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Peru | Mobilizações obrigam Castillo a revogar estado de emergência

O questionamento social contra o presidente Pedro Castillo chegou à cidade de Lima, e diversas mobilizações que se desenvolveram em enfrentamentos com a Polícia nacional obrigaram o presidente a revogar o estado de emergência e de imobilidade na capital.

quinta-feira 7 de abril | Edição do dia

O estado de emergência decretado pelo presidente peruano, Pedro Castillo, diante da onda de protestos no país, não resistiu sequer 24 horas. A medida foi anunciada na noite da última segunda-feira, por meio de uma mensagem à nação, e teria vigência a partir da terça-feira (5), afetando a mobilidade nas cidades de Lima e Callao. Esta iniciativa prejudicaria a livre circulação de milhares de moradores da cidade mais populosa do Peru, onde, precisamente, a impopularidade do presidente é muito alta. No entanto, diante da continuidade dos protestos e do crescente mal estar social, Castillo teve que revogar seu próprio decreto na mesma terça-feira à tarde.

O anúncio do estado de emergência buscava evitar que as expressivas mobilizações contra as políticas econômicas do governo, que emergiram há mais de uma semana no interior do país, se reproduzissem em Lima. Novamente, Castillo se equivocou grotescamente, e sua medida antidemocrática que atacava a livre circulação da população terminou por exacerbar os ânimos populares, gerando mobilizações massivas que culminaram em enfrentamentos com a Polícia nacional, repressão e danos a diversas instituições e centros comerciais.

[No tweet: Peru impõe toque de recolher diante dos protestos contra o aumento no preço dos combustíveis]

Assombrado pela reação dos manifestantes, em meados da tarde desta terça-feira, Castillo se reuniu com a direção do Congresso da República, composta por uma maioria de representantes da direita e extrema-direita parlamentar, a quem o presidente fez novamente um chamado à unidade, comprometendo-se a não abrir mão do poder estatal, em troca de que desistam da busca pelo impeachment.

Posteriormente, o presidente anunciou que revogava o estado de emergência e de imobilidade nas cidades de Lima e Callao, mas isto não impediu o rechaço dos manifestantes, que seguiram com os protestos e enfrentamentos até o fim da noite de terça-feira.

Um dos maiores entusiastas e defensores do estado de emergência e de imobilidade em Lima e Callao foi ninguém menos que o ex general e atual congressista da extrema-direita, Jorge Montoya, que justificou a medida arbitrária de Castillo sugerindo que o governo teria informações provenientes dos serviços de inteligência de que, no dia 5 de abril, a população dos bairros mais pobres da capital “desceriam dos morros e saqueariam Lima”.

Enquanto isto ocorria em Lima, em algumas regiões do interior do país se dava o segundo dia de paralisação dos transportadores de carga pesada contra o aumento do preço dos combustíveis. Recordemos que na semana passada, nas províncias do chamado Peru profundo, foram realizadas contundentes mobilizações e paralisações contra as políticas econômicas do governo central, que contribuíram para elevar o custo de vida e afetaram os setores mais pobres da população.

Veja também: Mobilizações no Peru contra a política econômica do governo e o custo de vida

É devido a isto que campesinos e setores médios e populares das regiões mais pobres do país expressam grande insatisfação com a atuação do presidente, que vem descumprindo suas promessas de campanha e favorecendo em seu governo apenas os grandes empresários nacionais e estrangeiros, em detrimento das grandes maiores que são as mais afetadas pela crise econômica derivada da pandemia e da situação econômica internacional. Por esta razão, o rechaço social e a pré-disposição a seguir com as ações de protesto se mantêm latentes.

Esta onda de mobilizações estaria abrindo uma nova situação política no país, na qual as massas, atingidas pela fome e pobreza, entram em cena e questionam, através da mobilização e luta, o governo de Pedro Castillo. No entanto, é importante considerar também que estas mobilizações ocorrem em um contexto de profunda crise orgânica; portanto, neste momento, nem a oposição de direita e extrema-direita, nem a esquerda reformista que apoiou o governo, têm incidência concreta sobre este despertar do movimento de massas.

Leia também: Tirando o chapéu para Bolsonaro: como fica a esquerda que apoiou Pedro Castillo?




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