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ANÁLISE | Militares estarão no centro da CPI da Covid, para desgastar Bolsonaro?

O general e ex -ministro da Saúde Eduardo Pazuello com certeza estará no centro das investigações da CPI da Covid, mas que também pretende avançar sob outro ministro militar, o atual ministro da Defesa Braga Netto. Na guerra de desgaste do bloco bonapartista institucional para conter Bolsonaro, o quanto serão as Forças Armadas arrastadas para a crise?

segunda-feira 26 de abril | Edição do dia

(Foto por: Carolina Antunes/PR)

Sob a administração Pazuello, o país viu a catástrofe sanitária se aprofundar gravemente, com o general estando responsável pela perda de mais de 280 mil vidas durante o seu período à frente da pasta. Um massacre sem comparação a nenhuma operação militar da qual o Brasil já tenha participado em sua história. Quando um exército sofre tamanha derrota é impossível deixar de responsabilizar o general em comando e seus oficiais - Pazuello nomeou mais de 20 militares para posições chaves do ministério. Por isso, não há dúvidas de que os militares estão atolados até o pescoço na lama do caos sanitário que domina o país, tendo seguido à risca a estratégia negacionista formulada por Bolsonaro.

Entretanto, a CPI da Covid, que será instalada nesta terça-feira (27/04), apesar das ameaças, não tem o menor interesse de investigar essa cumplicidade assassina. O objetivo da CPI não é chegar aos responsáveis pela brutal tragédia que o país está submetido, pois se fosse o caso também deveria ser investigado o próprio Congresso que sustentou, e segue sustentando, essa gestão catastrófica, além do próprio STF que autorizou a abertura da CPI, após um ano de morticínio no país. Os objetivos com a CPI são meramente desgastar Bolsonaro, tornando-o ainda mais dependente do Centrão.

Nesse sentido, as ameaças de avançar sob os militares, que poderia envolver intimar o ministro da Defesa Braga Netto a prestar depoimento por seu papel a frente do comitê de gestão da crise, são alertas de que os militares, enquanto instituição, também podem ser tragados para esse desgaste. Nesse movimento o Centrão avança algumas casas sob o governo enquanto os militares, são intimados a se resguardarem, mesmo o setor bolsonarista representado por Braga Netto. Um movimento que já havia ficado claro na saída do ministro general Luiz Ramos da Secretaria de Governo - passando para a Casa Civil - abrindo lugar para a deputada Flavia Arruda (PL-DF)

Independente da CPI - uma manobra diversionista, coluna de fumaça para ocultar a realidade - a verdade é que os militares são responsáveis de primeira ordem pela calamidade econômica e sanitária no Brasil. São golpistas que fortalecem ideologicamente a corrente política de extrema direita, e são inimigos exímios da classe trabalhadora. Derrotar Bolsonaro e o regime do golpe implica batalhar contra as altas patentes da caserna, tão apreciadas pelo PT.

Enquanto isso, Lira e Pacheco são mais explícitos nos resultados práticos que a CPI terá, e em contrapô-la às reformas, acenando com a saída para Bolsonaro. Lira disse que a CPI é “perda de tempo”, e que acha possível dar andamento nas reformas administrativas e tributárias até o final do ano caso a CPI “não consiga atrapalhar os trâmites no Senado”.

Sobre o “super” pedido de impeachment que articula desde a direita com a esquerda, englobando os mais de 100 pedidos já protocolados na Casa, Lira disse “não ver motivos”, demonstrando mais uma vez a ilusão daqueles que confiam no regime institucional para dar saídas à crise. Buscam ampliar cada vez mais o arco de alianças, se somando até à figuras reacionárias do calibre de Joice Hasselmann e Alexandre Frota (PSOL e até o PSTU participaram dessa vergonhosa reunião), acreditando que essa é a frente ampla que o país precisa para derrotar Bolsonaro.

Enquanto isso são as trabalhadoras terceirizadas e efetivas da LG demitidos, os trabalhadores essenciais do metrô no DF em greve, as merendeiras do RJ desde o começo do ano sem salário, aqueles que sofrem as consequências das reformas, da crise sanitária e econômica, mas também são aqueles que buscam reagir contra esses ataques para que a crise não seja descontada neles. São esses os exemplos de resistência que deveriam ser alentados e unificados, articulando todas as categorias em luta em defesa do emprego, da renda, e por vacina para todos, um programa operário como alternativa a crise que impulsionasse também o Fora Bolsonaro, Mourão e os militares. Essa é a verdadeira unificação que o país precisa, fazendo emergir o sujeito proletário, que é quem pode derrubar Bolsonaro e os militares, além de batalhar por uma resposta de conjunto à degradação das condições de vida dos trabalhadores e do regime, impondo uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para que seja o povo a decidir.




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