AMAZÔNIA

Mourão quer vender a Amazônia enquanto governo federal colabora com destruição do bioma

O vice-presidente Hamilton Mourão quer atrair investidores nacionais ou internacionais para explorar a biodiversidade da Amazônia. Ou seja, quer vender partes da região para empresas lucrarem com a destruição do bioma.

quinta-feira 22 de outubro| Edição do dia

Foto: Bruno Batista/VPR

A declaração foi feita durante sua participação na semana verde organizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O general defendeu que esse investimento pode melhorar a vida das populações locais, porém tanto a população ribeirinha quanto os indígenas e quilombolas que vivem na região nunca são questionados quanto a esses investimentos.

A realidade é que a proposta de Mourão nada mais é do que mais uma tentativa de vender a Amazônia para a iniciativa privada, tanto nacional quanto estrangeira, para que diferentes empresas explorem a biodiversidade local, o que pode levar a sua destruição, para assim lucrarem mais. Mas a destruição dos biomas brasileiros já é uma prática recorrente do governo federal: apenas no mês de setembro, houve quase meio milhão de focos de incêndio somente na Amazônia, sem contar a queimada do Pantanal que possui o claro objetivo de transformar o país um grande pasto que garanta o lucro do agronegócio e a riqueza dos latifundiários.

Também é prática comum de Hamilton Mourão o ataque aos povos indígenas. Desde o início do ano o vice de Bolsonaro, que também lidera o Conselho Nacional da Amazônia Legal, quer aprovar seu projeto de lei para legalizar o garimpo na região, defendendo ainda que os indígenas querem acesso à equipamentos tecnológicos e não querem viver “segregados da modernidade”. Ora, como se esses povos vivessem em outro século e não tivessem acesso à tecnologia.

O que os indígenas querem, e já disseram diversas vezes, é a demarcação de suas terras e que o governo não ignore as suas existências e nem permita o seu extermínio, que já vem ocorrendo há mais de 500 anos. Querem o fim das queimadas, que destroem suas comunidades e meios de sobrevivência. Não será colocando diversas empresas e indústrias privadas para tirar da Amazônia todas suas riquezas que os povos indígenas alcançarão suas reivindicações.

Não há nada de novo sob o sol nessa proposta de Mourão: o general nunca perde uma oportunidade de defender e exaltar a ditadura civil-militar brasileira que, além de perseguir e assassinar militantes de esquerda e ativistas em geral, também foi responsável pelo assassinato de 8,3 mil indígenas que se opuseram aos planos de “investimento” dos governos militares. Bolsonaro, Mourão e toda sua corja de golpistas são inimigos dos povos indígenas e do meio ambiente.

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