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Eleições argentinas | Myriam Bregman é eleita e esquerda volta a ter deputado nacional por Buenos Aires depois de 20 anos

Myriam Bregman, militante do PTS, organização irmã do MRT, é eleita para o Congresso Nacional pela Cidade de Buenos Aires. As demais forças políticas ficaram com as mesmas bancas que já haviam conseguido nos resultado das primárias.

segunda-feira 15 de novembro | Edição do dia

A única surpresa desde às PASO (NdT: eleições primárias) é que a esquerda na Cidade de Buenos Aires conquistou uma deputada nacional depois de 20 anos. Myriam Bregman (PTS) conseguiu entrar no Congresso junto de Gabriel Solano (Partido Obrero) e Alexandrina Barry, também militante do PTS, que renovaram suas bancadas na legislatura portenha. No entanto, as demais forças políticas mantiveram o que conseguiram nos resultados das PASO.

Nas últimas semanas se viu nas ruas o amplo e estendido apoio à Myriam Bregman. Nas redes sociais, importantes personalidades da cultura, artistas, referentes do movimento de mulheres, de direitos humanos, lutadores em defesa do meio ambiente - muitos foram se pronunciando pela necessidade de que a décima terceira banca da Cidade de Buenos Aires fosse de Bregman.

Após o debate na televisão, Myriam Bregman se afirmou como a candidata mais sólida em suas propostas, enfrentando a extrema-direita de Milei e a direita neoliberal. Defendendo as demandas que trabalhadores, mulheres e jovens lutam diariamente nas ruas, ela conquistou um lugar reconhecido entre eles.

O apoio de figuras de referência do movimento de mulheres que realizaram uma assembleia aberta no Parque do Centenário apoiando a Frente de Esquerda, colocando que o aborto legal não é o fim de sua luta, mas apenas o início da luta contra o patriarcado, é exemplo disso.

Nos bairros populares, em escolas, fábricas, escritórios e aeroportos, o apoio foi amplo e foi realizada uma campanha de voto em voto. E neste domingo as fotos com o voto da Frente de Esquerda foram compartilhadas nos grupos do WhatsApp, com diversas expressões de ânimo e muitos trabalhadores que viram seu desencanto com o governo nacional, mas reconheceram que a esquerda é a única que está sempre em suas lutas.

Isso se reflete nas mulheres da Villa 31, participantes da ocupação de terra Forza Mujeres que aderiram à campanha e fiscalizaram os votos em sua vizinhança. Nos bairros populares, as boletas da FIT corriam entre os corredores e os refeitórios.

Trabalhadores da aeronáutica conversavam em suas cabines ou em seus grupos sociais, como os da Latam, que sabem que apoiam a única força que esteve presente em sua luta desde o primeiro dia, e não foi à toa que alguns deles foram até candidatos pela FIT. Assim como nos hospitais, onde as heroínas da linha de frente contra a pandemia se viram incluídas e reivindicadas pela esquerda que as acompanhava diariamente na lutas das enfermeiras.

Professores que nas escolas discutiam não só com seus colegas, mas com os pais de seus alunos dos bairros da zona sul de Buenos Aires, reconhecendo o papel da esquerda no legislativo, na luta pela educação e pela alimentação dos meninos contra Soledad Acuña, a atual ministra da educação da cidade.

Trabalhadores do funcionalismo que veem que seus salários são corroídos pela inflação, das companhias telefônicas que veem que as empresas continuam ganhando fortunas à custa de seus salários e da precariedade.

Os jovens universitários e do ensino médio que, em meio ao ensino remoto e participando das lutas do movimento feminista e da luta pelo meio ambiente, foram parte de uma campanha em busca de um futuro, de uma vida que valesse a pena ser vivida. Assim, de boca em boca, através das redes sociais e com seu amplo apoio, este resultado histórico foi dado.

E a partir de agora o jovem precário, aquele que passa 14 horas todos os dias nos call centers, nas lanchonetes, que pedalam nos apps, aqueles que vão levantando a cabeça e se organizando - cada vez mais esses jovens veem que a esquerda é a única força que os nomeia e levanta suas demandas. Uma juventude que não quer mais viver às custas das empresas exploradoras beneficiadas por todos os governos.

Leia mais: Eleição histórica da FIT-Unidade: quatro deputados nacionais




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