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Povos originários

Mourão quer acelerar projeto de lei que permite garimpos em terras indígenas

O vice presidente quer avançar na agenda de interesses das empresas mineradoras, atacando o direito à terra dos povos indígenas.

quinta-feira 12 de novembro| Edição do dia

Imagem: BRUNO KELLY / REUTERS

Em entrevista à rádio Folha FM de Roraima nesta quarta, 11, o vice presidente Hamilton Mourão voltou a defender projeto enviado pelo governo Bolsonaro ao Congresso, que permite a atividade de mineração em terras indígenas.

Atuando praticamente como porta-voz dos interesses das empresas do ramo da mineração, Mourão declarou que “Temos que avançar isso, não podemos continuar tapando o sol com a peneira, porque uma vez que se discipline essa atividade, que se faça a concessão da lavra, essa será executada dentro da regulação ambiental da nossa legislação e como consequência não haverá dano ao meio ambiente". Fazendo demagogia, Mourão ainda afirma que a atividade de mineração poderia ser uma fonte de renda para os indígenas por meio de pagamento de royalties.

A declaração de Mourão expressa não só a demagogia como também o cinismo de sua “defesa do meio ambiente”, por exemplo, que se revela quando, na mesma entrevista, mais uma vez minimiza as queimadas que devastaram grandes extensões do Pantanal e Amazônia. Ele afirmou que “focos de calor” não necessariamente seriam queimadas, completando que "o problema existe, mas não nas dimensões catastróficas que é colocado". Como se devastar áreas inteiras que impactam na biodiversidade, no clima, ameaçando de extinção milhares de espécies, ameaçando com seca e temperaturas extremas, tudo isso em nome dos lucros capitalistas, fossem um mero detalhe.

Sua entrevista mais uma vez reforça como o governo Bolsonaro e Mourão estão bem unificados para representar os interesses das grandes mineradoras e latifundiários que arrastam detrás de si um enorme rastro de devastação e degradação da natureza e das condições de vida da população e dos trabalhadores.

Por isso nenhuma confiança entre os setores do regime, (como também é o STF, Rodrigo Maia, governadores) que vez ou outra tentam se diferenciar da figura nefasta de Bolsonaro, mas que quando o assunto é atacar direitos e condições de vida e de trabalho da maioria da população estão bastante coesos.

Para nos contrapor a esse projeto de sociedade, é preciso que a pauta ambiental seja defendida pelo conjunto dos trabalhadores em suas lutas, em aliança com os povos indígenas e os setores oprimidos, para que sejam estes a impôr um programa de resposta à crise, se organizando em uma Assembleia Livre e Soberana que possa definir os rumos do país.

[Com informações da Agência Estado]




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