ONU - VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES

Missão de paz: com armas e muita violência.

Jenifer Tristan

ABC Paulista

terça-feira 8 de março de 2016| Edição do dia

No final do ano passado, vazou um documento com denúncias de abusos e violações contra as mulheres e crianças, desferidas pelos soldados da suposta missão de paz da ONU pelo mundo. Com um documento com 99 novas denúncias, já está mais que desmascarado para que servem essas tropas.

Uma das denúncias foi de uma criança negra de sete anos, que relata à comissão de direitos humanos que fez sexo oral em soldados franceses em troca de uma garrafa de água e um pacote de biscoitos.

Na última sexta-feira, foi divulgado um documento como forma de, supostamente, "nomear e envergonhar" os responsáveis por esses crimes contra as crianças e mulheres de vários países. Depois de tantas denúncias, a ONU quis mostrar que estava apurando o caso.

São 99 casos denunciados em 2015, 69 foram de abusos cometidos por soldados em “missões de paz” e 30 por funcionários da ONU em outros setores. Os países de onde vieram as denúncias são: Alemanha, Burundi, Gana, Senegal, Eslováquia, Madagascar, Ruanda, República Democrática do Congo, Burkina Fasso, Camarões, Tanzânia, Níger, Moldávia, Togo, África do Sul, Benin, Nigéria e Gabão.

Em sua maioria países de população negra, onde o imperialismo explorou e segue explorando até a ultima gota dos seus recursos, deixando a população na mais extrema miséria e ainda utilizando um discurso demagógico que diz estar lá para ajudar, quando na verdade vão conter as populações desses país, como vem acontecendo no Haiti, com a presença de tropas brasileiras.

O Haiti foi o primeiro país negro a fazer revolução e declarar sua independência, mas após a catástrofe de Porto Principe até hoje a cidade vive sobre ruínas. E, já nesse momento, haviam denúncias de que soldados Brasileiros, enviados pelas “tropas de Paz” da ONU, estupravam as mulheres e exigiam atos sexuais em troca de comida e alimentos que deviam ser doados à população haitiana. O governo brasileiro (PT), para tentar manter sua cadeira na ONU, mandam as tropas e fingem não enxergar o terror que elas causam, sobretudo, às mulheres negras do país.

As denúncias começam a aparecer!

As denúncias vem de vários lugares e inclusive contra funcionários de vários países europeus e do Canadá. A maioria dos abusos ocorreu no continente Africano. Apesar das denúncias, parace que a ONU não vem tomando medidas sérias para conter esses “abusos”, o que foi muito criticado pela ONG Code Blue, que monitora as denúncias contra soldados – os "capacetes azuis" – e funcionários das Nações Unidas.
"O que a ONU fez exatamente diante das mais de 1 mil denúncias de abuso sexual contra seus funcionários desde 2007? Debaixo da máscara de que toma alguma providência, o que realmente existe é a inércia” denuncia a ONG.

Uma adolescente de 14 anos falou com a Human Rights Watch:

"Eu passava pela base da Minusca (a missão da ONU no país) no aeroporto quando me atacaram. Os soldados estavam armados. Um segurou meus braços enquanto outro arrancou minha roupa. Jogaram-me em um pasto, e, enquanto um me segurava, outro me estuprou."

Outra jovem de 18 anos afirmou ter sido estuprada quando foi pedir comida na base dos soldados da ONU, na República Democrática do Congo.

"Três homens armados se jogaram em cima de mim e disseram que me matariam se eu os denunciasse. Todos eles me estupraram", disse a jovem.

Punição e investigação real dos soldados! Basta de impunidade!
 
Em dezembro de 2015 a ONU certamente foi acusada de negligência grave ao lidar com as denúncias de abuso sexual por parte de soldados e funcionários em suas missões, pois não toma nenhuma providência diante de um catálogo de denúncias, especialmente as de exploração sexual.

Para resolver o caso, a ONU criou um comitê de especialistas nomeado pelas Nações Unidas para melhorar sua atuação diante das denúncias de abuso, o problema é que esse comitê é formado pelos mesmos indivíduos que ocupavam cargos de responsabilidade quando as violações anteriores foram reveladas.

Ou seja os próprios acusados vão investigar um ao outro. É claro que disso nada pode sair de efetivo para a população e proteção das crianças e mulheres.
Nós já denunciamos há tempos essas tropas de paz sempre tiveram muito de violência e violações, é preciso ter um júri popular com investigações independentes onde a própria população possa apurar os casos.

Mas denunciamos aqui também o governo brasileiro e o papel dos soldados que devem sair imediatamente desses países e acabar com a farsa de que estão construindo a paz.




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