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ESQUERDA FRANCESA | Mídia francesa continua repercussão da candidatura de Anasse Kazib, ferroviário filho de imigrantes

Mídias francesas refletem essa nova candidatura que busca que a voz dos setores populares seja escutada, enquanto continua recebendo apoio à sua pré-candidatura presidencial por parte de setores como ativistas dos direitos humanos, jornalistas, artistas, trabalhadores e delegados sindicais.

sexta-feira 9 de julho | Edição do dia

A partir deste jornal, viemos refletindo o amplo arco de adesões que Anasse vem recebendo para poder ser candidato às presidenciais na França que serão realizadas em abril de 2022.

O jovem operário, militante do Révolution Permanente - grupo francês irmão do MRT -, devido às leis antidemocráticas daquele país, tem de conseguir 500 assinaturas de prefeitos para poder ser candidato.

Já o “MediaPart”, mídia francesa, publicou recentemente em sua tribuna aberta uma carta de apoio com assinaturas de diversos setores.

O governo Macron vem de sofret uma derrota nas eleições regionais (junto com a extrema direita), devido às suas políticas liberais e, embora a direita tradicional tenha alcançado uma boa posição diante das eleições presidenciais, o Partido Socialista se manteve e La France Insoumise de Melenchón - com acordos pontuais com outras forças em algumas regiões - não obteve bons resultados. Mas o que chama a atenção é que houve uma abstenção de 65%. Isso evidencia claramente a crescente rejeição de amplos setores populares aos políticos tradicionais (os representantes do capitalismo francês).

Esses partidos continuarão a competir entre si e, na antidemocrática Quinta República, as propostas de suas políticas já conhecidas, por mais que sejam recicladas, continuarão a ser ouvidas.

A luta que Anasse está dando, junto ao Révolution Permanente, é para que se possa ampliar a voz de quem não tem voz apesar de serem quem movimenta a economia da França: as e os trabalhadores precários, as mulheres, os imigrantes discriminados pelas políticas do Governo Macron, que abre as portas para setores xenófobos e racistas da ultra direita.

Todos esses setores que Anasse foi apoiando ao longo de sua militância e hoje busca ser sua voz para que sejam ouvidos, mas acima de tudo contribuir com sua organização, na luta por seus direitos. Uma voz para ecoar a necessidade de lutar por seus direitos e contra a violência policial.

Repercussão na mídia

Por causa dessa novidade política de um jovem ferroviário, filho de família de imigrantes, os meios de comunicação vieram refletindo a batalha para conseguir ter sua candidatura.

A revista "Marianne" hoje voltou a publicar uma nota refletindo sua candidatura. Introduzindo uma discussão sobre se é certo ou errado, segundo a revista, abordar temas como o racismo ou a descolonização. Algo que em países imperialistas como a França, com vastos setores de imigrantes, principalmente de origem árabe (como o próprio Anasse) ou africanos, é fundamental, visto que a classe trabalhadora no país gaulês é altamente racializada. Um assunto que Kazib conhece a fundo porque, junto com sua família, o viveu com sua própria carne. Agora, como militante revolucionário, pretende ser a voz desses setores oprimidos.

A nota publicada hoje reflete o apoio que sua candidatura recebeu de ativistas anti-racistas, como a jovem Assá Traoré, irmã de Adama, o jovem negro assassinado pela Polícia há 5 anos.

Outro meio importante na França, "Quartier Genéral", ecoou esta candidatura.

Mesmo o jornal de extrema direita, próximo a Marie Le Pen, "Valeurs Actuelles" refletiu o alvoroço que sua candidatura produziu. Logicamente para atacá-la. Por isso, enquanto o chama de "agitador" de forma depreciativa, o jornal tem que dizer que Anasse foi parte da luta contra "a reforma trabalhista em 2016, a reforma ferroviária em 2018, e mais recentemente nos protestos contra a reforma da previdência em 2019". Da mesma forma, Anasse pôde ser visto em diversos programas da TV francesa, apoiando a luta dos Coletes Amarelos.

Nesse mesmo artigo, onde o autor parece à beira de um ataque de nervos porque o dirigente ferroviário clama por uma luta "extra-parlamentar", o que força o autor a dizer: "Imaginem as imagens de 1º de dezembro de 2018 se fossem acrescidas por trabalhadores ferroviários, petroleiros, estivadores ... Imagine se [este dia] tivesse ocorrido uma greve geral”.

A extrema direita zomba dessa possibilidade, rezando para que a imagem nunca se torne realidade. Eles atacam Kazib por ter se emergido da luta de classes na França.

Contra a direita e a extrema direita que atacam os trabalhadores hoje, mas também contra os tradicionais partidos franceses que governaram e também ajustaram e também compartilham a responsabilidade pela situação dos setores populares, e até contra aqueles partidos que propõem tépidas reformas que já se mostraram inúteis para enfrentar os empresários (como aconteceu anteriormente na Grécia com o Syriza ou na Espanha com o Podemos), é contra isto que Anasse Kazib e o Révolution Permanente pretendem lutar. Por isso, sua candidatura busca ser um amplificador das condições de vida e das demandas do povo trabalhador francês.




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