexto, e a poucos dias do início das assembleias eletivas, temos apenas um último recurso: dirigirmo-nos a vocês, militantes dos diferentes comitês da base da organização, para lhes alertar quanto ao que está acontecendo e sobre as consequências desse tipo de processo, até então alheio às práticas do NPA como um todo. Seja qual for a tendência a que você pertença e seja qual for a sua opinião sobre nossa proposta de orientação, defendam nosso direito de submetê-la a debate em assembleias eletivas reunindo militantes de todas as tendências, que não rejeitem a participação de nenhum militante, em todo o país, condição para uma Conferência Nacional realmente democrática, sem exclusões preliminares disfarçadas!




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