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Eleições | Myriam Bregman protagonizou o debate televisivo nacional contra a extrema direita e as forças da ordem na Argentina

Myriam Bregman, candidata da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores - Unidade, criticou duramente o candidato bolsonarista Javier Milei, que parecia exaltado e com poucos argumentos. Além disso, ela denunciou o ajuste dos peronistas/kirchneristas para concordar com o FMI. Ela foi dura contra Vidal por seu desempenho como governadora e pela repressão às famílias pobres na Villa 31. Ela foi a única a levantar os problemas que afetam milhões de mulheres. Bregman chamou para votar pela esquerda, a única força coerente em defesa dos trabalhadores, das mulheres e dos jovens.

quinta-feira 14 de outubro | Edição do dia

Nesta quarta-feira, pouco depois das 22h, começou na Argentina o debate convocado pelo programa A Dos Voces (Duas Vozes), um dos mais vistos no país, entre os candidatos a deputado federal para a capital Buenos Aires.

Myriam Bregman (Frente de Izquierda Unidad), Javier Milei (Libertad Avanza), María Eugenia Vidal (Juntos) e Leandro Santoro (Frente de Todos) debateram durante uma hora e meia. O funcionamento do debate havia sido previamente acordado pelos representantes dos diferentes espaços políticos. Tanto a ordem das intervenções quanto os lugares no estúdio foram desenhados por sorteio. Os tópicos, previamente acordados, incluíam debates sobre qualidade institucional, segurança e justiça; economia, educação e trabalho; e política de saúde em pandemias. Além disso, houve um minuto de abertura e encerramento para cada participante.

Tomado como um todo, a protagonista do debate foi Myriam Bregman, do Partido dos Trabalahdores Socialistas (PTS), que encabeça a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores argentina. Myriam Bregman engajou-se em fortes confrontos com Milei, às vezes fazendo-o parecer ridículo, revelando que suas críticas à casta política encobrem o poder econômico capitalista do qual Milei é um inveterado funcionário. Ela também denunciou o candidato da Frente de Todos (coalizão peronista/kirchnerista), Leandro Santoro, pelo ajuste em curso, pelo empoderamento de governadores como Juan Manzur (inimigo dos direitos das mulheres), por sua defesa do uso de tasers pela polícia e a cumplicidade do peronismo de Buenos Aires na votação das leis promovidas pelo direitista Larreta na capital. Da mesma forma, Bregman criticou severamente María Eugenia Vidal pela repressão em Buenos Aires contra famílias pobres na Villa 31 - o que ocorreu recentemente - e por sua gestão à frente da Província de Buenos Aires, período durante o qual ocorreu a explosão de uma escola na qual morreram dois trabalhadores da educação.

Enfrentamentos, ataques e silêncios

Ao longo do debate, Santoro defendeu a gestão oficial da pandemia, tanto em termos de saúde quanto de medidas econômicas. Falando a um eleitorado mais à direita, ele novamente justificou o uso de tasers - denunciados como armas de tortura durante o debate por Bregman - e entrou na questão da insegurança, criticando a administração de Larreta em Buenos Aires. Entretanto, questionado pela candidata da esquerda, ele evitou responder sobre as muitas leis que o peronismo votou na capital junto com as forças direitistas de Juntos (Macri/Vidal).

O candidato peronista concentrou sua estratégia em atacar Vidal pela administração da capital, pela herança Macrista e pelo endividamento realizado durante o ciclo 2015-19. Neste contexto, ele declarou que "eles deixaram escapar do país um FMI". Entretanto, quando se tratava de confrontos individuais, Santoro acabou pedindo ajuda a Vidal para lidar as negociações e o pagamento ao FMI. Assim, as críticas anteriores não implicaram qualquer diferença em termos de submissão aos ditames da organização internacional. No debate como um todo, foi Bregman quem denunciou o apoio de todas as forças a um acordo que significará mais austeridade para as maiorias populares.

Demais está dizer que, no Brasil, os stalinistas do PCB e da UP apoiam esse governo ajustador de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, do qual Santoro é mero representante.

Visto como um todo, o candidato da Frente de Todos surgiu sem brilho em face da direita de Milei e Vidal. E não poderia ser de outra forma. Ele defende uma administração de austeridade que acaba de nomear o direitista Manzur como Chefe de Gabinete. Nestas condições, a luta contra a direita foi travada por Bregman durante todos os 90 minutos.

Por sua vez, Vidal - além das críticas à Frente de Todos em termos de freqüência nas escolas, gestão da pandemia e da crise econômica - concentrou seus discursos no chamado para um voto útil. Ela defendeu a administração de Larreta e Quirós na capital diante da pandemia e criticou duramente o governo nacional pelas vacinas vip - que terminou com a renúncia de Ginés González - e a foto da comemoração na Quinta de Olivos. Com um claro perfil de direita, ele falou com força sobre a insegurança e defendeu a recente repressão às famílias pobres no bairro Carlos Mujica - antiga Villa 31 - após as críticas de Bregman. Além disso, no âmbito do debate econômico, ela defendeu a enorme dívida realizada pelo ex-presidente Mauricio Macri.

Entretanto, Vidal optou por guardar silêncio em grande parte de seu balanço como governadora. Foi precisamente Bregman que lembrou a morte de dois trabalhadores da educação, ocorrida em uma escola em Moreno, quando ela estava a cargo do Executivo da Província de Buenos Aires.

A intervenção do bolsonarista Milei foi bastante pobre, mostrando que ele estava mal preparado para este tipo de debate. Ele tentou se impor gritando, algo que - em primeiro lugar - foi detido por Bregman, mas que também foi questionado pelos organizadores. Durante todo o debate, ele constantemente apelava para denunciar a casta política. Às vezes utilizou, como costuma fazer em muitas áreas, uma linguagem técnico-econômica mais para os conhecedores do que para um grande público. Ele repetiu o que já é comum com ele: a reivindicação de seu alinhamento político com a administração Bolsonaro e com Donald Trump, a defesa do porte de armas, o apoio a políticas de ajuste como as realizadas por Cavallo nos anos 90.

Foi Bregman quem mais o confrontou durante todo o debate, revelando que seu discurso contra a casta é esconder os donos do poder econômico; que, além disso, ele tem o apoio de castas como as militares - para aqueles que apoiam e fazem parte de suas listas - e que ele nega o direito ao aborto, uma conquista do movimento de mulheres.

Além de confrontar Milei e denunciar Santoro e Vidal, a intervenção de Myriam Bregman se destacou por vários motivos: ela foi a única a afirmar claramente a situação das mulheres, tanto no auge da pandemia quanto no momento atual, diante da crise social; defendeu as reivindicações dos trabalhadores da saúde diante das políticas de ajuste de todos os partidos no poder; denunciou as tentativas de avançar em várias reformas trabalhistas com o falso argumento de que isso cria empregos; denunciou que o acordo com o FMI - que está sendo preparado para depois das eleições - trará mais ajustes. Ela também apontou as políticas de destruição ambiental como uma das razões que levaram à atual situação pandêmica, a quarta até agora neste século.

Enfatizando a coerência da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, Bregman mais uma vez apelou para a luta para conseguir um deputado de esquerda para Buenos Aires no Congresso Nacional. Ela encerrou sua participação salientando que "a situação do país é grave. Além do ajuste, está chegando o acordo com o Fundo Monetário. Há uma razão pela qual eles estão deixando para depois das eleições. Todos os presentes já disseram que vão votar a favor do ajuste pró-FMI. Eles já entram no Congresso com as mãos erguidas para aprovar".

Bregman acrescentou que "nestas eleições legislativas, se você quiser ter certeza do que será sua representação no Congresso, vote na Frente de Esquerda, que já mostra há anos que está sempre do mesmo lado, dos trabalhadores e dos oprimidos, no Congresso e nas ruas. Para conseguir uma bancada parlamentar por Buenos Aires, temos que fazer um novo esforço. Não é fácil, mas é possível e você sabe que esta voz é necessária".

A participação de Bregman teve grande repercussão nas redes sociais

Durante o debate, Bregman foi acompanhado pelos principais referentes e candidatos da Frente de Izquierda. Havia Nicolás del Caño, Gabriel Solano, Celeste Fierro, Alejandrina Barry, Christian Castillo, Andrea D’Atri, Patricio del Corro, entre outros.

Mas o debate, como não poderia ser de outra forma, teve ampla repercussão na mídia e nas redes sociais. No Twitter, apoio para Bregman:




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