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Cultura | Morreu o artista e ativista indígena do povo macuxi Jaider Esbell, aos 41 anos

O artista plástico era um dos maiores expoentes da arte indígena contemporânea, além de ser um ativista que se colocava contra os brutais ataques que os povos indígenas vem sofrendo, como o Marco Temporal e a violência racista que busca destruir as vidas indígenas.

quarta-feira 3 de novembro | Edição do dia

Imagem: Márcio Lavôr

Esbell estava com suas obras expostas desde setembro na mostra "Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea", no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo). A exposição faz parte da Bienal de São Paulo, evento do qual Esbell era visto como destaque da 34ª edição. Ela reúne pinturas, esculturas, e obras referentes a diversos povos indígenas. Uma de suas obras está também no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio (CCBB RJ), na exposição "Brasilidade pós-modernismo", que fica em cartaz até 22 de novembro.

Em postagem no Instagram, na semana passada, o artista usou a expressão "para o além" em uma legenda:

O artista nasceu em 1979, em Normandia, no estado de Roraima, na terra indígena Raposa Serra do Sol, e se consolidou nos últimos anos como uma das figuras centrais da arte indígena contemporânea no país, ao lado de nomes como Denilson Baniwa e Isael Maxakali. Ele se mudou para Boa Vista aos 18 anos, quando já havia participado da articulação de povos indígenas e de movimentos sociais.

Esbell entendia a sua arte, que ele denominava de ’artivismo’, como uma ferramenta política, sendo um dos maiores expoentes da arte indígena contemporânea, se colocando contra os brutais ataques que os povos indígenas vem sofrendo, como o Marco Temporal e a violência racista que busca destruir as vidas indígenas.


“Arikba, a mulher de Makunaimî”, 2020, Acrílica e posca sobre tela, 72 x 75 cm

No fim de agosto, na semana anterior à abertura do evento, Esbell fez uma performance em frente à entrada do Pavilhão da Bienal, com um cartaz com os dizeres: “A Bienal dos Índios — AIC”. A sigla vem de Arte Indígena Contemporânea, movimento iniciado em 2013 por Esbell com outros artistas indígenas.


"Carta ao velho mundo", 2018/2019

"A minha luta aqui é a mesma que está acontecendo em Brasília, para não deixar o Marco Temporal passar. Este pavilhão é um parlamento, estou atuando aqui como um advogado indígena, como um parlamentar indígena. — disse Esbell ao GLOBO, na ocasião. — Quando me convidaram, falei que não queria estar aqui sozinho, só entraria se fosse com a corporificação da minha política de ser indígena, para a sociedade branca escutar a realidade que ela minimiza e apaga. Esta luta não é só dos indígenas, é para preservar a vida de todo mundo, dos nossos netos".

"Enquanto indígena a gente já vem num processo histórico de fim de mundo. Viver o extremo das coisas já é parte da nossa própria dinâmica. Eu cresci vivendo violências e ameaças. Acredito que não tenha mudado. Talvez tenha mudado a forma de morrer. Não exatamente uma forma de violência urbana ou mesmo rural, por conta do racismo, mas uma morte que pode vir de um lugar invisível mesmo, esse elemento surpresa", disse Jaider em 2020, em entrevista ao jornalista Cláudio Leal.

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"Quando a gente sai por aí, no mundo, na zona rural ou urbana, já espera alguma agressão física de alguém desavisado ou extremamente racista. É diferente de você ser surpreendido por um vírus que você pode ser contagiado pelo teu próprio parente. No meu modo de ver o mundo, a diferença é exatamente essa. Analisando toda essa conjuntura, tudo o que eu já produzi, as formas como eu já me comuniquei com o mundo, eu basicamente me sinto um artista realizado. Claro que tem muito o que se fazer ainda, mas já morreria muito feliz pela produção que eu já deixo, tanto pictórica como escrita, audiovisual".




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