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OPINIÃO | Mourão e o interesse militar de lucrar com a destruição do meio ambiente

Pressionado pela chegada da cúpula do clima, que acontecerá nos dias 22 e 23 deste mês, onde o Partido Democrata norte-americano convocou outros 40 líderes mundiais, incluindo Bolsonaro, Mourão faz declarações um tanto desinibidas ao país imperialista nesta segunda-feira.

terça-feira 20 de abril | Edição do dia

“A gente não tem que ser mendigo nisso aí”, disse o vice, ao se referir à “ajuda” internacional para supostamente alcançar metas de redução da emissão de gases poluentes na atmosfera.

A burguesia brasileira e o imperialismo norte-americano são parceiros em muitos terrenos, inclusive na destruição do meio ambiente. Os atritos entre as partes poluentes não tem como objetivo a preservação da natureza. A farsa norte-americana, que busca aparecer como “preocupada com o meio ambiente”, é nada mais do que o cinismo Democrata para defender os seus próprios interesses, como temos afirmado no Esquerda Diário.

Mourão, chefe da Comissão da Amazônia, representa um grande seguimento de militares de alta patente que não tem qualquer interesse em diminuir os estragos ambientais. Esses militares lucram obscenamente com a destruição das florestas, estando organicamente vinculados às madeireiras e aos latifundiários da região Norte e Centro-Oeste. Acordos ilícitos com a economia extrativista são de pleno conhecimento do Exército, que se beneficia com a expansão da fronteira agrícola sobre os limites amazônicos. Por isso o vice-presidente tem cuidado para não responsabilizar os capitalistas que destroem o meio ambiente, e defende o trumpista Ricardo Salles, alvo do Partido Democrata.

Leia mais: Amazônia: a demagogia verde de Biden e o negacionismo de Bolsonaro.

Mourão ainda desdenhou da “ajuda” ao apontar que o Brasil já possui meios para conseguir investimentos para instituições e países que queiram “contribuir com o meio ambiente” por meio do Fundo Amazônico – do qual ele próprio é presidente.

Apesar de ser uma amostra do choque entre os interesses em jogo, não deixa de ser patética a tentativa de Mourão de demonstrar “soberania” dos militares brasileiros em relação à Amazônia, enquanto possuem as bocas sujas de terra após tanto lamber as botas do imperialismo norte-americano.

O que há de fundo nessa postura de Mourão é a amostra de “resistência” de uma fração da burguesia brasileira de não querer largar o osso das queimadas e desmatamento da Amazônia e do Pantanal, que é onde por onde avança a largos passos o agronegócio que se esbanja das exportações para a China, particularmente os setores da soja e do milho. O que quer os Estados Unidos com essa suposta defesa do meio ambiente é, na verdade, barrar esse mercado exportador brasileiro, tendo em vista que compete com seu próprio mercado.

A questão é que o Brasil não possui soberania nenhuma. E o governo sabe disso. Mas após a derrota de Trump e de todo o enfraquecimento do trumpismo no Brasil – e inclusive enfraquecimento do próprio bolsonarismo –, o governo brasileiro se agarrou a essa questão porque é justamente uma importante via de enriquecimento de um poderoso setor capitalista nacional, que hoje em sua maioria apoia Bolsonaro.

Um exemplo disso é a forma como Bolsonaro vem buscando sustentar Ricardo Salles, blindando-o da forma que pode, mesmo diante dos ataques vindos inclusive dos governadores – que, há uma semana, protagonizaram o envio de uma carta ao imperialismo como parte das disputas com o presidente.

Leia também: Carta de governadores a Biden sobre “mudanças climáticas” é a cara do cinismo Democrata.

O que fica é que estão demonstrando que não querem largar o osso. Mas há que ver se Bolsonaro consegue sustentar essa política e até quando.

Enquanto isso, o meio ambiente segue sendo devastado, a Amazônia e o Pantanal seguem sendo palcos para passar a boiada brasileira, norte-americana e também europeia. Isso demonstra de maneira explícita o quanto não há como confiar forças em figuras que se colocam “contra Bolsonaro”, sendo parte dos interesses dos capitalistas e do regime político.

Somente uma política contra Bolsonaro, Mourão, os governadores e contra o conjunto do regime do golpe poderia se impor contra esse curso de destruição dos nossos recursos naturais.




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