Política

PANDEMIA

Ministério da Saúde espera aumento de óbitos para agir, enquanto número de internações cresce

Dando seguimento à política negacionista, criminosa e irresponsável com a vida da população frente à pandemia da Covid-19, o Ministério da Saúde afirmou, segundo relatos feitos ao jornal Estadão, que o alerta da 'segunda onda' da pandemia somente será disparado quando houver alta consistente no número de mortes. Ou seja, o governo irá esperar mais tempo para agir no combate à pandemia (por mais uma vez, como ocorreu na primeira onda), deixando mortes totalmente evitáveis ocorrerem, para realizar algum tipo de restrição para combater a chegada desta segunda onda.

quinta-feira 26 de novembro de 2020| Edição do dia

Em nota enviada ao Estadão sobre possível "segunda onda", a pasta disse apenas que manterão "vigilância contínua da circulação do vírus em todo território nacional" e presta apoio "aos Estados e Municípios para o enfrentamento à covid-19". A postura reticente do General Eduardo Pazuello, representante da pasta do Ministério da Saúde, foi evidenciada na quarta-feira passada, 19, quando uma mensagem nas redes sociais da pasta foi apagada por citar "isolamento social" como medida para segurar o vírus. Para Pazuello somente a curva de óbitos é o indicador de que é necessário "agir".

O aumento de casos e internações por Covid-19 em várias regiões do Brasil já está comprovado há algumas semanas. Segundo dados apresentados no G1, o número de pacientes internados com Covid-19 somente na cidade de São Paulo voltou a crescer junto com a taxa de ocupação de UTIs na rede municipal, que já chegou a 49%, sendo que há um mês esse índice era de 35%. A taxa de transmissão da doença também se provou estar crescendo nacionalmente. Na cidade de São Paulo, esta taxa está hoje em 1,53 (a cada 100 pessoas podem contaminar mais 153), sendo que no início de novembro a curva de contágio era de 1. No Brasil, a taxa de transmissão está em 1,30, a maior desde maio. As internações no estado também voltaram a crescer na última semana, com aumento de 17% nas internações entre os dias 15 e 21 de novembro, após aumento de 18% na semana anterior, de 8 a 14 de novembro.

Leia também: Brasil tem a maior taxa de transmissão da COVID-19 desde Maio, segundo Imperial College

Negando os fatos, Pazuello afirmou a auxiliares que ainda não vê razões para reforçar as medidas de proteção. O Ministério da Saúde afirma que os números mais elevados obtidos eram reflexo do represamento de dados (uma vez que algumas notificações do levantamento de casos levaram dias para entrar no cálculo da doença no Brasil, pois a rede da Saúde ficou fora do ar após ataque cibernético), que foram liberados a poucas semanas, mas ignoram o aumento do índice de internações e taxa de contágio.

O discurso negacionista de Jair Bolsonaro é de que não cabe ao ministério impor medidas preventivas para restringir a circulação de pessoas, como o fechamento de comércios e escolas, por exemplo, mas sim aos Estados e municípios. Do município ao governo federal, pudemos acompanhar reaberturas irresponsáveis pelos governos, sem testes massivos, sem garantia de quarentena eficiente, sem garantia de empregos e fornecimento inadequado de EPI aos trabalhadores dos serviços essenciais, política irresponsável que levou o Brasil a chegar aos mais de 170 mil mortos por Covid-19. 

O ministério abandonou metas essenciais para o controle da pandemia como o de realizar 24,2 milhões de testes PCR - considerado "padrão ouro" no Sistema Único de Saúde (SUS) até dezembro, se negando a fazer o rastreamento do vírus para evitar mortes. O escandaloso número de testes de covid-19 parados e estragando é atualmente maior do que os realizados pelo governo Bolsonaro. A gestão Bolsonaro realizou cerca de 5 milhões de testes para a covid-19, e foi divulgado que são quase 7 milhões guardados em um armazém do Ministério da Saúde que estão vencendo e estragando, causando prejuízo de R$290 milhões aos cofres públicos e contribuindo para a morte de mais pessoas. 

O estado de calamidade, que garantiu mais verba para a Saúde, vai até 31 de dezembro e no Orçamento de 2021 não há previsão de dinheiro extra para financiar o combate à pandemia. Enquanto a população morre de Covid-19, bancos privados alavancam seus lucros no 3º trimestre de 2020. Os números dos balancetes financeiros dos maiores bancos privados do país são uma fria expressão do que, na realidade, significa um punhado de capitalistas garantindo o aumento de seus lucros às custas da degradação das condições de vida da maioria da população.

Em meio à pandemia a população ainda tem que se enfrentar com o aumento do desemprego e dos preços de alimentos e itens de consumo básico. Ao responder a pergunta sobre a manutenção do auxílio emergencial, Bolsonaro ainda debocha e despreza a vida dos brasileiros dizendo "pergunta pro vírus"




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