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RACISMO NO BRASIL VIOLÊNCIA POLICIAL

Morte no Carrefour: Para policial, João Alberto estava encenando e não morrendo de fato

Para o policial que assassinou João Alberto no Carrefour, o mesmo estaria encenando e não morrendo de fato ao ser espancado.

sábado 5 de dezembro de 2020| Edição do dia

Imagem: BBC

O assassinato brutal de João Alberto, no supermercado Carrefour, em Porto Alegre (RS) foi um dos exemplos mais deprimentes de como o racismo estrutural se materializa na sociedade brasileira. João foi brutalmente espancado por um segurança e um policial, em uma cena de barbárie e covardia, que se dúvida, nos faz presenciar o racismo na sociedade brasileira, ao contrário do que Mourão e Bolsonaro tem afirmado, da inexistência desse fato em nossa sociedade.

Após uma intensa mobilização, o Carrefour e a empresa terceirizada Vector, emitiram notas no qual reprovam esse tipo de prática, além de demitirem o segurança por justa causa. Sabemos que a exploração capitalista anda de mãos dadas com o racismo, e que essas empresas emitiram notas apenas por causa da repercussão negativa, contudo, é corriqueiro dentro do próprio Carrefour atos de violência e barbárie em todo o país.

Nesse sentido, segundo matéria escrita pelo portal G1 em inquérito para apurar os fatos do assassinato de João Alberto, o ex-policial militar temporário Giovane Gaspar Silva, de 24 anos, disse que não percebeu que João Alberto Silveira Freitas estava morto, e que na verdade, achava que tudo não se passava de uma encenação:

Eu tentei sentir a pulsação dele. Eu tava com a adrenalina muito alta. O fiscal também, este que tava com ele. Veio outro rapaz da Vector, fez ali, e disse que ele tava bem. (…) Depois chegou outro senhor e falou: ‘Cara, acho que ele tá morto’. Sinceramente, achei que ele, naquele momento, estivesse encenando”, disse, em depoimento, Giovane (Fonte: G1).

O nível de cinismo é sem igual nesse fato, o vídeo que circula nas redes sociais é uma prova cabal que houve intenção de assassinar João Alberto. Tal prática, inclusive é reproduzida em larga escala pelo braço repressor do Estado brasileiro, sempre seguindo a lógica do “atirar primeiro e perguntar depois”. Diariamente vemos isso no Brasil, a polícia realizando uma verdadeira carnificina com a população preta e pobre de nosso país, enquanto os ricos e patrões ficam seguros com suas propriedades privadas e lucros construídos com base no suor da classe trabalhadora brasileira.

Seja nos mais diversos casos, como do meninoMiguel no Recife; João Alberto em Porto Alegre; do João Pedro no Rio de Janeiro ; e de tantas outras violências policiais cometidas implicam no racismo estrutural, o mesmo racismo que Mata mais negros que brancos por Covid-19 no Brasil.

Desse ponto de vista, “achar” que João Alberto estava encenando, quando na verdade estava morrendo, é um caso clássico de como a vida negra não importa, de que é preciso “encenar” para não apanhar e morrer espancado, o que quase não ocorre porque pro estado lugar de preto é apanhando e sendo resistente a dor, como nos tempos escravistas. João Alberto não estava em um teatro, mas em um estacionamento de um supermercado, sendo espancado até a morte por dois assassinos racistas legitimados pelo estado capitalista e pelas empresas privadas.




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