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ENTREVISTA EXCLUSIVA | “Muitas infecções de covid, alguns precisaram de UTI”. Todo apoio à greve do Metrô/DF!

O Esquerda Diário fez uma entrevista com uma representante do Sindmetro/DF. Nos solidarizamos com a categoria em luta que aprovou greve para essa sexta-feira. Só a força da classe trabalhadora pode conquistar trabalho digno e lutar contra a demagogia elitista e genocida de Bolsonaro, Ibaneis, do judiciário e todos os golpistas que nos trouxeram até aqui!

quinta-feira 15 de abril | Edição do dia

Esquerda Diário (ED) - Considerando que o último concurso para admissão de novos funcionários foi realizado em 2014, há atualmente uma sobrecarga de trabalho pela falta de pessoal?

Entrevistada, membra do Sindmetrô/DF - O último concurso foi realizado em 2014 porém não chamou a quantidade de empregados necessário para atender satisfatoriamente a empresa, inclusive o sindicato tem ação na justiça, a qual estamos ganhando, para convocação do número de empregados muito maior do que os que foram convocados. Essa ação tem como base um documento do Metrô que relata a real necessidade do sistema metroviário. Vale considerar também que algumas estações que estavam desativadas foram abertas e estão em funcionamento.

ED - Houve perseguições políticas contra trabalhadores após a greve de 2019? O Metro/DF cumpriu com os compromissos assumidos naquele momento?

Sindmetrô/DF - O Metrô se recusou a assinar o Acordo Coletivo de Trabalho mesmo após o Tribunal Regional Trabalho-TRT ter julgado a greve e decidido manter nossos benefícios por meio da sentença normativa. Mesmo sujeito a multa por descumprimento, o metrô só cumpriu algumas cláusulas. Durante essa greve, os metroviários passaram por um sofrimento sem tamanho pois foram 4 meses sem benefícios e com descontos da greve, descontos estes que se tornaram ilegais e até hoje o metrô não devolveu aos empregados. O Metrô não assumiu nenhum compromisso, ao contrário, a justiça decidiu e ele não cumpriu.

ED - A empresa tem garantido condições seguras de trabalho durante a pandemia? Houve muitos registros de infecção por COVID na categoria?

Sindmetrô/DF - Houve muitos registros de infecção por covid na categoria, inclusive pessoas que ficaram internadas, necessitando de UTI. A empresa não oferta máscaras adequadas para todos empregados, não faz testagens e algumas medidas foram tomadas por força de uma ação judicial que o Sindmetrô impetrou na justiça. Somos a categoria que não parou durante a pandemia, prestamos um serviço essencial para a população, mas que até então não fomos inseridos na prioridade da vacinação contra o covid.

ED - Quais são os benefícios e cláusulas anteriormente acordadas que estão sendo retiradas pela empresa?

Sindmetrô/DF - A princípio o entrave da negociação era uma cláusula que garantia os direitos advindos da sentença normativa e uma escala 3x2 para alguns empregados. Diante da insatisfação da categoria, o metrô retrocedeu e retirou mais duas cláusulas importantes para a categoria: cláusula de abono especial e quebra de caixa para os metroviários que trabalham na bilheteria, usando a justificativa de imposição do Tribunal de Contas. O fato é que o Sindmetrô buscou reunião no Tribunal de Contas e claro o tribunal de contas do faz indicações e cabe a empresa sua defesa, explicação e justificação, porém a retirada é uma escolha administrativa da empresa.

ED - Qual a posição tomada pela presidência do Metrô-DF diante das negociações? Eles apresentaram alguma justificativa para os cortes que querem implementar?

Sindmetrô/DF - A postura da diretoria do metrô é rígida e preocupante, pois não queremos aumento, só garantir o que temos hoje, mesmo diante de um momento tão sensível e difícil para todos, ela continua inflexível. Como resultado dessa postura intransigente, estamos sem nosso auxílio alimentação e a previsão de não ter nenhum benefício a partir deste mês, inclusive o plano de saúde.

ED - Qual é a pauta de reivindicações para a greve? O movimento está articulado com a paralisação dos metroviários de São Paulo e da Trensurb/RS votada para o dia 20/04?

Sindmetrô/DF - Nossa pauta é assinar nosso Acordo Coletivo de Trabalho sem nenhum direito a menos, com as mesmas garantias que já tínhamos. Não temos articulação com outros sindicatos nesse momento.

ED - Esses ataques aos direitos dos funcionários do Metrô fazem parte do plano de privatizações que vem sendo anunciado pelo governo Ibaneis? Há um diálogo com as entidades sindicais para que a mobilização da sexta se ligue às outras categorias ameaçadas pela venda das estatais do DF?

Sindmetrô/DF - Com certeza esses ataques aos empregados do metrô fazem parte do plano de privatização, na última greve os metroviários foram tão atacados (com retirada de direitos) que até hoje não conseguiram se equilibrar, e continuam principalmente a tentar amedrontar os empregados, para ficar mais fácil executar a concessão da empresa.
A categoria metroviária não vai se amedrontar diante dos desmandos de qualquer governo, pois os governos vão passar. A luta é desproporcional, mas iremos enfrentar com toda garra.


Nós do Esquerda Diário somos uma mídia independente feita por trabalhadores e estudantes. Nós resolvemos contar a história desde baixo, junto das e dos trabalhadores da linha de frente nessa pandemia. Por isso, nós nos solidarizamos com as e os metroviários em greve, todo nosso apoio a vocês! Colocamos nosso diário à mais completa disposição de toda categoria, dos efetivos e das trabalhadoras terceirizadas, para receber denúncias sobre a situação de trabalho, de qualquer arbitrariedade do Metrô e da demagogia elitista e anti-operária de Ibaneis, Bolsonaro e todo os golpistas desse regime genocida. Acreditamos que apenas unindo as lutas das diversas categorias de trabalhadores junto das mulheres, do povo pobre que luta por moradia, como é o caso da famílias da Ocupação do CCBB, das negras e negros, LGBTs e da juventude. Só com a força da nossa mobilização independente conseguiremos barrar os ataques, as reformas, os cortes, as retiradas de direitos e impor um plano emergencial de combate à pandemia que se enfrente com os lucros capitalistas e aqueles que nos atacam: Bolsonaro, Mourão e todo o regime golpistas.

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