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CRISE HÍDRICA | Mídia diz que privatizar resolve crise energética, mas foi assim que Amapá ficou no escuro

O agravamento da crise hídrica devido a época de seca em diversas regiões do país é usado pelo regime golpista, com a fundamental ajuda da mídia burguesa, para atacar estatais como a Eletrobrás, com a mentira de que a privatização seria a salvação para o caos no atendimento dos serviços essenciais, como de luz.

quinta-feira 3 de junho | Edição do dia

Foto: Instrumento para medição do nível d’água na barragem da usina hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra - MG (REUTERS/Paulo Whitaker)

Todos nós sabemos que a privatização além de não resolver a situação, ainda irá encarecer mais esses serviços, precarizar a vida dos trabalhadores das empresas que são privatizadas e não é garantia nenhuma de qualidade de distribuição, como exemplo do Amapá, que em plena pandemia ficou quase um mês sem luz em residências, comércios e até mesmo unidades de saúde; a população sofreu ameaças de aumento da tarifa em pleno apagão; e diante de protestos contra o governo, trabalhadores sofreram repressão policial.

Na época do apagão, descobriu-se que a Gemini Energy, empresa estrangeira que abastece 14 municípios amapaenses, mantinha os equipamentos em péssimas condições, com transformadores desligados por problemas que já haviam sido detectados mas não resolvidos. A empresa ainda inventou que um raio teria atingido os transformadores, mas depois comprovou-se que o apagão foi em decorrência da precariedade que a empresa mantinha na estação.

E qual foi a estatal que teve que suprir e auxiliar no caos que a região do Amapá estava vivendo? A Eletrobrás, que hoje é alvo dos interesses do capital e está com processo de privatização sendo pautado no Congresso Nacional. Ou seja, a empresa estrangeira não garantiu nenhuma qualidade de abastecimento, pelo contrário, e o Estado necessitou da cobertura da estatal para socorrer a região. Na época do apagão, inclusive, o ataque de privatização da Eletrobrás foi adiado pelo Congresso Nacional, com parlamentares tentando “sair por cima” politicamente, fazendo discursos demagógicos, enquanto sempre votam a favor dos ataques e privatizações.

O mesmo podemos falar da mídia burguesa, que enquanto noticiava a calamidade do Amapá, nunca deixou de atuar em prol das privatizações, criando e alimentando um senso comum mentiroso de que privatizar estatais seria a busca por melhorias dos serviços essenciais. A grande mídia repudiou o apagão do Amapá, mas por outro lado trabalha em prol das empresas que destinam a escuridão para cada vez mais regiões do país.

Atualmente os níveis dos reservatórios das hidrelétricas, que tanto poluem e destroem o meio ambiente, atingiram uma baixa histórica. A degradação do meio ambiente realizada pelos interesses por lucros dos capitalistas, faz o país sofrer cada vez mais com as mudanças climáticas e a escassez de chuva já atinge diversas regiões. E diante disso, recai sobre nós, a classe trabalhadora, o preço a pagar pela destruição do meio ambiente e o aumento das tarifas para poder ter água encanada e luz em nossas casas, enquanto os lucros das empresas só aumentam.

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Já sabemos que o Estado não passa de um balcão de negócios da burguesia e a grande mídia cumpre com seu dever de enganar a população, garantindo que os ricos possam se manter seguros na sua posição de exploradores da classe trabalhadora. Tanto é que em 2016, nossa classe sofreu um golpe institucional, que derrubou o PT que já não estava passando ataques o suficiente e no ritmo que a burguesia queria e instituiu o regime autoritário do golpe institucional, do qual, apesar de desacordos entre as distintas alas dentro desse regime, todos estão juntos a serviço de responder às burguesias nacional e internacional e ao mercado financeiro, atropelando nossa classe com reformas, destruição de direitos, precarização das condições de vida e privatizações. Tendo nisso também a participação da grande mídia, que hoje se diz oposição a Bolsonaro, mas foi e permanece sendo um dos pilares do regime do institucional e da sua agenda econômica contra nossos direitos e por privatizações.

Veja aqui: Maíra Machado: "Lula quer capital privado dentro da Caixa Econômica, Correios e Eletrobras".

É preciso lutarmos contra a privatização da Eletrobrás, e também de qualquer outra estatal, como dos Correios, Caixa Econômica e Petrobras. Os lucros de poucos não podem estar acima das nossas vidas. A qualidade de serviços tão essenciais deve ser uma garantia para todos, pois somos nós que colocamos essa sociedade para funcionar. Por isso, essa luta não pode acabar só em barrar a privatização da Eletrobrás, mas também ser construída pela estatização de todo sistema energético, colocando-o sob controle operário. Isso pode ser possível com a auto-organização da nossa classe. O dia 29M mostrou o caminho e agora precisamos exigir das centrais sindicais que saiam dessa quarentena e convoquem assembleias em cada local de trabalho e estudo, para que trabalhadores e a juventude possam se organizar por um dia de paralisação nacional, inclusive ao lado dos trabalhadores do setor energético.




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