ELEIÇÕES RN

Mossoró/RN: Pré-candidato a Vice de Chapa do PT defende a privatização da Petrobrás

Em convenção que definiu a chapa do PT para as eleições municipais de 2020 em Mossoró no RN, realizada no último domingo, 13, com a participação da governadora Fátima Bezerra (PT), confirmou Isolda como candidata à prefeitura e escolhido como candidato a vice-prefeito Gutemberg Dias do PCdoB, professor da UERN, empresário e presidente da Associação da RedePetro/RN

Jojo de Paula

estudante de Design da UFRN e militante da Faísca

segunda-feira 21 de setembro| Edição do dia

A privatização das estatais e sobretudo a Petrobras, está avançando como nunca sob o governo Bolsonaro que tem Guedes e os militares ao seu lado para implementar esse ataque, mas também todos aqueles setores deste regime podre que se dizem “oposição democrática” a Bolsonaro. O STF, Rodrigo Maia, os governadores e parlamentares do Centrão e da direita, apoiadas pela grande imprensa, convergiram em um pacto transformando as quentes disputas durante a pandemia para avançar com essas privatizações e ataques aos direitos dos trabalhadores, como a reforma administrativa.

A histórica greve nacional protagonizada pelos petroleiros o início de 2020 eclodiu justamente contra este plano privatização e exigindo a reintegração de 396 trabalhadores demitidos com o fechamento de uma unidade no Paraná. Infelizmente a greve acabou por ser desmontada pela FUP (Federação Única dos Petroleiros), dirigida pela CUT.

Em todo o país, está sendo programada a venda de enorme cadeia produtiva nacional, com destaque às refinarias históricas como a RLAM na Bahia, junto a todo seu complexo logistico, a fundos soberanos de capital norte-americano. Para ter dimensão da profundidade do ataque em curso, recomendamos a leitura desse artigo: É verdade que não dá pra barrar a privatização de todas unidades da Petrobras na Bahia e no restante do país?

É meio a esse cenário que em Mossoró o PT se alia com um empresário do ramo petrolífero, membro do PCdoB, que defende a privatização em curso da Petrobrás no RN.

Gutemberg Dias era até então o pré-candidato do PCdoB para a prefeitura, supostamente escolhido pela capacidade de reunir as diversas forças políticas do município, sendo um dos principais defensores de unificar todos os partidos da oposição numa “frente ampla”, inclusive com a direita, contra a candidata da atual gestão, Rosalba Ciarlini do DEM, que apoia o governo Bolsonaro.

Porém, como poderia se opor aos planos de Bolsonaro tendo o mesmo plano privatista que ele?Enquanto empresário e presidente da Associação RedePetro/RN, defende abertamente a privatização da Petrobrás no estado, que está sendo implementado pelo governo reacionário de Bolsonaro e Mourão. Ele utiliza o mesmo argumento da direita, e afirmou em entrevista para o G1 que “A saída da Petrobras não significa o fim da atividade petrolífera no RN. Pelo contrário. Trará oportunidades para toda a cadeia produtiva”.

Essa indústria produz nada menos que 52% do PIB da região e agora ficará amarrada aos interesses de monopólios do petróleo e do capital financeiro internacional. O vice da chapa do PT para a prefeitura de Mossoró, cidade que foi centro da base operacional da exploração de campos terrestres no RN, deve estar é animado em estabelecer negócios.

Fátima Bezerra, que fez o convite a Gutenberg para compor a chapa, sem esconder seu real compromisso com a conciliação de classes, afirmou ser importante essa parceria do PT e PCdoB e de Gutemberg, como vice, para o diálogo com o setor empresarial: “um time formado pela coerência e compromisso com a cidade de Mossoró que merece ter um novo modelo de gestão. Isolda e Gutemberg vão fazer uma campanha propositiva, com sustentação política e sobretudo a alma do povo, sustentação popular. A trajetória de Isolda mostra a capacidade que ela tem de diálogo com todos os segmentos da sociedade”.

Também estão nessa aliança com o PT e PCdoB, os partidos PV, PROS e Avante, que votaram a favor da Reforma da Previdência de Bolsonaro, assim, deixando claro que apesar de se apresentarem como oposição ao governo Bolsonaro estão sempre votando a favor dos ataques a classe trabalhadora. Não é se aliando com a direita e com um empresário privatista que se faz frente a Rosalba e uma aliança de reacionários, pois se alia justamente com os inimigos dos trabalhadores que compartilham com o mesmo objetivo de descontar a crise nas nossas costas e privatizar a Petrobrás.

Embora Fátima Bezerra a princípio tenha se declarado contrária à privatização e saída da Petrobrás do RN, medida que coloca em risco mais de 5.600 empregos, mudou o discurso afirmando que se limitará a “acompanhar” o processo de privatização.

Essa mudança na postura de Fátima Bezerra não surpreende, já que ocorrem privatizações de campos maduros no RN desde o governo de Dilma Roussef, agora querem avançar para vender a refinaria Clara Camarão, a única do estado e com uma grande importância estratégica. O Polo Potiguar, que compreende o Canto do Amaro, Alto do Rodrigues e Ubarana, totalizando 26 concessões de produção, 23 terrestres e três marítimas teve sua venda total anunciada.

O PT e o PCdoB, que dirigem as maiores centrais sindicais, a CUT e a CTB, além de entidades estudantis, como a UNE, UBES - entre várias outras ao redor do país – e da própria FUP, em Mossoró deixa escancarado mais uma vez sua política de conciliação, que não está a serviço de unificar a classe trabalhadora para derrotar o projeto privatista e reacionário de Bolsonaro e dos capitalistas, mas sim de se aliar com setores da burguesia para garantir a estabilidade do regime e salvar os lucros dos empresários.

Todo o anúncio de privatização das operações da Petrobrás no Rio Grande do Norte se dá no mesmo momento em que ocorre uma forte greve nacional dos Correios, cujos trabalhadores estão sofrendo um ataque à inúmeros direitos trabalhistas, e sabem que querem precarizar o trabalho na empresa para facilitar a sua privatização. A enorme disposição de luta da greve de Correios vem, contudo, sendo deixada isolada pela CUT e CTB, e em especial no Rio Grande do Norte, onde a CTB dirige o sindicato de petroleiros. A CTB que é dirigida justamente pelo PCdoB de Gutemberg poderia ter organizado a categoria para se unificar com Correios, travando uma só batalha contra Bolsonaro, Mourão e o conjunto do regime golpista, barrando a retirada de direitos trabalhistas e as privatizações. Não o faz por que, como estamos vendo em Mossoró, o PT e o PCdoB conciliam com os interesses dos grandes privatistas que querem lucrar com a empresa para voltar administrar o capitalismo no Brasil descarregando a crise nas costas da população e dos trabalhadores.

Declaração: Pablito chama os sindicatos e os candidatos da esquerda a apoiar a greve dos Correios




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