RACISMO

Motoboy negro é baleado e acusado injustamente de assalto por PM do ES

Na última terça-feira (1), o entregador Isaque Rezende Araújo foi perseguido na Rodovia Serafim Derenzi por policiais por suspeita de ter assaltado duas mulheres, escancarando o racismo institucional e o abuso de poder da PM.

sexta-feira 4 de dezembro de 2020| Edição do dia

Fonte: A Gazeta

Depois que Rayna Silva, a esposa do entregador, questionou a ação da PM, a Justiça o liberou na quinta-feira (3), logo após ter passado por uma audiência de custódia e ganhado liberdade provisória. Familiares e amigos repudiam versão dada pela polícia para justificar a prisão do motoboy, ocorrida na Rodovia Serafim Derenzi, no bairro de São Pedro, em Vitória.

Segundo a Polícia Militar, por volta de 22h os policiais viram duas mulheres conversando com um motociclista, que estava com uma mochila de entrega de comida por aplicativo, e, de repente, uma delas correu até a viatura gritando e dizendo estar sendo assaltada. Como se não bastasse essa versão manipulada pela polícia, ainda alegaram que o motoboy estava armado e disparou contra a polícia após fuga em alta velocidade.

Revoltada com a injustiça sofrida pelo marido, Rayna, que está grávida de seis meses e administra com Isaque uma lanchonete, foi visitar seu companheiro no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE) para ouvir a versão dele do caso, que disse ter parado para pedir uma informação e levado preso por roubo. Além disso, a polícia alegou que o motoboy perdeu o controle da moto e caiu, mas, contraditoriamente, a moto se encontra intacta e sem arranhões ou marcas de queda.

“Ele me falou que parou para pedir uma informação e as moças pensaram que ele estava assaltando elas. Depois ele ligou a moto e saiu, mas logo em seguida passou uma viatura, foi quando começaram a ir atrás dele. Não deram ordem de parada, não ligaram a sirene e começaram a atirar. Foi aí que ele parou a moto, começou a apanhar dos policiais e os moradores se revoltaram”, contou Rayna.

“Recuso tudo (versão da polícia) e quero que eles provem a arma. Se tinha quatro PMs na viatura, por que eles não deram conta da arma? Não tinha como quatro policiais perderem a arma. A filmagem mostra ele passando em uma rua estreita. Ele iria jogar a arma onde? Ele parou a moto em um local movimentado, pois vai saber o que poderiam fazer com o meu marido”, relatou Rayna.

Além de ter tido sua imagem divulgada e sua reputação à risca, Isaque tomou 3 tiros e ainda foi espancado pelos policiais. Como se trabalhar como entregador já não fosse perigoso e precarizado o suficiente, os trabalhadores, principalmente os negros, têm de lidar com o racismo e abuso de poder dos policiais diariamente.

Dessa forma, para continuar realizando as denúncias e somando nas lutas das categorias precárias de trabalho, fazemos o convite a todos para conhecerem o Observatório da Precarização do Trabalho e da Reestruturação Produtiva, uma iniciativa do portal Esquerda Diário com colaboração de pesquisadores em todo país. O intuito do Observatório é estudar os novos fenômenos de precarização do trabalho, ligados à reestruturação produtiva, que se abrem a partir da crise de 2008 e que inclui as novas modalidades de trabalho intermitente, como a chamada indústria 4.0, o novo proletariado de serviço e, sobretudo, o capitalismo de plataforma, com trabalhadores de aplicativos e entregadores como uma das ênfases que o grupo de pesquisadores se propõe a investigar.




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