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Debate | Myriam Bregman: representante da esquerda argentina enfrenta bolsonarista Milei em rede nacional

Myriam Bregman deu um combate implacável contra Milei e seu herói Bolsonaro, mostrando suas ligações com os capitalistas e os ajustes econômicos contra as massas trabalhadoras.

André Barbieri São Paulo | @AcierAndy

quinta-feira 14 de outubro | Edição do dia

Myriam Bregman, dirigente do PTS na Frente de Esquerda Unidade argentina (FITU), e candidata a deputada federal pela capital Buenos Aires, enfrentou duramente o amigo de Bolsonaro, Javier Milei. Da mesma maneira como atua nas ruas junto aos trabalhadores, as mulheres e a juventude contra a direita, no debate televisivo nacional realizado pela rede TN Myriam detonou a extrema direita argentina que se irmana com Bolsonaro.

Contra Bolsonaro, Myriam atacou, "Milei pode gritar o que queira, mas no Brasil de seu herói Bolsonaro já se aplicou a receita que defende. Já se aplicou a reforma trabalhista, eliminaram-se direitos, se prometiam 2 milhões de postos de trabalho por ano, e o que aconteceu? Cresceu o desemprego, de 12% para 14%, e outra coisa que tampouco diz Milei, ainda que grite: a inflação se duplicou".

"Tenho coisas em comum, claramente, com Trump, com Bolsonaro", respondeu Milei. Myriam fulminou, "O povo o repudia no Brasil, as mobilizações de trabalhadoras e trabalhadores no Brasil repudiam esse governo, já são 600 mil mortos".

Para a representante da esquerda argentina, os ataques econômicos de Bolsonaro mostram exatamente a cara do liberalismo na América Latina. Bolsonaro odeia a classe trabalhadora, especialmente os mais pobres (junto a seu ministro Guedes), e destruiu a economia do país aplicando reformas ultraliberais contra as condições mínimas de trabalho, com o apoio do Congresso e do STF. Assim como Milei, falam "contra a casta política", a "corrupção", mas estão enlameados até o pescoço com a casta política que atende aos interesses dos capitalistas contra o povo.

Esse trecho pode ser conferido aqui, no minuto ’46 do vídeo de debate.

Myriam foi a única que negou qualquer saudação ao bolsonarista Milei em todos os momentos do debate, como capturado pelas câmeras.

Myriam Bregman salientou que embora seu oponente liberal "fale de casta" quando se refere à classe política, ele mesmo "foi um conselheiro do genocida (ditador militar Antonio) Bussi".

"É impressionante que alguém que elaborou sua lista com a pior casta da Argentina, que é a militar, que foi parte da casta política sendo assessor de Bussi, que defende a casta monarquista, que é que existe de mais reacionário que os Bourbons da monarquia espanhola?! Não vou permitir que ele fale sobre casta quando se dirigir à Frente de Esquerda", disse ela. "Primeiro porque recebo o mesmo que uma enfermeira, não vivo dos empresários, e segundo porque nossa lista está cheia de trabalhadores. Alejandro Vilca, 23% dos votos em Jujuy, é um gari, como Milei tem a cara de pau de dizer que Vilca seria parte da casta?", afirmou Myriam.

"Milei fala sobre casta, mas foi conselheiro do genocida Bussi; ele está com os fascistas do Vox na Espanha, que defendem a monarquia. Não se pode ter idéias mais rançosas que essas", chicoteou durante o debate na rede televisiva TN.

"Quando Milei fala contra a casta, ele o faz para distrair, para esconder o poder econômico do qual ele é funcionário. Nenhuma das três forças quer se enfrentar seriamente com o poder econômico, pois esse é o verdadeiro poder do país".

Além de frisar as mil conexões do bolsonarista Milei com os capitalistas, Myriam Bregman também observou que Milei "é um violento", depois de uma série de interrupções do libertário.

"Ele é um violento (...) Este homem começou por se fazer de "educadinho", mas nos eventos públicos ele nos diz ’esquerdistas de merda’, ’vamos varrer esses esquerdistas de merda’ e assim que o debate começa ele começa com o mesmo ataque. O que é isso de’vamos varrer esses esquerdistas de merda’? A mesma coisa que nos disseram durante a ditadura? Se este vai ser o mecanismo, não posso argumentar assim. Eu não discuto com um homem que grita comigo", disse Bregman durante o debate.

"Ele é um catador de falácias", ironizou Bregman em um dos pontos altos do debate.

Myriam ainda atacou Milei por defender a punição estatal contra as mulheres que são obrigadas pelo Estado a abortarem em condições insalubres e perigosas. "Escutei que você considera homicídio culposo a interrupção da gravidez de uma menina que foi estuprada [...] Você defende prisão perpétua, não é? É ou não é o que você pede para uma menina estuprada?". O reacionário Milei titubeou e passou a defender a "liberdade da vida" e todas as teorias mais reacionárias contra o direito ao aborto legal, seguro e gratuito, arrancada pela Maré Verde de centenas de milhares de mulheres nas ruas.

A candidata da esquerda em Buenos Aires também atacou duramente Leandro Santoro (da coalizão peronista/kirchnerista no governo nacional) e María Eugenia Vidal (da coalizão direitista de Mauricio Macri). As duas forças políticas majoritárias estão em pleno acordo sobre a entrega do país ao FMI e a aplicação de ajustes onde governam. De fato, Alberto Fernández administra a herança econômica de Macri, o que lança luz sobre o futuro de Lula caso vença as eleições em 2022, como administrador da agenda econômica do golpe institucional, sem mencionar em qualquer lugar a necessária revogação das reformas trabalhista e da previdência.

Enfatizando a coerência da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, Bregman mais uma vez apelou para a luta para conseguir um deputado de esquerda para Buenos Aires no Congresso Nacional. Ela encerrou sua participação salientando que "a situação do país é grave. Além do ajuste, está chegando o acordo com o Fundo Monetário. Há uma razão pela qual eles estão deixando para depois das eleições. Todos os presentes já disseram que vão votar a favor do ajuste pró-FMI. Eles já entram no Congresso com as mãos erguidas para aprovar".

Bregman acrescentou que "nestas eleições legislativas, se você quiser ter certeza do que será sua representação no Congresso, vote na Frente de Esquerda, que já mostra há anos que está sempre do mesmo lado, dos trabalhadores e dos oprimidos, no Congresso e nas ruas. Para conseguir uma bancada parlamentar por Buenos Aires, temos que fazer um novo esforço. Não é fácil, mas é possível e você sabe que esta voz é necessária".

Myriam Bregman, Nicolás del Caño e a Frente de Esquerda Unidade na Argentina mostram exatamente como se combate a extrema direita: atacando os capitalistas, seus ajustes e o Estado burguês, que busca destruir as condições de vida das massas em função de seus acordos econômicos com especuladores, banqueiros e industriais. É um enorme exemplo para a esquerda brasileira e latino-americana, já que a FITU é a única força no mundo que agita a independência de classe como princípio, e atua em nome da batalha por um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo.




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