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REFUGIADOS

Mortes de refugiados disparam com bloqueio da Europa a resgates no Mediterrâneo

Mais de 100 pessoas morreram no Mar Mediterrâneo Central em três naufrágios nos últimos dias, em menos de 72h. Seis navios de resgate foram bloqueados no porto por autoridades italianas e europeias.

sábado 14 de novembro| Edição do dia

Foto: Reprodução/UNHCR – The Italian Coastguard / Massimo Sestin

“Para os governos europeus ou a Comissão Europeia, dizer que estão tristes com essa terrível perda de vidas é hipócrita, na melhor das hipóteses,” afirmou Hassiba Hadj Sahraoui, assessora de assuntos humanitários do Médico Sem Fronteiras.

Só em 2020, quase 700 pessoas morreram na tentativa de escapar da Líbia pelo Mediterrâneo Central. “Na semana passada, um menino da Eritreia de 15 anos foi morto a tiros depois que homens armados invadiram um abrigo em Trípoli”, afirmou William Hennequin, também do Médicos Sem Fronteiras. “Assassinatos, sequestros, violência extrema - incluindo tortura para extorquir dinheiro dos prisioneiros e seus parentes - continuam sendo ameaças cotidianas que continuarão empurrando pessoas vulneráveis a cruzar o mar para escapar desse abuso na ausência de outras formas mais seguras de fazê-lo.”

Na quarta, 11, a Frontex, a Agência Europeia da Guarda Costeira e de Fronteiras, declarou sua hipocrisia dizendo que estava “empenhada em salvar vidas no mar, em estreita cooperação com todos os intervenientes operacionais”, mas, na verdade, não compartilham informações de barcos em perigo, enquanto enviam a Guarda Costeira da Líbia, para prender e exportar refugiados.

Em agosto, mais de 1.000 refugiados são abandonados em alto mar pelo governo da Grécia. “Deixei a Síria por medo de um bombardeio, mas quando isso aconteceu, desejei ter morrido sob uma bomba”, essa chocante frase foi dita por Najma al-Khatib em entrevista ao The New York Times, uma professora síria de 50 anos que foi uma das refugiadas abandonadas em alto mar pelo governo da Grécia.

A crise humanitária é responsabilidade dos Estados europeus e sua xenofobia, que precariza o trabalho dos imigrantes em território e reprime e mata os refugiados nas imediações das fronteiras. O Esquerda Diário repudia fortemente esse crime desumano e todos os ataques aos refugiados e povos imigrantes, que vivem em condições alarmantes agravadas em meio a pandemia. A eles não são garantidos o mínimo de condições sanitárias, pelo contrário, mantêm milhares de refugiados em campos de detenção insalubres, largados à pobreza e à doença. Vemos uma política anti-imigrante em inúmeros governos burgueses, como Bolsonaro já demonstrou com os venezuelanos. Contra os ataques xenófobos de todos os capitalistas levantamos a necessidade da unidade da classe trabalhadora mundial, lutando contra as fronteiras impostas por esse sistema que permite e incentiva atrocidades.

Fonte: Médicos Sem Fronteiras




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