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Bolsonarismo | Mourão vai à Angola para proteger interesses pessoais do bispo bolsonarista Edir Macedo

Bolsonaro enviou Mourão para Angola, não para tratar de assuntos políticos, mas para salvaguardar os interesses privados do empresário e bispo evangélico Edir Macedo, que é dono da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). A igreja passa por uma crise na Angola, após uma série de denúncias de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de dívidas e associação criminosa, além de haver acusações de racismo.

terça-feira 20 de julho | Edição do dia

FOTO: Hugo Barreto/Metrópoles

Na semana passada, Mourão conversou com o presidente da Angola, João Lourenço, buscando salvaguardar os interesses da Iurd. “Por orientação do PR (presidente da República), conversei com o presidente angolano. (...) A diplomacia está buscando uma forma de fazer com que as partes se entendam”, disse o vice-presidente.

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Em 2019, integrantes da igreja evangélica no país africano se rebelaram contra a direção brasileira da Universal – comandada pelo bispo Edir Macedo – e divulgaram um manifesto que acusa o comando geral de lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e racismo. Representantes da igreja no Brasil foram removidos de postos-chave em Angola e a filial da TV Record foi fechada naquele país.

Mourão também disse, em entrevista à Agência Lusa, de Portugal, que “essa questão da Igreja Universal aqui afeta o governo e a sociedade brasileira pela penetração que essa igreja tem e pela participação política que ela possui (no Brasil), com um partido que é o partido Republicanos, que representa o pessoal da igreja”

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A Universal é controlada pelo bilionário Edir Macedo (também dono da TV Record). O pastor é um dos assíduos apoiadores do presidente e de sua política negacionista, além de ser acusado em uma série de esquemas de corrupção, enchendo seu bolso de dinheiro com sua mega-corporação da fé, às custas de seus fiéis. No Congresso, os interesses da Universal são representados pelo partido Republicanos (que faz parte do “Centrão” e da base aliada do presidente), também controlando o Ministério da Cidadania, hoje sob o comando do deputado João Roma.

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Bolsonaro também indicou o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos) para embaixador do Brasil na África do Sul, com o objetivo de tentar atenuar os problemas da Iurd na África. Mas Crivella, após ser alvo de denúncias de propina quando era prefeito, teve o passaporte retido, não podendo assumir o cargo de embaixador.

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